Segundo a Presidente Nacional do PT, o jornal deu “espaço ao dono do grupo Esfera, Joao Camargo, para dizer que eles não precisam pagar imposto, porque “ser rico não é pecado” – LEIA A ÍNTEGRA
“Quanto mais cresce a consciência sobre a desigualdade social e econômica no Brasil e no mundo, mais aumenta a insensibilidade dos super-ricos e seus porta-vozes“, afirmou, neste domingo (3/9), em seu perfil oficial no microblog ‘X‘ (ex-Twitter), a deputada federal pelo Paraná, Gleisi Hoffmann, que é Presidente Nacional do Partido dos Trabalhadores, fundado pelo Presidente da República Federativa do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva.
O comentário foi feito em crítica a um artigo escrito no jornal ‘Folha de S. Paulo‘, de autoria do “dono do grupo Esfera, Joao Camargo“.
Segundo o microtexto da deputada, Camargo disse que “eles não precisam pagar imposto, porque “ser rico não é pecado. É sucesso!””, conforme mostra o título do espaço dado ao presidente do conselho do grupo, no jornalão.
Gleisi rebate dizendo que “ser pobre também não é pecado nem tão pouco sinônimo de insucesso, mas sim resultado de diferenças econômicas abissais em nossa sociedade, da falta de oportunidades, decorrente de um modelo concentrador de renda e da insensibilidade da elite rica e ensimesmada“.
A parlamentar explica que “o pobre, trabalhador, tem de pagar imposto e super rico não. Além de pagar sobre consumo, o povo começa a pagar imposto sobre a renda a partir de $ 2.640,00“.
A partir daí, a parlamentar faz vários questionamentos para chamar a atenção das práticas desse grupo:
“Qual é a contribuição para o Brasil dessa turma que tira dinheiro daqui pra colocar em paraísos fiscais?
Investem no quê?
Já não estão com o dinheiro no Brasil?
E esses fundos exclusivos, de um só dono, q tem de ter no mínimo $ 10 milhões, contribuem no que pra riqueza do país, a não ser do seu próprio dono?”
“Que conversa desajeitada e absurda!“, prossegue a deputada.
“Não venham falar do que aconteceu na França, falsificando a história“, diz a deputada sobre a afirmação de Camargo de que no país europeu foi um “fracasso“.
Ele escreve: “A taxação dos “super-ricos”, defendida como ferramenta de justiça social, acaba resultando, paradoxalmente, em queda de arrecadação e em piora dos indicadores sociais, haja vista que é o investimento do empresariado que gera riqueza, inovação e emprego“.
E continua: “A história da França ilustra bem essa lógica. O país adotou uma postura fiscal draconiana, resultando na fuga de mais de 200 bilhões de euros (ou R$ 1,2 trilhão) em duas décadas, segundo uma revista especializada.
Muitos devem se lembrar de quando, em 2012, o ator Gérard Depardieu mudou seu domicílio fiscal para a Bélgica, mas há relatos desde os anos 1980 de autoridades francesas procurando dinheiro escondido nos porta-malas de veículos que seguiam para a Suíça, tamanha era a fuga de capitais“.
Gleisi discorda e diz que “o debate tem de ser sobre o que acontece no Brasil real, a indecente desigualdade que existe aqui mesmo, debaixo do nariz de nossas elites econômicas, que ainda pensam como se o Brasil fosse uma colônia escravagista“.
“Agenda civilizatória no Brasil de hoje tem de incluir a taxação dos fundos exclusivos e offshores, o fim dessa excrescência dos Juros sobre Capital Própria e o fim da isenção dos dividendos“, finaliza a Presidente Nacional do Partido dos Trabalhadores.
