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Esquema de desvio de joias por Bolsonaro pode ter valor ainda maior, mostra cálculo parcial feito por PF

    Jair Bolsonaro (PL) durante a abertura do Conservative Political Action Conference – Brasil, realizado entre 6 e 7 de julho, em Balneário CamboriúSC | Relatório da Polícia Federal diz que valores obtidos de vendas de joias “eram convertidos em dinheiro em espécie e ingressavam no patrimônio pessoal do ex-presidente da República, por meio de pessoas interpostas e sem utilizar o sistema bancário formal, com o objetivo de ocultar a origem, localização e propriedade dos valores” | Foto: Evaristo Sá/AFP

    Abotoaduras, anéis e rosários de dois kits de joias que teriam sido desviados, ainda não foram periciados pela corporação e as esculturas douradas de um barco e uma palmeira e o relógio Patek Philippe, recebidos por Bolsonaro em viagem ao Reino do Bahrein em 202, ainda não foram recuperados

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    A Polícia Federal calculou parcialmente que parte dos presentes recebidos por Jair Bolsonaro em viagens oficiais, desviados no esquema investigado, têm valor de mercado de mais de US$ 1,227 milhão, o equivalente a R$ 6,8 milhões, conforme a instituição detalhou no relatório enviado ao STF (Supremo Tribunal Federal), cujo sigilo foi retirado pelo ministro Alexandre de Moraes nesta segunda-feira (8/7).

    Abotoaduras, anéis e rosários de dois kits de joias que teriam sido desviados, ainda não foram periciados pela corporação e as esculturas douradas de um barco e uma palmeira e o relógio Patek Philippe, recebidos por Bolsonaro em viagem ao Reino do Bahrein em 202, ainda não foram recuperados.

    O relatório da PF originalmente apontou movimentação de R$ 25 milhões em bens pelo esquema, mas uma correção informada depois indicou que o valor é na verdade de R$ 6,8 milhões, mostra O Globo. As joias da marca Chopard, destinadas a Michelle Bolsonaro e interceptadas pela Receita Federal em 2021, foram avaliadas em US$ 1,015 milhão. O kit inclui um relógio, par de brincos, anel e colar prateado.

    Já o relógio Chopard do chamado kit ouro rosé, também recebido pela comitiva de Bento Albuquerque durante a visita oficial à Arábia Saudita, ultrapassa os US$ 100 mil. Trazida ilegalmente ao país, a peça passou despercebida e foi mantida em um cofre do Ministério de Minas e Energia até novembro de 2022. Procurada à época, a defesa não respondeu.

    O relógio foi transportado, posteriormente, em uma mala no avião presidencial, quando Bolsonaro viajava aos EUA antes da posse do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, segundo a PF. O kit Chopard chegou a ser submetido a um leilão no país, mas não foi arrematado. Ele foi devolvido pela defesa de Bolsonaro depois que o Tribunal de Contas da União (TCU) determinou a devolução de presentes recebidos pelo ex-presidente em viagens oficiais ao governo federal.

    Vendido nos EUA por Mauro Cid junto com o relógio Patek Philippe, segundo a apuração da PF, o relógio Rolex do chamado kit ouro branco, por sua vez, vale US$ 73,7 mil, de acordo com a perícia. O conjunto, que inclui uma caneta Chopard, avaliada em US$ 20 mil, e outras joias, foi recebido por Bolsonaro em viagem oficial a Doha, no Catar, e a Riade, na Arábia Saudita, em 2019.

    Antes de ser negociado, o relógio foi retirado pelo ex-ajudante de ordens do acervo presidencial. A peça foi recuperada nos EUA pelo advogado Frederick Wassef, após pedido do TCU para Bolsonaro devolver itens recebidos em função do cargo.

    Por fim, a perícia calculou que uma escultura de cavalo dourada, também interceptada pela Receita no aeroporto de Guarulhos em 2021, vale US$ 4.971,12. A peça desembarcou no país danificada.

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