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“Afar nos dá uma janela para um processo que normalmente não vemos”: cientistas observam África se dividindo na Etiópia

    Pulsos de magma no manto terrestre revelados em estudo europeu aceleram a separação de placas tectônicas e apontam para o nascimento de um novo oceano no continente africano

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    A região
    A região de Afar, no norte da Etiópia, fica no centro de um sistema de fendas em forma de Y, ao longo do qual o continente está se separando para formar um novo oceano / Frame de vídeo reprodução
    RESUMO
    URBS MAGNA - Progressistas por um BRASIL SOBERANO


    Adis Abeba (ET) · 17 de março de 2026

    Na remota região de Afar, no nordeste da Etiópia, cientistas acompanham em tempo real o processo de separação de placas tectônicas que um dia dividirá o continente africano.

    Situada no triplo ponto de convergência dos rifts do Mar Vermelho, do Golfo de Aden e do rift africano, essa depressão árida oferece condições únicas para observar diretamente o afinamento da crosta terrestre.

    Pesquisa publicada em 27 de junho de 2025 na Nature Geoscience e liderada pela Dr. Emma Watts, da University of Southampton (atualmente na Swansea University), identificou pulsações rítmicas no manto terrestre.

    “Encontramos que o manto sob Afar não é uniforme ou estacionário — ele pulsa, e esses pulsos carregam assinaturas químicas distintas”, afirmou Emma Watts.

    Os surtos de rocha derretida esticam a crosta como plasticina mole, canalizando a atividade vulcânica para onde a placa é mais fina e acelerando a separação continental.

    O trabalho, que reuniu mais de 130 amostras de rocha vulcânica, contou com a participação de Tom Gernon, Derek Keir e pesquisadores da Addis Ababa University.

    Os pulsos do manto terrestre comportam-se de forma diferente conforme a espessura da placa e a velocidade de afastamento, explicando por que o processo é mais eficiente em rifts rápidos como o do Mar Vermelho.

    Anos antes, em 2005, uma fissura de 60 quilômetros se abriu em poucos dias no segmento Dabbahu-Manda Hararo.

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    Fissura de Dabbahu
    A fissura de Dabbahu recém-aberta em 16 de outubro de 2005, com pessoas para escala. Foto: Anthony Philpotts via Julius Badayos


    Reportagem do The Guardian de 2 de novembro de 2006 registrou 162 terremotos em duas semanas e erupções que criaram uma fenda de até oito metros de largura.

    “O processo acontecendo aqui é idêntico ao que criou o oceano Atlântico”, disse Tim Wright, da University of Leeds.

    O geólogo etíope Atalay Ayele, da Addis Ababa University, reforçou que o Afar funciona como “um enorme laboratório ao ar livre”.

    Estudo complementar, divulgado em 21 de maio de 2025 na Communications Earth & Environment, confirmou que o rift se estreitou de forma assimétrica nos últimos 2,5 milhões de anos, com o sistema magmático migrando para camadas mais rasas.

    Os autores, entre eles Gianmaria Tortelli e Carolina Pagli, da Università degli Studi di Firenze, concluíram que o afinamento da litosfera, e não apenas o plume mantélico, controla a distribuição do vulcanismo.

    Essa cooperação entre instituições europeias e africanas exemplifica como o conhecimento científico compartilhado ilumina processos planetários fundamentais.

    O novo oceano que surgirá em milhões de anos entre as futuras placas independentes da Etiópia e da Somália representa um capítulo vivo da história da Terra, visível hoje graças ao Afar.

    Retrato de Alexandr Wang discutindo o futuro da colaboração homem-IA, capturado por Ethan Pines para Forbes.



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