📷 O senador Flávio Bolsonaro e a manchete do Editorial do jornal O Estado de São Paulo desta segunda-feira (20/jul) |•| Arte Urbs Magna
| Brasília (DF)
20 de julho de 2026
Em editorial publicado na seção Opinião, o jornal Estadão defende que a queda de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) nas pesquisas abre uma janela para que a direita brasileira busque um nome alternativo a Lula na disputa presidencial de outubro, antes que a candidatura do senador se torne irreversível.
O editorial parte de números da pesquisa Genial/Quaest para sustentar o argumento de que o senador vive seu pior momento na corrida.
Os dados batem com o que o instituto de fato divulgou nesta quarta-feira, 15 de julho: Lula abriu vantagem de 12 pontos percentuais no primeiro turno (40% a 28%) e de 8 pontos no segundo (45% a 37%), a maior diferença registrada nas seis rodadas da pesquisa ao longo de 2026.
A leitura do Estadão
O editorial argumenta que, enquanto Flávio se mostrava competitivo, o mercado eleitoral relevava suas fragilidades como candidato — das acusações de “rachadinhas” à proximidade com o banqueiro Daniel Vorcaro.
Agora que a distância para Lula aumenta, o jornal defende que já “passou da hora de discutir a sério” se o senador é o nome ideal para enfrentar o petista, concluindo que não é.
O texto também aponta rachas internos no campo bolsonarista: menciona a carta divulgada por Jair Bolsonaro reafirmando apoio ao filho e o desgaste na relação entre Flávio e a madrasta, Michelle Bolsonaro.
Esse conflito tem respaldo em dados recentes: pesquisa da própria Genial/Quaest mostra que 42% dos entrevistados concordam mais com Michelle do que com o senador no desentendimento entre os dois, contra 18% que dão razão a Flávio.
O mesmo levantamento mostra a intenção de voto no senador recuando de 82% para 74% entre eleitores de direita não bolsonarista — indício de erosão justamente no eleitorado que o editorial sugere que a oposição deveria tentar recuperar.
A hipótese do cálculo pessoal
O editorial sustenta que a manutenção da candidatura de Flávio hoje se explica menos por viabilidade eleitoral e mais por uma estratégia de Jair Bolsonaro de impedir que outro nome da direita — fora da família — ocupe o espaço político deixado pelo ex-presidente, hoje inelegível.
Reportagens de outras agências de notícias confirmam esse pano de fundo, mostrando que o levantamento de julho testou cenários com Ronaldo Caiado (PSD), Romeu Zema (Novo) e Renan Santos (Missão) como alternativas de direita — todos, segundo a pesquisa, também perdendo para Lula, ainda que com margens distintas.
O argumento central do editorial — trocar de candidato antes que seja tarde demais — esbarra num problema prático que o próprio texto reconhece: nenhum nome alternativo testado pela Genial/Quaest consolidou vantagem sobre Lula até agora.
Assim, a “chance de ouro” que o Estadão enxerga depende menos da vontade da direita e mais da disposição de Jair Bolsonaro de abrir mão do controle sobre a legenda que herdou do próprio nome — algo que, até aqui, nenhuma pesquisa sugere estar próximo de acontecer.
FAQ rápido
O que o editorial do Estadão defende?
Que a direita aproveite o momento de fraqueza eleitoral de Flávio Bolsonaro para articular um candidato alternativo capaz de vencer Lula.
Os números citados pelo editorial são reais?
Sim. A pesquisa Genial/Quaest de 15 de julho confirma a vantagem de 12 pontos de Lula no primeiro turno e 8 pontos no segundo.
Existe algum nome de direita crescendo nas pesquisas para substituir Flávio?
Até o momento, não. Os cenários testados pela Genial/Quaest com Ronaldo Caiado, Romeu Zema e Renan Santos também mostram Lula na frente.
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