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    Renascer dos escombros é possível? – O plano de US$ 70 bilhões para salvar Gaza a partir de 2026

     

    Entre hospitais de campanha e escolas de tenda, 2,4 milhões de pessoas lutam contra um retrocesso de 77 anos no desenvolvimento humano; conheça os detalhes da reconstrução e a atuação de brasileiros no enclave

    Mercado popular de Nuseirat, Faixa de Gaza

    Visão geral do movimentado mercado popular de Nuseirat, no centro da Faixa de Gaza, captura o dia a dia da população palestina em meio ao conflito prolongado na região, destacando a resiliência dos comércios locais que continuam funcionando como pontos essenciais para o convívio social | 29.10.2025 | Foto: Hassan Al-Jedi / divulgação conjunta Banco Mundial (World Bank), União Europeia (European Union) e Organização das Nações Unidas (United Nations)

    Faixa de Gaza (PS) · 26 de abril de 2026

    A Faixa de Gaza chega ao final de abril de 2026 sob um cessar-fogo frágil, marcado por violações pontuais e um enorme desafio humanitário.

    Enquanto a violência diminuiu desde outubro de 2025, o território enfrenta uma crise de proporções históricas: a avaliação conjunta da UE, ONU e Banco Mundial estima em US$ 71,4 bilhões o custo total de recuperação e reconstrução ao longo da próxima década, com US$ 26,3 bilhões necessários apenas nos primeiros 18 meses.

    O desenvolvimento humano retrocedeu cerca de 77 anos, e a economia contraiu 84%, segundo o RDNA (Rapid Damage and Needs Assessment) em conjunto com a UE-ONU-Banco Mundial, lançada em 20 de abril de 2026.

     
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    O custo humano permanece devastador. Até meados de abril de 2026, o Ministério da Saúde de Gaza e observadores internacionais registram mais de 72 mil palestinos mortos desde outubro de 2023, com cerca de 172 mil feridos, segundo o PNUD (Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento), o OCHA (Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários) e o Ministério da Saúde de Gaza.

    Desde o cessar-fogo, mais de 780 palestinos foram mortos em incidentes isolados.

    Quase 92% das unidades habitacionais foram danificadas ou destruídas, deixando a grande maioria da população — cerca de 2,3 milhões de pessoas — vivendo em tendas e abrigos improvisados em meio a escombros que mal começaram a ser removidos (apenas cerca de 0,5% do total).

    Na área da saúde, a situação é crítica.

    Dos 36 hospitais que existiam antes do conflito, apenas cerca de 19 funcionam de forma parcial, integrados a um total de aproximadamente 269 pontos de serviço de saúde operacionais (43% do total pré-guerra), a maioria com capacidade limitada e dependente de geradores e suprimentos intermitentes, conforme relatórios da OCHA e do MSF (Médicos Sem Fronteiras).

    Organizações como o MSF mantêm hospitais de campanha, especialmente em áreas como Deir al-Balah, para preencher lacunas deixadas por instalações como o Al-Shifa, que ainda requerem reformas profundas.

    A educação, um dos pilares históricos da sociedade palestina, opera em modo de emergência.

    Com centenas de escolas destruídas ou danificadas, o foco está em “espaços de aprendizagem temporários” instalados em tendas de alto desempenho por "parceiros" e pelo UNICEF (Fundo das Nações Unidas para a Infância) da ONU, entidade presente em mais de 190 países, focada em defender os direitos, saúde, educação e proteção de crianças e adolescentes.

    Milhares de crianças recebem aulas em condições precárias, com ênfase adicional em suporte psicossocial para uma geração marcada por anos de trauma.

    A presença brasileira em Gaza neste período é principalmente diplomática e humanitária indireta, principalmente via flotilhas ativistas (ex.: Global Sumud Flotilla).

    Diferente dos primeiros meses do conflito, quando o foco foi repatriação, em 2026 o Brasil não mantém equipes significativas de médicos ou engenheiros no enclave.

    A atuação ocorre via contribuições multilaterais, apoio político ao cessar-fogo e discussões sobre reconstrução com autoridades palestinas, sem presença operacional em larga escala no terreno.

    Economicamente, Gaza continua dependente de ajuda humanitária. Não há plena retomada de mercados ou bancos comerciais normais; as transações dependem de transferências digitais e auxílios da UNRWA (United Nations Relief and Works Agency for Palestine Refugees - Agência das Nações Unidas de Assistência aos Refugiados da Palestina no Oriente Próximo).

    A entrada de mercadorias via caminhões oscila, com gargalos frequentes em Kerem Shalom e outros pontos, insuficiente para as necessidades de uma população em situação de vulnerabilidade extrema.

    O setor de energia e infraestrutura básica permanece colapsado. A rede elétrica está amplamente destruída, forçando dependência de geradores e iniciativas pontuais de energia solar emergencial, segundo RDNA (Rapid Damage and Needs Assessment [Avaliação Rápida de Danos e Necessidades]), a ONU, a UE e o Banco Mundial) e PNUD (Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (UNDP)).

    A remoção de escombros — estimada em dezenas de milhões de toneladas — avança lentamente, limitando qualquer reconstrução física significativa.

    A situação de direitos humanos e segurança alimentar continua preocupante. Relatórios da Anistia Internacional e OCHA destacam insegurança alimentar persistente, riscos de doenças infecciosas e restrições de mobilidade.

    A governança é gerida por uma autoridade de transição complexa, com o Board of Peace (conselho internacional) supervisionando distribuição de recursos em meio a fragilidades políticas.

    O Board of Peace é uma organização internacional, liderada pelos EUA e estabelecida em janeiro de 2026, focada na reconstrução de Gaza e na promoção da estabilidade, ironicamente proposta por Donald Trump.

    A entidade funciona (?) como uma coalizão seletiva, atuando sob a Resolução 2803 do Conselho de Segurança da ONU para gerir a paz e a reconstrução após o conflito.

    O Board of Peace acumula críticas intensas e enfrenta problemas graves de financiamento, legitimidade e implementação prática.

    Criado pela Resolução 2803 do Conselho de Segurança da ONU, em novembro de 2025, para supervisionar o cessar-fogo em Gaza e a fase de reconstrução, o Board of Peace é presidido vitaliciamente por Donald Trump.

    A reunião inaugural foi realizada em fevereiro de 2026, em Washington, com promessas de bilhões em doações (cerca de US$ 7-17 bilhões anunciados por membros como Emirados Árabes, Arábia Saudita, Qatar e EUA), segundo reportou a agência Reuters.

    No terreno, o progresso é limitado: apenas uma fração mínima dos fundos prometidos foi efetivamente desembolsada (menos de US$ 1 bilhão até abril, segundo fontes diplomáticas).

    A remoção de escombros, reconstrução e governança transitória avançam lentamente.

    Há tentativas de pressionar o desarmamento do Hamas e coordenar com empresas como a DP World (Emirados) para logística, mas o comitê técnico palestino (National Committee for the Administration of Gaza) opera com autoridade reduzida, segundo o Al Jazeera.

    O Hamas continua ativo na Faixa de Gaza, embora com capacidade militar reduzida em comparação com o período pré-guerra e sob forte pressão do cessar-fogo, do Board of Peace de Trump e de Israel. O grupo mantém presença significativa no território, controla partes importantes — especialmente no norte e em áreas urbanas —, recruta novos membros e atua tanto militarmente, com ações de guerrilha e lançamento de foguetes, quanto politicamente e administrativamente, por meio de polícia, serviços de saúde e educação.

    As estimativas de força convergem em torno de 20.000 combatentes no braço militar, as Brigadas Izz al-Din al-Qassam. Segundo inteligência israelense e fontes ocidentais atualizadas em 2026, cerca de 20 mil fighters permanecem ativos, muitos deles recrutas jovens e menos experientes.

    O National Counterterrorism Center dos EUA confirma o mesmo patamar desde o início do cessar-fogo. Avaliações da Reuters e do Jerusalem Post indicam que o Hamas repôs as perdas estimadas em 17 mil a 23 mil mortos com 10 mil a 15 mil novos recrutas. Além dos combatentes armados, o grupo ainda conta com dezenas de milhares de funcionários civis — policiais, professores, médicos e burocratas — que operam em Gaza mesmo sob a autoridade de transição do National Committee for the Administration of Gaza.

    O Hamas resiste ao desarmamento exigido pelo Board of Peace, condicionando-o à retirada completa de Israel e ao avanço rumo a um Estado palestino. Apesar das perdas de líderes como Yahya Sinwar e Muhammad Deif, o grupo mantém capacidade residual para lançar foguetes e realizar ações de guerrilha, permanecendo a força mais poderosa entre os palestinos em Gaza, segundo análises de inteligência ocidental. A situação segue fluida e depende diretamente das negociações sobre desarmamento e reconstrução.

    O Hamas é sustentado por uma rede diversificada e complexa de financiamento. Segundo o U.S. State Department e analistas especializados, o Irã continua sendo o principal patrocinador estatal, enviando entre US$ 70 milhões e US$ 250 milhões por ano em dinheiro, armas, treinamento e mísseis. A principal fonte interna, de acordo com relatórios da Reuters e do Atlantic Council, vem do controle do território, com arrecadação estimada entre US$ 300 milhões e US$ 620 milhões anuais por meio de impostos sobre mercadorias, túneis, passagens de Rafah e Kerem Shalom, além do desvio de parte da ajuda humanitária.

    O Catar historicamente contribuiu com até US$ 30 milhões mensais, oficialmente destinados a salários e assistência, conforme registros anteriores aprovados por Israel. Outras fontes incluem doações via “charities” de fachada, expatriados palestinos, redes na Europa, Turquia e Golfo, além de operações com criptomoedas e facilitadores em países como Argélia, Sudão e Malásia, de acordo com o U.S. Treasury e TRM Labs.

    Antes de outubro de 2023, o orçamento anual do Hamas superava US$ 1 bilhão, segundo estimativas consolidadas de inteligência. Mesmo após perdas significativas, o grupo reconstruiu parte de sua capacidade financeira.

    A população de Gaza nutre sentimentos complexos e ambivalentes em relação ao Hamas, conforme sucessivas pesquisas do Palestinian Center for Policy and Survey Research (PCPSR), principal instituto de sondagens palestino. Antes de 7 de outubro de 2023, o apoio ao Hamas era moderado e vinha diminuindo. O grupo oscilava entre 30% e 35% de intenção de voto em Gaza, com boa parte da população criticando a governança por corrupção, autoritarismo e má administração econômica, embora valorizasse sua postura de resistência e os serviços sociais prestados.

    Após o ataque de 7 de outubro, houve um aumento inicial de apoio, que chegou a superar 40% em Gaza. No entanto, com o prolongamento do conflito e o elevado custo humano e material, esse apoio recuou. Pesquisas mais recentes do PCPSR (2025-2026) mostram que a satisfação com o desempenho do Hamas em Gaza está em torno de 51%, enquanto a intenção de voto varia entre 33% e 41%. O apoio ao ataque de 7 de outubro também caiu de forma expressiva, refletindo o cansaço da população com a destruição e as dificuldades atuais.

    Atualmente, os gazenses mantêm respeito simbólico pelo Hamas como representante da resistência palestina, especialmente entre os mais jovens e setores islamistas. Ao mesmo tempo, cresce o desejo por estabilidade, reconstrução e uma governança mais eficaz, com parcela significativa da população aberta a alternativas ou até a uma administração técnica.

    O grupo ainda conta com apoio para resistir ao desarmamento completo — visto por muitos como perda de alavanca frente a Israel —, mas o sentimento predominante é de pragmatismo: valorização da postura firme combinada com forte aspiração por melhora nas condições de vida e perspectivas futuras. A situação permanece fluida e sensível à evolução do cessar-fogo, da reconstrução e das negociações políticas em curso.

    Em abril de 2026, o Board of Peace exige o corte total desses fluxos que capitalizam o Hamas como condição para a reconstrução, mas o grupo segue recebendo apoio iraniano e operando redes alternativas, apesar das sanções americanas e israelenses, que têm impacto apenas parcial, conforme relatórios da Reuters e do Atlantic Council.

    As principais críticas ao Board of Peace de Trump são a falta de fundos e paralisia — muitos países não cumpriram as promessas, agravado por escaladas regionais (como tensões com o Irã).

    A reconstrução de Gaza, estimada em US$ 70-71 bilhões, está estagnada, diz a Reuters; ainda há a questão da legitimidade e colonialismo — especialistas da ONU e analistas acusam o Board de ser “ilegal e ilegítimo”, uma manobra que ignora o direito à autodeterminação palestina, contorna resoluções da ONU e lembra estruturas coloniais.

    Países europeus e outros aliados tradicionais dos EUA recusaram participação.

    Outra crítica diz respeito à concentração de poder — Trump controla finanças e decisões; o estatuto ampliou o mandato para além de Gaza, transformando-o em uma espécie de “ONU alternativa”.

    Ausência de representação palestina efetiva e inclusão de atores pró-Israel geram desconfiança, diz o Al Jazeera; finalmente, a questão da ineficácia prática é tema de críticos, que o chamam de “show”, “farsa” ou “monumento a Trump”, com pouco impacto real na ajuda humanitária ou estabilidade.

    Violências pontuais persistem em Gaza.

    Assim, a ideia de Trump foi para o papel e realiza reuniões diplomáticas, mas na prática está longe de entregar reconstrução ou governança estável.

    As críticas predominam entre observadores internacionais, ONU e analistas, que questionam sua sustentabilidade e alinhamento com o direito internacional.

    A situação continua fluida e dependente de desenvolvimentos regionais.

    Conclusivamente, o futuro de Gaza é de sobrevivência e planejamento inicial, não de renascimento.

    O “deserto de escombros” ainda domina o cenário, com esforços concentrados em assistência humanitária e estabilização, enquanto a reconstrução física mal decola.

    A comunidade internacional, incluindo o Brasil por via diplomática, permanece essencial para evitar colapso maior neste enclave que luta para se reerguer.



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