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Enquanto Derrite for secretário “não vai dar em nada” e vai ficar “pior”, dizem policiais sobre violência pós-Tarcísio

    Bolsonaro, Tarcísio e Derrite 2.6.2023/Folhapress

    Entrevistados dizem que declarações do ex-ROTA desligado por excesso de mortes prejudicaram disciplina da PM que era exemplar antes do governo atual e que tropa desconhece repercussão porque só se informa em canais da extrema direita

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    A crise de segurança no estado de São Paulo, com recorrentes casos de violência praticada por policiais militares, é consequência direta da escolha do capitão reformado Guilherme Derrite para o comando da Secretaria da Segurança, avaliam seis de oito integrantes Polícia Militar, da ativa ou inatividade, entre praças e oficiais.

    Os agentes apontaram a nomeação do secretário e as declarações feitas por ele como uma espécie de salvo-conduto para, principalmente, uso de armas nas ocorrências que PMs se sentirem ameaçados, o que deixa a tropa com uma sensação de que as eventuais investigações sobre episódios de violência “não vai dar nada“, enquanto Derrite estiver à frente da Secretaria.

    O número 1 da Segurança de São Paulo é capitão reformado que foi desligado da tropa de elite da PM, a ROTA (Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar) por excesso de mortes: “A real? Porque eu matei muito ladrão“, disse Derrite em entrevista a um Podcast, conforme transcreve a Folha de S. Paulo, sobre os motivos que levaram o então tenente a ser transferido de unidade.

    Segundo a matéria, uma frase de Derrite é considerada um marco nesse movimento de novos tempo da PM: “Nenhum policial que sai de casa para defender a sociedade será injustiçado. Confrontos sempre serão apurados, mas ninguém será afastado no caso da abordagem da ROTA que evitou um assalto no semáforo. Até que se prove o contrário, a ação ocorreu dentro da lei“.

    Derrite fez as declarações durante uma ação letal da ROTA, no início do ano passado, quando o secretário indicou que nenhum policial envolvido em MDIP (morte decorrente de intervenção policial) seria afastado das funções.

    Hoje, na prática PMs que causam MDIP ficam apenas um dia longe das ruas e voltam logo ao trabalho, disseram os policias entrevistados pelo jornal, que lembra: “antes da gestão Tarcísio de Freitas, além dos afastamento das ruas, que duravam em média três meses, a PM costumava transferir de batalhão os policiais envolvidos em ocorrências com suspeitas de irregularidade“, o que “”não tem mais acontecido“, com “exceção dos policiais da escolta do delator do PCC morto no aeroporto de Guarulhos“.

    Os policiais acrescentam que ocorreu redução no rigor de apurações e até a falta de acompanhamento da Corregedoria nos locais com MDIP. Segundo o texto, um coronel da ativa disse que parte da tropa não tem noção da crise em que a corporação está porque só se informa por canais ligados à extrema direita. Nessa “bolha“, todas as ações violentas da PM são aceitas com passividade e até elogiadas.

    Os entrevistados foram unânimes sobre um futuro ainda pior para a corporação, com perda de controle total do comando sobre a tropa que, até o início da gestão Tarcísio, era considerada exemplar.

    Segundo o jornal, o comandante-geral da PM, coronel Cássio Araújo de Freitas, afirma que não houve alteração nas diretrizes da corporação, apesar de considerar que o caso do homem atirado da ponte “foi uma ação individual” e “não vai ter o abrigo da nossa análise administrativa“.

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