O bloqueio imposto por Teerã à principal via de transporte de petróleo do mundo gera pânico em mercados globais e expõe os limites da estratégia americana no confronto com o Irã
Estreito de Ormuz está fechado e sob vigilância iraniana |4.3.2026| Foto: Tehran Times
Estreito de Ormuz está fechado e sob vigilância iraniana |4.3.2026| Foto: Tehran Times
Teerã (Irã) · quarta-feira (4/mar) de 2026
O Irã fechou o Estreito de Hormuz e colocou a passagem sob controle total da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC), transformando a principal rota de transporte de petróleo do mundo em uma zona de segurança iraniana. A decisão, detalhada na edição especial de quarta-feira (4/mar) do jornal Tehran Times, responde diretamente à ofensiva iniciada pelos Estados Unidos e Israel em 28 de fevereiro.
O presidente Donald Trump enviou dois porta-aviões ao Golfo Pérsico com o objetivo declarado de intimidar Teerã e forçá-lo a abandonar seus programas nuclear e de mísseis. Segundo o analista Saleh Abidi Maleki, a manobra visava preparar um ataque sem retaliação, seguido de fragmentação do país e exploração de seus recursos naturais, alinhando-se ao projeto de “maior Israel”.
Contudo, as prometidas escoltas navais de Trump dificilmente se concretizarão. O domínio iraniano sobre o estreito impede qualquer operação segura, conforme análise exclusiva do Tehran Times.
A crise já provoca alarme mundial. Quase um quinto do suprimento global de petróleo transita pela estreita passagem, cuja largura navegável chega a apenas três quilômetros. Atividades de navegação foram drasticamente reduzidas, prêmios de seguro dispararam e grandes transportadoras suspenderam ou adiaram viagens ao Golfo Pérsico.
“Quando um país vê que está sendo enganado apesar de mostrar boa vontade e praticar paciência por longos anos frente a injustiças e decepções, pode recorrer a atos que a princípio não parecem legais. Essas coisas acontecem quando um país fica sem alternativa”, afirma o editorial do Tehran Times. “Mas pense no Irã, que sofre ataque ilegal de uma nação a mais de 11 mil quilômetros do Golfo Pérsico”.
O Estreito de Hormuz separa o Irã da Península Arábica e conecta o Golfo Pérsico ao Golfo de Omã e ao Mar Arábico. Sua profundidade média de 50 metros permite a passagem dos maiores tanqueiros do mundo, tornando-o uma artéria insubstituível para a energia global.
O analista Sondoss Al Asaad, do Sul do Líbano, ressalta que o campo de batalha não se limitará ao território iraniano. Já Xavier Villar, de Madri, observa que o bloqueio converteu o confronto regional em uma ruptura econômica sistêmica. “O estreito não é simplesmente uma rota comercial. É uma dobradiça estrutural do sistema energético global”.
Para o Irã, o fechamento não é escolha, mas necessidade. A medida penaliza os agressores distantes e demonstra que Teerã não aceitará mais ser pressionado sem resposta proporcional.
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