Denúncia de youtuber sobre exploração de menores em redes sociais gera comoção, suspende perfis e mobiliza o Congresso Nacional, que pode criar a Lei FELCA (Frente de Enfrentamento Legal à Adultização de Crianças e Adolescentes)
São Paulo, 11 de agosto de 2025
Um vídeo de 50 minutos publicado pelo youtuber Felipe Bressanim Pereira, conhecido como Felca, desencadeou uma onda de debates, investigações e ações legislativas no Brasil.
Com mais de 27 milhões de visualizações no YouTube, o conteúdo intitulado “Adultização” expôs casos de exploração e sexualização de menores em redes sociais, apontando influenciadores e canais que lucram com a exposição inadequada de crianças e adolescentes.
A denúncia, que viralizou em poucos dias, chegou ao plenário da Câmara dos Deputados, mobilizou políticos de diferentes espectros ideológicos e levantou questões urgentes sobre a proteção de menores no ambiente digital.
O que é adultização infantil?
O termo adultização infantil, destacado no vídeo de Felca, refere-se à prática de expor crianças a comportamentos, responsabilidades ou estéticas típicas de adultos, como danças sensuais, roupas inadequadas para a idade ou discussões sobre temas adultos.
Segundo o Instituto Alana, organização voltada à proteção de crianças e adolescentes, essa prática pode comprometer o desenvolvimento emocional e psicológico dos menores, além de facilitar crimes como a exploração sexual.
A denúncia que chocou o Brasil
Felca, um paranaense de Londrina com 5,42 milhões de inscritos no YouTube e 14,5 milhões de seguidores no Instagram, publicou o vídeo no dia 6 de agosto.
Nele, ele detalha casos de influenciadores que utilizam menores em conteúdos com conotação sensual ou adulta.
Um dos principais alvos foi Hytalo Santos, influenciador de Bayeux, Paraíba, que grava vídeos com adolescentes em situações sugestivas, como danças sensuais e discussões sobre relacionamentos.
Hytalo, que possui mais de 20 milhões de seguidores, já é investigado pelo Ministério Público da Paraíba (MPPB) desde 2024 por suspeita de aliciamento de menores.
Após a denúncia, suas contas no Instagram foram suspensas.
Além de Hytalo, Felca citou os canais Bel para Meninas e Caroliny Dreher, que também enfrentam investigações.
O canal Bel para Meninas está sob uma ação civil pública em segredo de justiça, enquanto Caroliny Dreher, que produz conteúdo desde a infância, é alvo de apurações sobre a responsabilidade de sua mãe na criação de vídeos sexualizados.
Felca também destacou como os algoritmos das redes sociais amplificam esse tipo de conteúdo, facilitando a comunicação entre abusadores e atraindo um público com comportamento pedófilo.
Ele pediu uma mobilização popular para pressionar plataformas a removerem e desmonetizarem esses conteúdos.
Repercussão e impacto social
O vídeo não apenas gerou comoção pública, com mais de 200 mil comentários elogiando a iniciativa de Felca, mas também mobilizou ações concretas.
O youtuber anunciou uma campanha para arrecadar doações para instituições que combatem a exploração infantil, reforçando seu compromisso com a causa.
No entanto, a exposição trouxe riscos: Felca revelou ao Estadão que passou a andar com carro blindado e seguranças após receber ameaças devido às denúncias.
A repercussão uniu políticos de espectros opostos. Nikolas Ferreira (PL-MG), da direita, afirmou que Felca “mexeu no vespeiro”, enquanto Erika Hilton (PSOL-SP), da esquerda, elogiou sua postura cidadã.
Até o Advogado-Geral da União, Jorge Messias, defendeu a regulamentação das plataformas digitais, criticando algoritmos que promovem conteúdos criminosos.
Ação legislativa: a “Lei Felca” e outros projetos
A denúncia de Felca impulsionou a Câmara dos Deputados a agir rapidamente.
O presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB), anunciou no dia 10 de agosto que pautará projetos de lei sobre a proteção de crianças e adolescentes nas redes sociais.
Sete propostas foram protocoladas em 2025, abordando desde a criminalização da adultização até medidas preventivas, como o bloqueio de algoritmos que promovem conteúdos inadequados.
Entre os projetos, destaca-se o PL 3852/2025, de autoria de Marx Beltrão (PP-AL), que institui a “Lei Felca”, propondo punições para responsáveis e plataformas que promovam a sexualização infantil.
Outro projeto, o PL 3856/2025, de Cleber Verde (MDB-MA), altera o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) para reconhecer a adultização como violência psicológica.
No âmbito estadual, o deputado Sargento Reginauro (União Brasil), do Ceará, protocolou na Assembleia Legislativa do Ceará um projeto chamado Frente de Enfrentamento Legal à Adultização de Crianças e Adolescentes (Felca), com diretrizes para prevenir e punir a prática.
Além disso, deputados como Maurício Carvalho (UNIÃO-RO) e Túlio Gadêlha (REDE-PE) solicitaram audiências públicas para discutir o tema com especialistas e plataformas digitais. Capitão Alden (PL-BA) propôs uma moção de aplauso a Felca pelos “relevantes serviços prestados à sociedade”.
Contexto social e investigações
O caso de Hytalo Santos ganhou destaque por ocorrer em Bayeux, uma cidade com 23 favelas e altos índices de vulnerabilidade social, onde 16 mil famílias dependem do Bolsa Família.
A denúncia de Felca apontou que muitos menores “recrutados” por Hytalo vêm de comunidades carentes, o que levanta questões sobre exploração em contextos de pobreza.
Paralelamente, a Polícia Civil de São Paulo deflagrou a operação NIX – Oculus Legis, que prendeu dois adultos e emitiu mandados de internação para adolescentes envolvidos na venda de pornografia infantil online.
A ação, que também alcançou Pernambuco, Paraíba e Paraná, reforça a gravidade do problema apontado por Felca.
O que diz a legislação atual?
Embora a adultização não seja tipificada como crime, o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) assegura a proteção integral de menores, vedando negligência, exploração ou exposição a constrangimentos.
O Marco Civil da Internet também estabelece a responsabilidade das plataformas por conteúdos que violem a intimidade, enquanto o Código de Defesa do Consumidor reforça a proteção à saúde e segurança dos usuários.
Especialistas, como João Francisco Coelho, do Instituto Alana, defendem que as plataformas devem incorporar os direitos das crianças em seus algoritmos, com maior transparência e moderação de conteúdo.
Reações e polêmicas
A denúncia de Felca também gerou controvérsias. Rodrigo Constantino, comentarista bolsonarista, chamou o vídeo de “pegadinha” e acusou a esquerda de minimizar o problema, sem apresentar provas.
Por outro lado, a ex-ministra Cristiane Britto anunciou que apresentará no Senado um projeto inspirado na “Lei Felca”, visando endurecer penas para a erotização infantil.
Felca foi convidado pela Câmara dos Deputados para falar sobre o tema, reforçando sua influência na agenda pública.
A ministra Gleisi Hoffmann, responsável pelas relações com o Legislativo, defendeu a responsabilização das plataformas, chamando a internet de “terra sem lei” para criminosos.
Um divisor de águas
O vídeo de Felca não apenas expôs um problema grave, mas também demonstrou o poder das redes sociais em pautar o debate público.
Com uma mobilização que transcendeu ideologias, a denúncia colocou a proteção de crianças no centro da agenda nacional.
A expectativa agora é que os projetos de lei avancem rapidamente, com possíveis audiências públicas e a aprovação de medidas que garantam um ambiente digital mais seguro para os menores.
Enquanto Felca enfrenta ameaças e reforça sua segurança, sua coragem em “mergulhar no lamaçal” já resultou em investigações, suspensões de perfis e uma promessa de mudança legislativa.
O Brasil assiste a um momento histórico, em que a voz de um youtuber pode transformar a proteção de suas crianças.









Que o estado e as instituições públicas constituídas protejam a integridade física de Felca que está recebendo graves ameaças. Que a policia federal abra inquérito para por na cadeia a organização criminosa que tentam calar Felca.
E os progressistas no Congresso estão à reboque de iniciativas legais propostas pela ala conservadora. Vejam se ainda dá tempo pra surfar e aprovar proposituras Legislativas para regulação das mídias sociais!
Parabéns Felca! Seu trabalho certamente produzirá grandes avanços pró segurança de crianças vulneráveis e levantará outras discussões importantes!
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