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Erfan Soltani seria executado nesta quarta, mas em Teerã já é quinta (15) desde 18:30 de Brasília – O QUE ACOTECEU?

    “Não sei se ele está vivo ou morto”, disse uma parente; algo impediu a sentença fatal? adiamento desafia o governo do país persa e agita a diplomacia mundial

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    Erfan Soltani
    Erfan Soltani em imagens reproduzidas no jornal inglês The Guardian
    RESUMO

    A execução de Erfan Soltani, condenado à morte por protestos no Irã, não foi confirmada após o prazo de 14/jan expirar. Pressão internacional, incluindo de Donald Trump e ONU, pode ter suspendido a sentença. Família relata incerteza agonizante; organizações como Hengaw e HRANA alertam para risco contínuo. Protestos desde 28/dez resultaram em milhares de prisões e mortes. Soltani simboliza resistência em regime opaco.


    Brasília (DF) · 14 de janeiro de 2026

    O caso de Erfan Soltani, um jovem de 26 anos condenado à morte no Irã, encapsula a volatilidade do sistema judiciário do regime. Preso em 8 de janeiro durante manifestações em Karaj, cidade nos arredores de Teerã, Soltani enfrentou um julgamento sumário que durou meros minutos, sem direito a defesa legal ou advogado, sob a acusação de “guerra contra Deus” (moharebeh).

    A sentença, emitida apenas quatro dias após sua detenção, previa a execução por enforcamento ao amanhecer desta quarta-feira (14/jan), horário habitual para tais procedimentos no país. Contudo, com o prazo expirado e já nas primeiras horas de quinta-feira (15/jan) em Teerã (desde as 18h30 de Brasília) –, nenhuma confirmação oficial emergiu das autoridades iranianas.

    Relatos indicam uma possível suspensão ou adiamento, impulsionados por uma avalanche de pressão internacional. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou na tarde de hoje que fontes o informaram sobre a interrupção de execuções iminentes no Irã, sugerindo que as mortes relacionadas aos protestos estariam cessando.

    Organizações de direitos humanos, como a Organização Hengaw para os Direitos Humanos (sediada na Noruega) e a Human Rights Activists News Agency (HRANA, baseada nos EUA), alertam para a opacidade do processo. A Hengaw confirmou que Soltani não foi executado na data prevista, embora permaneça no corredor da morte, vulnerável a uma execução repentina.

    A HRANA reporta mais de 18 mil prisões e ao menos 2.571 mortes desde o início dos protestos em 28 de dezembro, desencadeados por uma colapso abrupto da moeda nacional e evoluindo para demandas por reformas políticas profundas. A Anistia Internacional intensificou apelos para a suspensão de todas as execuções, expressando receios de que o regime recorra a “julgamentos sumários e execuções arbitrárias para esmagar a dissidência“.

    O chefe do Supremo Tribunal do Irã reforçou essa postura em declaração à mídia estatal nesta quarta (14/jan), afirmando que tais medidas seriam implementadas “agora” para dissuadir manifestantes, rotulando-os como “inimigos de Deus“. A família de Soltani, em agonia pela incerteza, relata escassas atualizações desde uma breve visita pré-execução.

    Somayeh, uma parente de 45 anos residente no exterior, compartilhou com o The Guardian: “Não sei se ele está vivo ou morto. Falei com a família dele ontem e tudo o que sei é que eles estavam tentando visitá-lo na prisão. Não durmo há dois dias”. Ela descreveu a vigília ansiosa até o amanhecer, sem anúncios oficiais, e lamentou: “Não consigo parar de pensar em Erfan. A incerteza está me matando”. Acrescentou, em tom de desespero: “Como alguém pode ter coragem de colocar uma corda no pescoço de uma criança tão bondosa e mandá-la para a morte?”.

    Soltani, funcionário de uma loja de roupas em Karaj, emergiu como símbolo de resistência. Apaixonado por moda, fitness e torcedor do Persepolis FC, ele foi retratado pela família como “o irmão mais amoroso” e “o melhor amigo de sua mãe“. Somayeh enfatizou sua inocência: “Nosso Erfan é um garoto inocente que queria exercer seus direitos pacificamente. Foi só isso que ele fez. Juntou-se a seus compatriotas para protestar pacificamente”.

    Ela apelou ao mundo: “Ele é alguém muito querido para mim, uma criança corajosa, uma criança que jamais recorreria à violência, uma alma incrivelmente calma e maravilhosa que significa mais para mim do que posso expressar em palavras. Por favor, mundo, ajude a salvar nosso filho”.

    O bloqueio à internet no Irã obscurece casos semelhantes, mas ativistas temem uma escalada. No ano anterior, o Irã executou pelo menos 1.500 pessoas, conforme a Iran Human Rights (também na Noruega). A intervenção da ONU e de potências ocidentais pode ter postergado o inevitável, mas a ameaça persiste em um regime conhecido por sua intransigência.

    Essa narrativa sublinha a precariedade dos direitos humanos em contextos de turbulência política enquanto o mundo observa o destino de Soltani – um equilíbrio frágil entre repressão interna e escrutínio global.

    Retrato de Alexandr Wang discutindo o futuro da colaboração homem-IA, capturado por Ethan Pines para Forbes.



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