Resposta aos Bolsonaros acontece após o III dizer que sente “pena da cobra” com que militares torturaram Míriam Leitão na ditadura
“A única coisa que lembrei naquele momento de pavor é que cobra é atraída pelo movimento. Então, fiquei estática, silenciosa, mal respirando, tremendo“, conta a jornalista Míriam Leitão sobre as torturas de militares durante seus três meses de prisão, durante a ditadura, em 1972, quando passou “horas intermináveis trancada na sala escura com uma jiboia“.
O que disseram nas redes sociais após Eduardo Bolsonaro defender tortura de Míriam Leitão:
Vera Magalhães, jornalista que apresenta o Roda Viva, na TV Cultura, lembra que “Leitão foi torturada grávida”. Sobre o tuíte de Eduardo Bolsonaro, diz que “o deputado federal por São Paulo fez “um comentário nojento e indigno“.
“Ainda com pena da cobra“, afirmou o filho do presidente, neste domingo (3/4), no Twitter. O comentário do Bolsonaro III foi feito sobre print de tuíte de Leitão, no qual ela questiona “Qual é o erro da terceira via?” e ela mesma responde: “É tratar LULA e Bolsonaro como iguais. Bolsonaro é inimigo confesso da democracia“.
Vera acrescentou que “a infâmia está tão normalizada que [Eduardo Bolsonaro] faz o que faz e não sofre nenhuma punição do conselho de ética. Pessoa baixa“, conclui.
“A Câmara dos Deputados não pode aceitar que um deputado deboche dos crimes da ditadura. A solidariedade a Miriam Leitão, torturada aos 19 anos e grávida, precisa ser a punição de Eduardo Bolsonaro. Apresentaremos denúncia ao conselho de ética!“, disse a deputada federal Natália Bonavides (PT-RN).
O senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP) disse que “esse comentário é nojento, covarde e asqueroso, o que reflete o que é essa família. Está chegando a hora de mandar esses bichos escrotos de volta para o esgoto“.
O deputado federal Ivan Valente (PSOL-SP) considera o comentáro de Eduardo Bolsonaro “repugnante” e acrescenta que “é absurdo” por exaltar “a tortura e a violência contra mulher sob o arbítrio ditatorial“.
Paulo Pimenta, deputado federal pelo PT-RS, postou o nome do terceiro filho do presidente como “Eduardo Canalha Covarde Imbecil Bolsonaro“ e acrescentou que “esse infeliz, debocha da dor de uma mulher que sofreu na ditaura, regime instalado por gente da laia do seu pai. O Brasil não merece essa família ordinária“.
A jornalista Juliana Dal Piva revela que “uma das descobertas que mais” a “chocou como jornalista foi ouvir do coronel Paulo Malhães sobre a cobra e os jacarés que usava para tortura. Mas muito pior que isso foi saber de suas vítimas. Entre elas, Míriam Leitão. Minha solidariedade a ela. Essa semana escrevi sobre como o deputado Eduardo Bolsonaro teve um comportamento bastante parecido com Daniel Silveira sem responder criminalmente por isso. Diante dessa defesa da tortura, eu pergunto de novo. Quando se ataca a democracia, a lei vale para todos ou só para alguns?“
