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Elites econômicas ainda pensam como se o Brasil fosse uma colônia escravagista, diz Gleisi em crítica a super-rico

    Em setembro de 2022, o ainda candidato Lula discursa em jantar do Grupo Esfera, entre João Camargo (D) e Aloizio Mercadante (E) – Arquivo pessoal | A deputada federal pelo Paraná e Presidente Nacional do Partido dos Trabalhadores, Gleisi Hoffmann, durante entrevista ao UOL, há cinco meses | Sobreposição de imagens

    Segundo a Presidente Nacional do PT, o jornal deu “espaço ao dono do grupo Esfera, Joao Camargo, para dizer que eles não precisam pagar imposto, porque “ser rico não é pecado” – LEIA A ÍNTEGRA

    Quanto mais cresce a consciência sobre a desigualdade social e econômica no Brasil e no mundo, mais aumenta a insensibilidade dos super-ricos e seus porta-vozes“, afirmou, neste domingo (3/9), em seu perfil oficial no microblog ‘X‘ (ex-Twitter), a deputada federal pelo Paraná, Gleisi Hoffmann, que é Presidente Nacional do Partido dos Trabalhadores, fundado pelo Presidente da República Federativa do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva.

    O comentário foi feito em crítica a um artigo escrito no jornal ‘Folha de S. Paulo‘, de autoria do “dono do grupo Esfera, Joao Camargo“.

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    Segundo o microtexto da deputada, Camargo disse que “eles não precisam pagar imposto, porque “ser rico não é pecado. É sucesso!””, conforme mostra o título do espaço dado ao presidente do conselho do grupo, no jornalão.

    Gleisi rebate dizendo que “ser pobre também não é pecado nem tão pouco sinônimo de insucesso, mas sim resultado de diferenças econômicas abissais em nossa sociedade, da falta de oportunidades, decorrente de um modelo concentrador de renda e da insensibilidade da elite rica e ensimesmada“.

    A parlamentar explica que “o pobre, trabalhador, tem de pagar imposto e super rico não. Além de pagar sobre consumo, o povo começa a pagar imposto sobre a renda a partir de $ 2.640,00“.

    A partir daí, a parlamentar faz vários questionamentos para chamar a atenção das práticas desse grupo:

    Qual é a contribuição para o Brasil dessa turma que tira dinheiro daqui pra colocar em paraísos fiscais?
    Investem no quê?
    Já não estão com o dinheiro no Brasil?
    E esses fundos exclusivos, de um só dono, q tem de ter no mínimo $ 10 milhões, contribuem no que pra riqueza do país, a não ser do seu próprio dono?”

    Que conversa desajeitada e absurda!“, prossegue a deputada.

    Não venham falar do que aconteceu na França, falsificando a história“, diz a deputada sobre a afirmação de Camargo de que no país europeu foi um “fracasso“.

    Ele escreve: “A taxação dos “super-ricos”, defendida como ferramenta de justiça social, acaba resultando, paradoxalmente, em queda de arrecadação e em piora dos indicadores sociais, haja vista que é o investimento do empresariado que gera riqueza, inovação e emprego“.

    E continua: “A história da França ilustra bem essa lógica. O país adotou uma postura fiscal draconiana, resultando na fuga de mais de 200 bilhões de euros (ou R$ 1,2 trilhão) em duas décadas, segundo uma revista especializada.

    Muitos devem se lembrar de quando, em 2012, o ator Gérard Depardieu mudou seu domicílio fiscal para a Bélgica, mas há relatos desde os anos 1980 de autoridades francesas procurando dinheiro escondido nos porta-malas de veículos que seguiam para a Suíça, tamanha era a fuga de capitais“.

    Gleisi discorda e diz que “o debate tem de ser sobre o que acontece no Brasil real, a indecente desigualdade que existe aqui mesmo, debaixo do nariz de nossas elites econômicas, que ainda pensam como se o Brasil fosse uma colônia escravagista“.

    Agenda civilizatória no Brasil de hoje tem de incluir a taxação dos fundos exclusivos e offshores, o fim dessa excrescência dos Juros sobre Capital Própria e o fim da isenção dos dividendos“, finaliza a Presidente Nacional do Partido dos Trabalhadores.

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