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Empresária é acusada de racismo por estampa de camisa ‘Não se contamine!’, criada para ilustrar Daniel 11:21

    Imagem de duas mãos em que a de cor escura contamina a de cor clara está sendo “interpretada de forma diferente da intenção original“, afirmou a marca em um pedido de desculpas – Ideia seria metáfora da contaminação espiritual

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    Entidades pela igualdade racial em Petrópolis (RJ) protestaram contra uma camisa com duas mãos de cores diferentes e a frase “Não se contamine!“, que inclui um versículo bíblico. A roupa é da marca cristã de Brenda Sá, que, em vídeo, aparece com seu noivo indo à igreja. Após a publicação, internautas criticaram a estampa, considerando-a racista.

    Estampa de roupa causou repúdio de entidades em Petrópolis, que disseram que ilustração e frase tem conotação racista — Foto: Reprodução redes sociais

    Estampa de roupa causou repúdio de entidades em Petrópolis, que disseram que ilustração e frase tem conotação racista — Foto: Reprodução redes sociais

    O Conselho Municipal de Promoção da Igualdade Racial de Petrópolis recebeu denúncias e, em reunião na terça-feira (26/11), votou uma nota de repúdio contra a marca Criações Gêneses, afirmando que sua representação é inaceitável e constitui um ato de racismo, ofendendo os princípios de dignidade e igualdade da sociedade.

    O coletivo de educadores voluntários, o Educafro, que atua na inclusão da população negra nas universidades, manifestou indignação com o ato.

    Nosso coletivo de educação popular faz parte dos movimentos negros em Petrópolis, que lutam diariamente contra o racismo estrutural, sendo assim, vem a público manifestar sua máxima indignação com mais um ato racista que vivenciamos na cidade de Petrópolis. Dessa vez, praticado por uma marca de roupas, Gênesis, que exibe como estampa de uma camiseta a frase “Não se contamine!” junto à ilustração de uma mão de cor escura tocando uma mão branca que se contamina, em uma evidente associação racista que sugere a transmissão de sujeira ou contaminação pela cor“, diz um trecho da nota, segundo o g1.

    A Comissão de Igualdade Racial e a Comissão de Direitos Humanos da 3ª subseção da OAB, que atua em Petrópolis e São José do Vale do Rio Preto, também manifestaram repúdio:

    Tal mensagem é claramente ofensiva e discriminatória, perpetuando o racismo estrutural que tanto combatemos em nossa sociedade. A associação entre a cor da pele e a ideia de contaminação é uma afronta direta aos direitos humanos e um insulto à luta histórica e contínua pela igualdade racial. Em pleno século XXI, é inaceitável que ações publicitárias de cunho racista ainda encontrem espaço para circulação, seja por ignorância, descuido ou intencionalidade. A responsabilidade social de qualquer empresa inclui o compromisso de respeitar a dignidade humana e promover a inclusão, e não o oposto“.

    As entidades exigem a retirada imediata da propaganda, um pedido público de desculpas da empresa, medidas contra práticas discriminatórias, treinamento em diversidade, e a investigação rigorosa pelo Ministério Público e pela Polícia Judiciária para apurar responsabilidades.

    A proprietária da marca enviou nota por meio do advogado Juarez Rodrigues Braga dizendo que a imagem seria de uma mão necrosada e que foi criada como uma metáfora da contaminação espiritual:

    A cor da mão necrosada não tinha a intenção de representar uma etnia específica, mas sim um estado de deterioração e impureza“, disse. Ela lamentou que a arte tenha sido interpretada de forma diferente da intenção original, e causado qualquer tipo de dor ou sofrimento.

    Segundo o o advogado, a camisa não será mais comercializada e a proprietária não pretende usar as redes sociais para falar do assunto. Ela diz que a arte, que utiliza a imagem de uma mão branca e uma mão necrosada, foi criada para ilustrar Daniel 11:21 como uma metáfora da contaminação espiritual, sem intenção de representar etnias.

    O que diz em Daniel 11:21?

    O homem vil é introduzido no relato com as seguintes palavras: Depois se levantará em seu lugar um homem vil, ao qual não tinham dado a majestade real; mas ele virá caladamente, e tomará o reino com lisonja (v. 21).

    Brenda Sá disse ainda que ficou triste com a interpretação errônea que causou ofensa, pois ela respeita todas as pessoas. Por fim, ela agradece a quem a ajudou a perceber essa falha na comunicação e lamentou qualquer dor causada, além de reafirmar que a arte deve fomentar reflexão e diálogo.

    Nas redes sociais, a marca Criações Gênesis postou uma nota de esclarecimento com pedido de desculpas e as providências tomadas, lamentando a repercussão negativa e reafirmando compromisso com valores de amor, igualdade e respeito. No texto, é destacado ações para providências, como a retirada da estampa, revisão do processo de criação e investimentos em treinamentos para a equipe.

    Por fim, a marca disse que o objetivo é refletir o amor de Cristo e unir as pessoas, e colocou o setor jurídico à disposição para esclarecimentos.

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