Estamos diante da “falência das promessas do neoliberalismo e por isso Lula gera tanto incômodo”

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Juliano Medeiros diz que “o Lula que o Brasil precisa é aquele que não tem medo de apontar os problemas do país e quais as soluções que devem ser defendidas

A entrevista de Lula na prestigiada revista Time e as críticas ao presidente ucraniano, Volodimir Zelensky; o tratamento do aborto como questão de saúde pública e um direito que todas as mulheres deveriam ter; e a proposta de que eleitores se manifestassem pacificamente junto aos seus parlamentares, dentre outras, foram episódios que chamaram a atenção da imprensa e instalaram uma espécie de disputa em torno de sua pré-campanha“, escreveu o mestre em história, doutor em ciência política e presidente nacional do PSOL, Juliano Medeiros, no jornal Folha de São Paulo, nesta segunda-feira (16/5).

Agentes do mercado e seus analistas tentam “enquadrar” Lula novamente, ridicularizando qualquer proposta que não esteja dentro do que se esperaria de um candidato de união nacional contra a extrema direita“, enquanto outros “esperam que ele represente uma mudança de modelo, com a recuperação dos direitos sociais, da democracia, do meio ambiente e da defesa de trabalhadores e trabalhadoras diante do conflito distributivo que se abriu nos últimos anos“.

Para Lula, “o direito à moradia digna é um problema social que deve ser enfrentado com prioridade“. E a educação deve ser defendida “como um bem de todas e todos“. Seus “eventos e declarações de pré-campanha são sinais de seu compromisso com uma agenda posicionada ao lado das maiorias sociais“, diz Medeiros, para quem “o pleito deste ano será marcado pelo desemprego, pela volta da fome, pela disparada da inflação, pela precariedade das condições de trabalho e pela crise ambiental“.

Segundo o historiador, “até aqui, Lula tem, corretamente, priorizado essa agenda. Mas também parece disposto a enfrentar outros temas que muitos formadores de opinião prefeririam que ele esquecesse“.

Em 2022, porém, o centro está em crise, enquanto as ideias de esquerda ganham terreno em todo o mundo“, avalia Medeiros. “Estamos diante de uma oportunidade única. Diante da falência das promessas do neoliberalismo, é possível apresentar saídas completamente diferentes. E é por isso que qualquer posição de Lula fora do roteiro previamente definido pelos mercados gera tanto incômodo“.

Para uma crise que é profunda, não bastam saídas cosméticas. O Lula que o Brasil precisa é aquele que não tem medo de apontar os problemas do país e quais as soluções que devem ser defendidas“, pontua o presidente do PSOL.

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