“Chamo a segurança”, disse a ministra para não responder questionamento de Jamil Chade sobre conflito na Ucrânia
Em um discurso realizado nesta segunda-feira (28/2), na abertura do Conselho de Direitos Humanos da ONU, a ministra bolsonarista Damares Alves, da Família, Mulher e Direitos Humanos, fez campanha pró-Bolsonaro limitando-se a transformar sua participação numa apresentação de programas do governo e, ao final, o jornalista Jamil Chade, do UOL, questionou-a sobre sua avaliação da guerra na Ucrânia, mas ela indicou que não falaria com a reportagem. Ao ser questionada sobre o motivo, ela ameaçou: “chamo a segurança“.
De acordo com o texto do jornalista, publicado no portal em seguida, Damares não citou o conflito euroasiático de forma explícita e apenas insistiu que o presidente Jair Bolsonaro defende a paz “em todos os países do mundo“, ignorando, segundo as palavras de Chade, “o gesto de “arminha” do presidente e seu discurso de ódio“.
O comportamento da ministra no evento foi criticado pelo jornalista. Segundo ele, “Damares permaneceu por menos de duas horas na sala da ONU e sequer esteve presente quando a alta comissária de Direitos Humanos, Michelle Bachelet, e o secretário-geral das Nações Unidas, Antonio Guterres, tomaram a palavra“. Além disso, com exceção da bolsonarista, “dezenas de ministros tomaram a palavra antes e depois de Damares, com amplo foco na crise ucraniana“.
“Diante do Conselho, no lugar de debater a guerra, ela optou por apresentar uma lista de programas, medidas e iniciativas do governo no que se refere à pandemia, racismo, a defesa de medidas contra o aborto e a defesa das minorias, entre elas os indígenas“, relatou o jornalista.
Ela explicou “aos países as medidas sobre a transposição do Rio São Francisco, iluminação pública e projetos para defender a floresta, crianças e mulheres“, conta Jamil Chade. E também disse que “os mecanismos de combate à tortura no país estavam em funcionamento, ignorando o fato de que tal situação apenas ocorre por conta de liminares na Justiça“. O jornalista acrescenta que Damares “ainda destacou a aliança internacional que o Brasil lidera com mais 30 países e que determina que não “há no direito internacional qualquer respaldo para se valer do aborto para planejamento familiar”“. Chade disse que, por esse motivo, “a ministra é criticada pela sociedade civil“.
Segundo o jornalista do UOL, “o discurso de Damares deixou ativistas e ongs em choque“. Chade destacou as reações da diretora de programas da Conectas Direitos Humanos, Camila Asano, e do Coordenador do Movimento Nacional de Direitos Humanos, Paulo César Carbonari.
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