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Estadão joga pá de cal em desejo de anistia de Bolsonaro ao culpá-lo por atentado e por estimular violência política


    Ex-presidente Jair Bolsonaro
    Foto: Evaristo Sa/AFP

    Segundo o editorial do jornalão, Tiu França deixou em vida registros em profusão que dão uma boa ideia de sua afinidade com a “agenda política” do bolsonarismo, como a aversão à democracia liberal e às instituições republicanas

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    De acordo com editorial do jornal O Estado de S. Paulo, desta sexta-feira (15/11), o bolsonarista catarinense de Rio do Sul, Tiu França, Francisco Wanderley Luiz, 59, estava disposto a matar e morrer em nome de suas crenças quando foi até a Praça dos Três Poderes, em Brasília, e atacou a estátua do STF (Supremo Tribunal Federal), com explosivos.

    O texto do editorialista afirma que Tiu França deixou em vida registros em profusão que dão uma boa ideia de sua afinidade com a “agenda política” do bolsonarismo, como a aversão à democracia liberal, às instituições republicanas e à política como uma construção civilizatória baseada no respeito entre adversários.

    “… é incontornável vincular o atentado perpetrado pelo agressor no dia 13 passado (…) a uma diligente campanha de estímulo à violência política no País capitaneada por Jair Bolsonaro, em particular à sua retórica virulenta contra o STF e alguns de seus ministros, além de seu discurso corrosivo à legitimidade da Corte“, diz o texto.

    “… seria uma afronta à “verdade dos fatos (…) ignorar que, após a ascensão de Bolsonaro à Presidência da República, a violência política passou a assombrar o País em uma escala jamais vista desde a redemocratização…”, escreve o editorialista, em outro trecho.

    Sob Bolsonaro, naturalizou-se entre uma parcela considerável da sociedade o desprezo pelo Estado Democrático de Direito, seus princípios mais comezinhos e suas instituições representativas, principalmente o STF“, publicou o jornal.

    Não poucos brasileiros olharam para o triunfo eleitoral daquele oficial do Exército que se retirou em desonra das Forças Armadas e construiu uma obscura carreira parlamentar tecendo loas à ditadura militar e à tortura, pregando o fechamento do Congresso e o fuzilamento de adversários políticos – nada menos – como uma espécie de sinal verde para o emprego da violência como um recurso legítimo para a afirmação de vontades na esfera pública“, prossegue.

    … todos esses delinquentes travestidos de “patriotas” assim agiram porque se sentiram encorajados por uma atmosfera golpista que só se instalou no País em tempos recentes sob os auspícios de Bolsonaro“, diz o editorialista, que classificou como “piada” a tentativa de Bolsonaro fazer o País acreditar que ele teria se convertido à democracia.

    “… se democrata fosse, o ex-presidente teria condenado veementemente – e sem adversativas – não apenas o atentado ocorrido anteontem, mas todos os atos de violência política que foram praticados em nome de sua agenda liberticida nos últimos anos, algo que ele, evidentemente, não fará“, conclui o jornal.

    Se já era acintoso falar em anistia para os golpistas com tamanha naturalidade, resta evidente que, a prosperar esse despautério, estará dado o recado de que a violência política é passível de ser recompensada com a impunidade“, finaliza o editorial.

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