Plano arriscado de eleições antecipadas de Macron dá certo e após o anúncio dos resultados o Primeiro-Ministro Gabriel Attal renunciou ao cargo. Parisienses festejam nas ruas – ASSISTA
O Nova Frente Popular, bloco de esquerda, se consolidou como o maior do Parlamento da França, após os resultados do segundo turno das eleições legislativas, realizado neste domingo (7/7). A extrema direita liderada pelo RN (Reagrupamento Nacional), de Marine Le Pen e seu pretendente a primeiro-ministro, Jordan Bardella, ficou em terceiro lugar, atrás do bloco do presidente da República Francesa, Emmanuel Macron.
“Marine Le Pen acaba de perder as eleições francesas, pois a França irá agora descer ainda mais para um califado islâmico. Aproveite o seu país enquanto dura“, escreveu um perfil no X
Marine Le Pen just lost the French Election as France will now descend further into an Islamic Caliphate.
— Liz Churchill (@liz_churchill10) July 7, 2024
Enjoy your Country while it lasts. pic.twitter.com/6t3SCE4zDg
O líder francês convocou estas eleições legislativas antecipadas, de domingo passado (30/6) e hoje (7/7), depois que uma pesquisa de boca de urna mostrou que seu partido Renascimento seria derrotado pela oposição de extrema direita nas eleições parlamentares europeias. A estratégia foi considerada de alto risco. E ele teve que dissolver a Assembleia Nacional e deu certo.
A deputada federal Jandira Feghali (PCdoB RJ) disse no X: “A França disse hoje um grande NÃO ao racismo e à xenofobia da extrema-direita. A Nova Frente Popular, unida, salvou a democracia francesa e dará a maior parte dos assentos no parlamento para a esquerda. Uma vitória inspiradora para todos os democratas do mundo, apenas dois dias depois da vitória acachapante dos trabalhistas sobre os direitistas na Grã-Bretanha. Bons ventos antifascistas que sopram da Europa“.
A França disse hoje um grande NÃO ao racismo e à xenofobia da extrema-direita. A Nova Frente Popular, unida, salvou a democracia francesa e dará a maior parte dos assentos no parlamento para a esquerda. Uma vitória inspiradora para todos os democratas do mundo, apenas dois dias… pic.twitter.com/fABGasI6RW
— Jandira Feghali 🇧🇷🚩 (@jandira_feghali) July 7, 2024
A participação dos franceses neste pleito foi a mais alta registrada durante um segundo turno em mais de 40 anos, com 67%. Logo após o anúncio dos resultados, o primeiro ministro, Gabriel Attal, renunciou ao cargo.
Segundo as projeções do instituto Ifop, o Nova Frente Popular deve ter entre 180 e 205 cadeiras na Assembleia Nacional, enquanto a aliança Juntos, de Emmanuel Macron, terá entre 164 e 174 cadeiras, enquanto o RN de Le Pen terá ainda menos, terá entre 57 e 67 cadeiras, mas o número sobe para entre 130 e 145 membros do partido Republicanos seguiram pedido do presidente da sigla, Eric Ciotti, para unirem forças com a extrema direita.
“A força para mudar tudo!“, disse Jean-Luc Mélenchon, do partido A França Insubmissa, da coalizão de esquerda.
La force de tout changer !#ElectionsLegislatives2024 #VictoireNFP pic.twitter.com/BmYqmuN0ft
— Jean-Luc Mélenchon (@JLMelenchon) July 7, 2024
Jean-Luc Mélenchon, do partido A França Insubmissa, da coalizão de esquerda, saudou “a todos que aceitaram ser candidatos e retirar suas candidaturas e se mobilizaram porta a porta para conseguir arrancar um resultado que parecia ser impossível“. Ele acrescentou que “o RN está longe de ter a maioria absoluta“, o que “é um imenso alívio“.
Na fala, ele disse que Macron “tem o dever de chamar a Nova Frente Popular para governar“, e que o presidente deve “ou sair ou indicar um primeiro-ministro” do bloco.

Multidão na Praça da República, em Paris, comemora os resultados da eleição legislativa na França — Foto: Geoffroy VAN DER HASSELT / AFP

O presidente da França, Emmanuel Macron, sai de uma cabine de votação ara votar no segundo turno das eleições em uma seção eleitoral em Le Touquet, norte da França, em 7 de julho de 2024 — Foto: MOHAMMED BADRA/POOL/AFP
Artistas, jogadores de futebol e associações, entre outros, fizeram apelos prévios na França para impedir a vitória do RN. Logo após o anúncio das projeções neste domingo (7/7), houve comemorações em cidades ao redor da França. Em Paris, uma multidão se reuniu na Praça da República e entoou um canto que dizia que “todo mundo odeia Bardella“.

Apoiadores do A França Insubmissa em Lyon celebram resultados de eleição legislativa no país — Foto: JEFF PACHOUD / AFP
A França vive um momento crucial em sua história política, que poderá acelerar o fim do macronismo, ciclo que começou em 2017 com a ascensão do presidente. Seu mandato termina em 2027. Em comunicado, o Palácio do Eliseu afirmou que Macron aguardará a “estruturação” da nova Assembleia para “tomar as decisões necessárias”, e que não daria declarações neste domingo.

Primeiro-secretário do Partido Socialista, Olivier Faure, fala após anúncio de resultados das eleições na França — Foto: STEPHANE DE SAKUTIN / AFP
“A Nova Frente Popular deve assumir o comando desta nova página da nossa história“, declarou o líder do Partido Socialista, Olivier Faure, que rejeitou a formação de qualquer governo de coligação entre a esquerda e o bloco macronista, confirmando que a disputa pela definição do primeiro-ministro, ou pela manutenção de Attal, será ferrenha.
