Gideon Rachman afirma que a era da impunidade nas redes sociais parece estar chegando ao fim, e as empresas de mídia social deverão enfrentar regulamentações mais rígidas
O jornalista britânico e comentarista de relações exteriores do Financial Times, Gideon Rachman, afirmou em uma matéria que o bilionário dono da rede social X, Elon Musk é “um míssil geopolítico sem rumo“.
Ao defender o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal), Alexandre de Moraes, cujo nome viralizou em todo o planeta Terra após a decisão que suspendeu a plataforma do empresário no Brasil, Rachman disse também que grandes empresas e bilionários geralmente evitam controvérsias políticas, mas Elon Musk é uma exceção.
Ele endossou Donald Trump e desempenhou papéis ambíguos em conflitos geopolíticos, como a guerra na Ucrânia e a rivalidade EUA-China, escreveu o comentarista, acrescentando que as ações e opiniões de Musk têm impacto significativo, mas ele ainda está sujeito às leis dos países onde opera.
Rachman acrescenta que a era da impunidade nas redes sociais parece estar chegando ao fim, e as empresas de mídia social podem enfrentar regulamentações mais rígidas.
A propriedade da rede social X entregou a Musk um enorme megafone para transmitir suas opiniões. No entanto, focar em sua plataforma de mídia social obscurece a verdadeira extensão e fonte de seu poder geopolítico, escreve o jornalista.
Suas intervenções imprevisíveis – combinadas com imenso poder tecnológico e financeiro – o transformam em um míssil geopolítico sem rumo, cujos caprichos podem remodelar os assuntos mundiais, diz Rachman.
Se Musk frequentemente fala e age como se fosse mais poderoso do que qualquer governo, pode ser porque, em certos aspectos, isso é verdade. Mas os governos retêm um poder fundamental que ainda escapa a Musk; a capacidade de criar e fazer cumprir a lei, destaca o britânico.
O confronto entre Brasil e X – e a prisão de Durov (CEO do Telegram) na França – são sinais de que a era da impunidade nas redes sociais está chegando ao fim no mundo democrático. As empresas de mídia social estão cada vez mais propensas a serem regulamentadas mais como empresas de mídia tradicionais, prossegue o comentarista do Financial Times.
Apesar de toda a sua riqueza e seu indiscutível brilhantismo como engenheiro e empreendedor, Musk continuará sujeito às leis dos países onde opera. Essa percepção nascida está se materializando pode explicar suas cada vez mais furiosas diatribes contra Brasil, Grã-Bretanha, UE e estado da Califórnia – e qualquer outro que ouse atravessar seu caminho. A X não é a fonte do poder de Musk. Mas pode ser o ponto onde seu poder é limitado, pontua o jornalista.
