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‘Eu estou vivo, continuo indignado e não quero compaixão e nem segunda chance. Eu quero justiça’, diz Silvio Almeida

    Tentaram me matar, mas não conseguiram“, escreve o ex-ministro dos Direitos Humanos e Cidadania, acusado de assédio sexual durante sua gestão na pasta e exonerado do cargo por Lula – SAIBA MAIS

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    O ex-ministro dos Direitos Humanos e Cidadania, o advogado e professor de FilosofiaSilvio Almeida, 48, foi exonerado do cargo em setembro de 2024, devido às denúncias de assédio sexual na pasta. Uma nota divulgada pelo Planalto afirmava que o Presidente da República Federativa do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), considerava “insustentável” sua manutenção, considerando a natureza das acusações.

    Diante das graves denúncias contra o ministro Silvio Almeida e depois de convocá-lo para uma conversa no Palácio do Planalto, no início da noite desta sexta-feira (6), o presidente Lula decidiu pela demissão do titular da Pasta de Direitos Humanos e Cidadania”, constava no comunicado publicano no DOU (Diário Oficial da União).

    Em depoimento à PF (Polícia Federal), a ministra da Igualdade RacialAnielle Franco, afirmou ter sofrido importunação mais de uma vez por parte de Almeida, um dos mais brilhantes intelectuais do mundo dos últimos anos, que também teria sido acusado por diversas mulheres.

    Bem-sucedido, o ex-ministro trabalhava com Lula desde o início de sua terceira gestão, e viu seriamente abalada toda a sua notória carreira. Ele advoga desde o ano 2000, nas áreas do direito empresarial, econômico, tributário e dos direitos humanos.

    Guilherme Amado, do portal Metrópoles, revelou acusações de assédio moral e sexual contra Silvio Almeida, feitas pela professora Isabel Rodrigues através da ONG Me Too Brasil. Ela relatou que Almeida a assediou durante um almoço em 2019. A Me Too comentou que as vítimas enfrentam dificuldades em obter apoio institucional e, por isso, confirmaram o caso à imprensa.

    Silvio Almeida negou as acusações, chamando-as de “mentiras” e “ilações absurdas”, e alegou que foram feitas por conta de sua raça e posição. Ele pediu uma investigação às autoridades competentes.

    Em sua conta no Instagram, Almeida postou, neste sábado (15/fev), imagens de texto afirmando que quiseram acabar com sua carreira: “Tentaram me matar“, diz o título do pequeno artigo (reproduzido na íntegra abaixo). No final, o ex-ministro afirma que quer Justiça:

    Hoje me deparei com um trecho de um programa da TV Brasil em que Luiz Antônio Simas dizia que o contrário da vida não é a morte, mas sim o esquecimento. Nestes últimos meses, tentaram me fazer esquecer quem eu realmente sou, quem eu fui e quem eu sempre quis ser. Tentaram apagar trinta anos de trabalho sério, dedicação e muita renúncia.

    Queriam me apagar. Apagar o professor respeitado e tantas vezes homenageado pelos alunos. O advogado diligente. O companheiro, o amigo, o pai. Tentaram me transformar, repentinamente, em um monstro, um homem que sempre enganou milhares de pessoas, um “abusador” de mulheres? Algumas pessoas nem disfarçaram o racismo ao manifestar que já esperavam isso vindo de um homem “como eu”. Leia-se, um homem negro, essa figura tão classicamente associada à violência e ao descontrole.

    Nenhuma das pessoas que trabalhou comigo diretamente nestes trinta anos foi sequer ouvida na composição deste perfil. É óbvio o motivo: para naturalizar a morte de alguém, é preciso que se crie uma figura monstruosa, não humana, que pode ser linchada sem dor na consciência.

    Parte da imprensa e algumas instituições participaram dessa empreitada do esquecimento, fazendo uma espécie de gaslighting, em que você passa a se perguntar se não é o ser abjeto que tantos apontaram. Semanas atrás, uma jornalista experiente da afamada revista Piauí chegou ao ponto de perguntar a uma pessoa da minha confiança se eu era de fato advogado e se fiz parte de alguma sociedade.

    Outros puseram em dúvida, de modo cínico, a minha militância no movimento negro, mesmo tendo eu fundado o Instituto Luiz Gama, sido advogado de comunidades quilombolas e participado da frente pró-cotas e do comitê contra o genocídio da população negra. Já outros, por disputa política ou por ressentimento, ladeados por ONGs suspeitíssimas, ainda fazem pressões indevidas sobre instituições do Estado para me prejudicar, para me colar o perfil criminoso, em uma nova versão de lawfare.

    Tentaram me matar. Mas não deu certo. Tal como se faz no gurufin, minha família, meus amigos, minhas alunas e alunos, meus parceiros de trabalho tiveram que cantar neste velório que armaram para mim. E se o morto levanta, acabou o velório.

    Eu vou continuar escrevendo. Eu vou continuar falando. Eu vou continuar acreditando que esse país tem jeito. Eu vou continuar acreditando no povo brasileiro. Eu vou continuar advogando em alto nível para quem pode e para quem não pode me pagar.

    Vai voltar o canal no YouTube. E especialmente para quem me pediu, saibam que estou estudando para fazer um vídeo específico em que analisarei a nova política nos EUA. A nova edição, ampliada e revisada, de Racismo Estrutural vai sair. O livro sobre “Estado, direito e raça no pensamento social brasileiro”, interrompido durante minha passagem pelo ministério, será finalizado. E mais três projetos, alguns em parceria, estão sendo gestados: “Defesa da Soberania Nacional e Jurisdição Constitucional”, “Comentário às leis antidiscriminatórias do Brasil” e “Direitos Humanos no Brasil?”.

    Eu estou vivo, continuo indignado e não quero compaixão e nem “segunda chance”. Eu quero justiça”.

    Quem é Silvio Almeida

    Professor de Filosofia do Direito na Universidade São Judas Tadeu até 2019, Almeida é hoje professor de graduação em direito e de pós-graduação stricto sensu em Direito Político e Econômico na Universidade Presbiteriana Mackenzie, além de professor da Escola de Administração de Empresas e da Escola de Direito da FGV (Fundação Getúlio Vargas), todas em São Paulo.

    Durante o ano de 2020, Silvio Almeida foi professor visitante na Universidade Duke, na cidade de DurhamCarolina do Norte, nos Estados Unidos, onde lecionou nos cursos Raça e Direito na América Latina e Black Lives Matter: Brasil e Estados Unidos.

    Durante o ano das eleições em que Lula derrotou o hoje inelegível até 2030, Jair Bolsonaro (PL), Almeida foi professor visitante da cadeira Edward Larocque Tinker da Universidade de Columbia, em Nova Iorque. A vaga de prestígio é destinada a intelectuais da América Latina, tendo sido ocupada pelo geógrafo Milton Santos e o jornalista Elio Gaspari, dentre outros. Além disso, em Columbia, na Carolina do Sul, também nos EUA, ministrou o curso Raça, Direito e Cultura na América Latina.

    Silvio Almeida é presidente da organização de direitos humanos Instituto Luiz Gama, voltada à defesa jurídica da minorias e de causas populares. Em 2021 foi o relator da Comissão de Juristas – colegiado instituído pela Câmara dos Deputados para a apresentação de propostas legislativas contra o racismo institucional. Em 2020 tornou-se colunista de política do jornal Folha de S.Paulo, até virar ministro de Lula.

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    1 comentário em “‘Eu estou vivo, continuo indignado e não quero compaixão e nem segunda chance. Eu quero justiça’, diz Silvio Almeida”

    1. José Araújo de Sousa

      ─ Grande Silvio! “Declaramos Guerra ao Inimigo Interno” – Samora Machel. O fogo “amigo” é o pior deles. Declare-os e todos irão para o lixão da história.

    Os comentários estão fechados.

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