📷 Os irmãos Eduardo e Flávio Bolsonaro em Washington; senador é alvo de críticas do Estadão por “desserviço” ao Brasil / Imagens web / redes sociais | Arte Urbs Magna
| Brasília (DF)
09 de julho de 2026
O editorial do Estadão desta quinta-feira (9/jul), sobre a participação do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) na audiência do Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) em Washington, afirmou que o senador, pré-candidato à Presidência, “desserve o Brasil” e que sua atuação foi “constrangedora” para os brasileiros.
“O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência, transformou em comício a audiência promovida pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) para ouvir argumentos técnicos contra a adoção de tarifas americanas a produtos brasileiros.”
Em vez de usar os cinco minutos que tinha para defender os exportadores brasileiros com ponderações técnicas, Flávio optou por atacar o presidente Lula e sugerir que os Estados Unidos esperem a eleição de outubro para então negociar com um novo presidente — ele mesmo, que seria muito mais alinhado ao presidente Donald Trump.
Com isso, segundo o editorial, o senador perdeu a chance de provar que está interessado em servir o Brasil — “coisa que a família Bolsonaro, afinal, jamais fez”.
A reação do setor produtivo foi imediata. O Estadão/Broadcast ouviu empresários presentes à audiência que classificaram a atuação de Flávio como “deslocada” e “constrangedora”.
Enquanto autoridades e empresários adotaram o tom pragmático que a situação exigia, Flávio discursou sobre regulação de big techs, corrupção no Brasil e Pix — temas irrelevantes para o propósito daquele fórum técnico.
“Não foram necessários mais do que cinco minutos para que Flávio Bolsonaro provasse, de uma vez por todas, que é indigno da confiança do setor produtivo nacional”.
O editorial destaca um detalhe revelador: Flávio apresentou-se ao lado de seu irmão Eduardo Bolsonaro, deputado cassado que está “homiziado” nos Estados Unidos e que havia defendido entusiasticamente a adoção de tarifas americanas.
“Nada mais precisava ser dito”, afirma o jornal.
“Para comprovar que seu interesse não era defender os exportadores brasileiros, e sim apenas fustigar Lula, Flávio apresentou-se ao lado de seu irmão Eduardo Bolsonaro, deputado cassado que está homiziado nos Estados Unidos conspirando dia e noite contra o Brasil.”
O editorial também menciona o contexto de fragilidade política do senador. Flávio precisa desesperadamente convencer sua própria base de que, a despeito dos “muitos rolos em que está metido” — incluindo sua relação de “irmão” com Daniel Vorcaro, do Banco Master, e o passado de suspeitas envolvendo “rachadinhas” e lavagem de dinheiro —, ele ainda é a melhor opção da oposição para desafiar Lula.
O PL marcou sua convenção para o próximo dia 25, e a tarefa de Flávio é árdua: ele não goza da confiança de parte de seus correligionários, e o desgaste chegou até o seio familiar, como se viu no vídeo publicado por sua madrasta, Michelle Bolsonaro.
“É nesse contexto de fragilidade política que o senador foi a Washington para tentar reconstruir, à força de fotos e ‘cortes’ para as mídias sociais, uma viabilidade eleitoral que os fatos vêm corroendo dia após dia”.
O editorial encerra com um registro sobre a foto constrangedora da audiência: ao lado de Flávio e Eduardo, aparece o embaixador Roberto Azevêdo, ex-diretor-geral da Organização Mundial do Comércio (OMC), com décadas de atuação na diplomacia comercial.
“Ele estava lá a trabalho. Já os Bolsonaros só queriam atrapalhar”, lacra e finaliza o editorialista.
Enquanto diplomatas, líderes setoriais e técnicos brasileiros continuam empenhados em minimizar os danos das tarifas que provavelmente serão adotadas contra o país, os Bolsonaros trabalham para seus próprios propósitos pessoais.
A decisão final do governo americano sobre a imposição de tarifas de 25% aos produtos brasileiros deve ser anunciada em 15 de julho.
Flávio Bolsonaro, em sua fala na audiência, argumentou que as novas tarifas fortaleceriam a campanha de Lula e pediu um adiamento de 180 dias para as negociações.
O governo Lula, em nota, repudiou a participação do senador e afirmou que a atuação de Flávio representa “traição à pátria”.
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