Medida de Daniel Noboa gera tensões e mobiliza milhares contra decreto autoritário – SAIBA MAIS
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Quito, Equador, 12 de abril de 2025
Na véspera do segundo turno das eleições presidenciais no Equador, marcado para este domingo (13/abr), o presidente Daniel Noboa, de perfil ultraliberal, decretou estado de exceção em sete províncias, incluindo Quito, suspendendo direitos como inviolabilidade de domicílio, liberdade de reunião e correspondência.
A decisão, anunciada na sexta-feira (11/abr), foi justificada pelo governo como resposta à violência de grupos criminosos, mas gerou acusações de tentativa de interferência eleitoral.
Milhares de equatorianos saíram às ruas em protesto, denunciando a medida como autoritária e comparando-a a táticas golpistas, enquanto a candidata opositora, Luisa González, da esquerda correísta, lidera pesquisas com propostas de recuperação econômica e energética.
O decreto inclui intervenção militar e policial, intensificando o clima de polarização.
A medida de Noboa ocorre em um contexto de crise de segurança e energética no Equador, com apagões de até 14 horas e aumento de homicídios, apesar de uma redução de 16% em 2024, segundo o governo.
A violência, somada à recessão econômica (PIB caiu 1,5% em 2024), alimentou a insatisfação popular, com González prometendo reestatizar hidrelétricas e fortalecer direitos humanos.
A presença de líderes indígenas, como Guillermo Churuchumbi, da CONAIE, no palanque de González sinaliza apoio a 25 compromissos para proteger territórios nativos, superando tensões históricas com o correísmo.
Os protestos se concentraram em Guayaquil, epicentro eleitoral com 3,2 milhões de votos, onde a população rejeita a militarização.
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A comunidade internacional acompanha com preocupação. A União Europeia e a OEA afirmaram não haver evidências de fraude eleitoral, mas criticaram Noboa por não se afastar da presidência durante a campanha, conforme exigido pela lei equatoriana.
Uma invasão da embaixada mexicana em 2024, para capturar Jorge Glas, já havia isolado Noboa diplomaticamente, e o novo decreto reforça sua imagem de líder autoritário.
Os protestos, descritos como pacíficos mas intensos, refletem o desejo de mudança em um país dividido, com eleitores indecisos podendo definir o resultado entre Noboa, que busca reeleição, e González, que promete resgatar políticas sociais.
O segundo turno será um teste para a democracia equatoriana, marcada por uma eleição polarizada e sob a sombra de medidas repressivas.
A população, mobilizada, demonstra resistência à escalada autoritária, enquanto o mundo observa se o Equador seguirá o caminho da estabilidade ou de mais tensões.
O próximo presidente enfrentará o desafio de unir um país rachado, combalido por crises múltiplas e anseios por justiça social.
Na sexta-feira (11/abr), a candidata Luisa González denunciou, em um vídeo postado no X, “o ato irresponsável do governo de retirar minha equipe de segurança das Forças Armadas, colocando minha vida e a da minha família em risco“.
“Eles não vão impedir a mudança que está chegando ao nosso país! Vocês têm o medo, nós temos a esperança“, afirmou.
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