📷 Primeiro-ministro da Escócia John Swinney discursando em coletiva de imprensa após as eleições 2026 em Holyrood – área histórica e politicamente central de Edimburgo, a capital do país / Foto: David Young/ Press Association
| Paris (FR)
15 de junho de 2026
A agência francesa Viginum, responsável pela detecção de interferências digitais, acusou em quinta-feira (12/jun) a empresa israelense BlackCore de conduzir operações de interferência em eleições em pelo menos cinco países.
O caso ganhou destaque após a firma apagar toda sua presença online ao ser contatada por jornalistas.
De acordo com o relatório técnico divulgado pela Viginum e reportado pela Reuters, as operações utilizaram redes coordenadas de contas falsas, comentários automatizados e campanhas de difamação.
O método foi identificado inicialmente nas eleições municipais francesas de março de 2026, quando três candidatos da La France Insoumise em Marseille, Toulouse e Roubaix foram alvo de ataques online.
A análise da Viginum mostrou que o mesmo padrão se repetiu em outros locais.
Na Escócia, contas ligadas à BlackCore postaram cerca de 1.400 comentários coordenados entre janeiro e maio de 2026, mirando o primeiro-ministro John Swinney, o Partido Nacional Escocês (SNP) e o governo escocês.
Swinney, que criticou publicamente a situação em Gaza, foi o principal alvo, com 652 menções apenas em sua conta.
Operações semelhantes foram detectadas na eleição municipal de Nova York de 2025, vencida pelo candidato Zohran Mamdani, e em contextos eleitorais na Angola e no Togo.
O chefe da Viginum, Marc-Antoine Brillant, afirmou: “Este modus operandi não se limitou às eleições municipais na França. Ele também parece ter sido usado para realizar operações de interferência digital estrangeira em outros países ou regiões, como Angola, Togo, as eleições na Escócia e a eleição municipal de 2025 em Nova York.”
A BlackCore se apresentava como “empresa de elite de influência, cibersegurança e tecnologia” especializada em “guerra de informação” e “formatação de narrativas”.
Após contatos de veículos como Reuters e investigações conjuntas da Haaretz e Libération, o site da empresa foi retirado do ar.
O primeiro-ministro francês Sébastien Lecornu informou que a França solicitou explicações a Israel e pediu ajuda para identificar eventuais contratantes das operações.
A embaixada israelense em Paris negou qualquer intenção de interferir no processo político francês e afirmou que aguarda detalhes para investigação interna.
O caso lembra operações semelhantes reveladas em 2023 pela The Guardian, quando o grupo conhecido como Team Jorge, liderado por Tal Hanan, foi exposto por alegar manipulação de dezenas de eleições em todo o mundo.
JORGE / OPERAÇÃO COVERTE 2023
Interferências digitais privadas em processos eleitorais representam risco crescente à democracia.
Países afetados, como a Escócia e a França, já cobram maior cooperação internacional para proteger a soberania dos processos democráticos.
::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::
FAQ Rápido
O que é a BlackCore?
Empresa privada israelense que se apresentava como especializada em serviços de influência digital, cibersegurança e “guerra de informação” para governos e campanhas políticas.
Quais países foram citados pela Viginum?
França (eleições municipais de março de 2026), Escócia (eleições parlamentares de 2026), Nova York (eleição municipal de 2025), Angola e Togo.
A BlackCore confirmou ou negou as acusações?
A empresa não respondeu aos pedidos de comentário e removeu completamente sua presença na internet após ser contatada por jornalistas.
::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::
SIGA NAS REDES SOCIAIS

![]()
Compartilhe via botões abaixo:
