Naquele ano, o gal. Yai Golan comparou grupos judeus a nazistas, ao observar a radicalização da sociedade israelense em surtos de nacionalismo implacável, às vezes encorajado pelos próprios dirigentes políticos
Neste domingo (18/2), o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, reagiu duramente às declarações do Presidente da República Federativa do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), feitas na Etiópia, por ocasião de sua visita a Estados da África.
O estadista brasileiro demonstrou sua dor, preocupação e indignação com a morte de quase 30 mil palestinos, especialmente mulheres e crianças, no conflito que também deixou quase 70 mil feridos, desde 7 de outubro de 2023, conforme revelou a agência de notícias ‘AFP‘.
18/02/2024 09h08O Ministério da Saúde do Hamas anunciou neste domingo que 28.985 pessoas morreram na Faixa de Gaza desde o início da guerra entre Israel e o movimento islamista palestino.
Fonte: ‘UOL‘
O Ministério indicou que nas últimas 24 horas foram registadas 127 mortes e que, desde 7 de outubro, 68.883 pessoas ficaram feridas.
Netanyahu disse: “Hoje, o presidente do Brasil, ao comparar a guerra de Israel em Gaza contra o Hamas – uma organização terrorista e genocida – ao Holocausto, o presidente Da Silva desonrou a memória de 6 milhões de judeus assassinados pelos nazistas [Lula não fez isso]. E ele demonizou o estado judeu como o anti-semita mais virulento [Lula também não fez isso]. Ele deveria ter vergonha de si mesmo“.
Lula disse: “Quando eu vejo o mundo rico anunciar que está parando de dar a contribuição para a questão humanitária aos palestinos, eu fico imaginando qual é o tamanho da consciência política dessa gente? E qual é o tamanho do coração solidário dessa gente que não está vendo que na Faixa de Gaza não está acontecendo uma guerra, mas um genocídio? O que está acontecendo na Faixa de Gaza e com o povo palestino não existe em nenhum outro momento histórico. Aliás, existiu: quando o Hitler resolveu matar os judeus. Não é uma guerra entre soldados e soldados. É uma guerra entre um Exército altamente preparado e mulheres e crianças. Se teve algum erro nessa instituição [UNRWA] que recolhe o dinheiro, apura-se quem errou. Mas não suspenda a ajuda humanitária para o povo que tá há quantas décadas tentando construir o seu Estado. O Brasil condena o Hamas, mas o Brasil não pode deixar de condenar o que Israel está fazendo na Faixa de Gaza“.
Netanyahu disse ainda: “Você que muitas vezes falamos sobre a história do antissemitismo. E dizemos como poderiam essas mentiras terem sido levantadas contra o povo judeu, essas falsificações extraordinárias, esses ataques inacreditáveis que não têm bases em fatos. Como tantos podem acreditar neles? Mas é exatamente isso que está acontecendo hoje no caso de Israel“.
Após a polêmica, especialmente no Brasil, onde o oportunismo político impera nos debates públicos com alto grau de populismo nos discursos, o termo ‘LULA TEM RAZÃO‘ viralizou na plataforma de microblogging ‘X‘, se tornando um dos mais visíveis, e isso ocorre até agora.
Um fato interessante foi colhido das redes sociais, em meio às argumentações sobre a coragem do Presidente do Brasil ao expor suas preocupações com o extermínio no enclave israelense. Um perfil de poucos seguidores compartilhou um link de matéria replicada no ‘UOL‘ em 05/05/2016, feita originalmente pela agência de notícias ‘EFE‘.
Em 2016, um subchefe do exército de Israel advertiu sobre surtos de radicalização nazista no país. Naquele ano, o general Yai Golan comparou grupos judeus a nazistas, ao observar a radicalização da sociedade israelense em surtos de nacionalismo implacável, às vezes encorajado pelos próprios dirigentes políticos.
Leia:
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05/05/2016 10h43
O subchefe do exército de Israel, general Yair Golan, em um discurso que gerou polêmica no país, advertiu sobre possíveis focos de radicalização na sociedade israelense, que lembram “processos que se produziram na Europa em geral e na Alemanha em particular”.
“Se há algo que me assusta é a identificação entre nós – em 2016 – de aterrorizadores processos que se produziram na Europa em geral, e na Alemanha em particular, há 70, 80 e 90 anos”, disse o alto comando, em uma atípica comparação em Israel entre as atividades de grupos radicais judeus e os nazistas.
Em discurso ontem à noite no instituto Mesuá, dedicado à preservação da memória do Holocausto, o militar se referiu à radicalização nestes últimos anos da sociedade israelense e a surtos de um nacionalismo implacável, às vezes encorajado pelos próprios dirigentes políticos.
“O Holocausto, na minha opinião, deveria nos levar a uma profunda recapacitação sobre a natureza humana, sobre a responsabilidade dos líderes, sobre a qualidade da sociedade”, destacou durante o evento que também teve a participação do ministro da Educação, o nacionalista Naftali Bennett.
Israel celebra hoje o Dia do Holocausto, que lembra os seis milhões de judeus assassinados pelas nazistas, uma jornada de luto marcada desde ontem à noite por dezenas de atos oficiais e o soar das sirenes que paralisaram todo o país às 10h (4h em Brasília).
Em sua crítica à atitude de certos grupos e dirigentes políticos, o general Golan insistiu que “não há nada mais fácil e simples do que odiar o estranho, que se bestializar e (depois) se justificar, e não há nada mais fácil que instaurar o medo. É preciso fazer um exame de consciência”.
“No Dia do Holocausto devemos falar de nossa capacidade de extirpar de nós os focos de intolerância, os focos de violência, os focos que conduzem à autodestruição”, ressaltou.
E deu como exemplo o caso de um soldado israelense, processado por homicídio, que mês passado baleou um agressor palestino na cidade de Hebron para lembrar o que o exército e a sociedade israelense devem enfrentar e resolver.
Golan insistiu que o Holocausto deve servir não só para lembrar as vítimas, mas também para “nos questionarmos qual é o objetivo do retorno à nossa terra (Israel), e daí quais valores devemos santificar ou não” na sociedade.
A comparação gerou uma onda de condenações da direita, mas também amostras de apoio da esquerda, que elogiou a “coragem” do general.
“Os perturbados que agora começarão a gritar contra ele devem saber: assim soam a ética e a responsabilidade”, publicou em sua conta no Twitter o líder do Partido Trabalhista, Isaac Herzog, ao dar todo seu apoio ao exército.
Já o nacionalista Bennett pediu ao alto comando que “retificasse (a declaração de Golan) antes de os negacionistas do Holocausto transformarem suas declarações em bandeira de suas atividades e de nossos soldados serem comparados aos nazistas”.
Por causa da polêmica, o exército divulgou hoje um esclarecimento aos veículos de imprensa, que diz que Golan “não teve a intenção de comparar o exército e o Estado de Israel com fatos que ocorreram durante o período nazista”.
“A comparação é absurda e não tem fundamento, e não houve nenhuma intenção de estabelecer paralelismos ou criticar os líderes civis”, afirmou a nota.

