“Estou suspendendo a greve de fome, mas não a luta contra o orçamento secreto”, diz Glauber (vídeo)
Glauber Braga fala à imprensa após encerrar greve de fome de 9 dias |17.4.2025| imagem reprodução
“A luta contra a injustiça não vai parar“, disse o deputado federal, acrescentando que em seus objetivos também estão “o poder oligárquico, a responsabilização dos assassinos de Marielle e dos golpistas de plantão” – LEIA, ASSISTA e SAIBA MAIS
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Brasília, 18 de abril de 2025
O deputado federal Glauber Braga (PSOL-RJ) anunciou, em 17 de abril de 2025, o fim de sua greve de fome iniciada em 9 de abril, em protesto contra o processo de cassação de seu mandato no Conselho de Ética da Câmara dos Deputados.
A decisão veio após um acordo articulado por parlamentares como Sâmia Bomfim, Lindbergh Farias e Talíria Petrone, com o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), que suspendeu a deliberação do processo por 60 dias, adiando a votação no plenário para após o recesso parlamentar.
Braga, acusado de quebra de decoro por agredir um militante do MBL em 2024, denunciou a articulação como uma perseguição política liderada pelo ex-presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), ligado ao esquema do orçamento secreto.
Ele agradeceu o apoio de movimentos sociais, imprensa e militantes, destacando que a mobilização popular foi crucial para o recuo da Casa.
Em sua fala aos jornalistas, Braga enfatizou que a suspensão da greve não significa o fim de suas lutas. Ele prometeu continuar combatendo o orçamento secreto, o poder oligárquico e a impunidade nos casos do assassinato de Marielle Franco e dos golpistas de 8 de janeiro.
O deputado, que perdeu dois quilos durante o protesto e dormiu no plenário da Câmara, está em processo de recuperação alimentar sob orientação médica, com planos de participar de um ato no Rio de Janeiro em 24 de abril.
A mobilização em seu favor incluiu atos como o organizado por estudantes da UnB, que reforçaram a campanha “Glauber Fica” contra o que chamaram de avanço da extrema direita no Congresso.
O processo de cassação de Braga, aprovado por 13 a 5 no Conselho de Ética, é visto por aliados como desproporcional, especialmente quando comparado a casos como o de Chiquinho Brazão, acusado de envolvimento no assassinato de Marielle Franco, que ainda não foi votado no plenário.
O PSOL planeja recorrer à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) e, se necessário, ao Supremo Tribunal Federal (STF), alegando irregularidades no relatório do deputado Paulo Magalhães (PSD-BA).
A cúpula do partido, no entanto, reconhece que a postura combativa de Braga e seu isolamento interno, em meio a um racha com a ala majoritária liderada por Guilherme Boulos, dificultam a reversão da cassação.
Apesar do apoio de setores do PT e de tentativas de diálogo com o centrão, a resistência de deputados desse grupo, majoritário na Câmara, reduz as chances de um desfecho favorável a Braga.
O Planalto, segundo fontes, mantém esperança, mas avalia a situação como delicada.
A luta de Braga, que já enfrentou episódios como prisão durante protesto na Uerj em 2024 e bloqueio de contas por multas judiciais, reflete sua trajetória de embates com o establishment político.
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Ele reafirmou seu compromisso com a democracia e a justiça, prometendo não se render às pressões do Congresso.
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