“O bolsonarismo, como se sabe, vampiriza sua força da atimia das instituições – seja pela tibieza, falta de espírito público ou desvios de comportamento de alguns de seus membros“, diz trecho de editorial deste domingo (9)
De acordo com editorial do jornal ‘O Estado de S. Paulo‘, neste domingo (9/6), “está em curso um plano de reabilitação de Jair Bolsonaro para permitir que ele concorra à Presidência em 2026“.
Segundo o editorialista, em um “contexto de desordem institucional se tem tratado, à luz do dia, de algumas medidas que têm por fim anistiar o maior vândalo político que esta República democrática conheceu nos últimos 35 anos, o “mito” inspirador de uma tentativa de golpe de Estado“.
Para o ‘Estadão‘, não vivemos tempos normais. (…) “E o bolsonarismo, como se sabe, vampiriza sua força da atimia das instituições – seja pela tibieza, falta de espírito público ou desvios de comportamento de alguns de seus membros“.
O autor do editorial diz ainda que trabalhos na CCJ da Câmara foram iniciados para um “descabido projeto de lei” que poderia ser chamado de “emenda Bolsonaro”, pois é de livrá-lo da Justiça e reabilitá-lo eleitoralmente que se trata.
E que o presidente da Casa, Arthur Lira, ressuscitou um projeto de lei de 2016 que restringe acordos de delação premiada feitos por colaboradores presos e pune quem divulga seu conteúdo. O texto, claro, diz que a ação é vista como uma tentativa oportunista de agradar o partido de Bolsonaro e também como uma estratégia para prejudicar Lula.
Este projeto, de autoria de Wadih Damous, poderia invalidar uma delação contra o ex-chefe de Lira, e o presidente da Câmara busca assim manter o governo sob controle, pois Bolsonaro já indicou publicamente seu apoio a Lira para a presidência da Câmara em 2025.
“A anistia se tornou a maior obsessão de Bolsonaro depois das fracassadas tentativas, legais e ilegais, de se manter no poder. Esse arranjo intolerável, entretanto, interessa apenas e tão somente ao ex-presidente e a seu grupo político, em particular sua família“, diz o texto.
O jornal adverte: “Nada menos. Das duas, uma: ou as instituições democráticas recobram o prumo ou o golpismo prospera“. E acrescenta, no epílogo do texto, que “não é do interesse nacional perdoar os golpistas – nenhum deles“.
No final, diz que “é absolutamente inaceitável tolerar qualquer indulgência com intolerantes que tentaram cassar as liberdades democráticas neste país” e que “a punição exemplar de todos os golpistas é a melhor defesa da democracia, se não a única, contra os seus inimigos“.
E encerra: “Para estes, é preciso deixar claro que a conta de sua ousadia é pesada. Só isso poderá evitar que a barbaridade se repita“.
