Investigação sigilosa mira órgãos federais em meio a apurações financeiras, revelando possíveis violações que abalam a cúpula do Judiciário e expõem fragilidades no sistema de proteção de informações confidenciais
O ministro Alexandre de Moraes, do STF, abriu inquérito sigiloso para investigar se Receita Federal e Coaf quebraram irregularmente sigilo fiscal de ministros e familiares, em meio ao caso Banco Master. Apuração abrange todos os magistrados, com foco em acessos indevidos. Receita questiona ação, alegando ausência de dados privados. Decisão tomada em 12/jan durante plantão judiciário.
Brasília (DF) · 15 de janeiro de 2026
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou a abertura de um inquérito sigiloso para escrutinar se a Receita Federal e o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) cometeram irregularidades ao acessar e possivelmente vazar dados fiscais de ministros da Corte e seus familiares.
A decisão, tomada de ofício durante o plantão judiciário iniciado em 12 de janeiro, surge em contexto de tensão exacerbada pelas investigações em torno do Banco Master, cuja liquidação extrajudicial tem gerado controvérsias sobre contratos e investimentos.
A apuração, confirmada por veículos como o Estadão e o Poder360, visa identificar acessos indevidos a informações protegidas por sigilo, com registros de consultas que ficam gravados nos sistemas dos órgãos.
Pelo menos dois magistrados – incluindo o próprio Moraes e Dias Toffoli, segundo relatos – teriam sido afetados diretamente, embora o escopo da investigação abranja todos os 11 ministros e seus parentes, ampliando o raio de ação para uma análise abrangente de potenciais violações.
Interlocutores da Receita Federal questionam a pertinência do inquérito, argumentando que o órgão não detém dados sobre contratos privados e que qualquer acesso sem procedimento fiscal formal pode resultar em demissão.
“O acesso a informações sigilosas sem procedimento fiscal aberto é uma prática sujeita a pena de demissão“, destacou fonte próxima ao fisco em declaração exclusiva ao jornal paulista. Já o Coaf, subordinado à Polícia Federal, foi igualmente notificado para prestar esclarecimentos sobre quem consultou os dados e em que circunstâncias.
O episódio ganha contornos ainda mais intrincados ao se conectar com o caso do Banco Master, onde reportagens recentes expuseram contratos milionários envolvendo familiares de ministros. Por exemplo, o Poder360 revelou que a violação poderia ter atingido ao menos dois ministros, estendendo suspeitas a todos, em um contexto de disputas entre STF, Tribunal de Contas da União (TCU) e Banco Central.
Essa interseccionalidade sugere não apenas uma falha técnica, mas uma possível orquestração que compromete a integridade institucional. A Polícia Federal conduzirá as diligências, com foco em rastrear trilhas digitais que possam apontar para responsáveis por eventuais quebras de confidencialidade.
Analistas jurídicos veem nessa iniciativa um precedente vigoroso para salvaguardar a privacidade de autoridades, mas também um risco de escalada em atritos entre poderes. Enquanto o inquérito avança sob sigilo, o episódio sublinha vulnerabilidades sistêmicas no manejo de dados sensíveis, ecoando casos históricos como o vazamento envolvendo o ministro Gilmar Mendes e o caseiro Francenildo dos Santos Costa em 2006.
Essa nova frente investigativa não só reforça o papel de Moraes como guardião da ordem judicial, mas também projeta sombras sobre a transparência governamental, demandando respostas céleres para restaurar a credibilidade das instituições.

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