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    Mais de 77% dos húngaros votam em recorde histórico e ameaçam acabar com 16 anos de Viktor Orbán

    Alta mobilização em Budapeste e no interior reforça o Tisza de Péter Magyar (foto), enquanto o primeiro-ministro Fidesz vê sua hegemonia questionada em pleito que pode alterar o mapa da direita na Europa

    Peter Magyar, líder do partido Tisza, vota em uma seção eleitoral durante as eleições em Budapeste, Hungria

    Peter Magyar, líder do partido Tisza, vota em uma seção eleitoral durante as eleições em Budapeste, Hungria. Povo do país pode pôr fim a 16 anos de poder do primeiro-ministro Viktor Orbán |12.4.2026| Imagem reprodução / Redes sociais via El País

    RESUMO
    URBS MAGNA

    Budapeste (HU) · 12 de abril de 2026

    As eleições na Hungria registram neste domingo (12/abr) a maior participação da história do país, com mais de 77% do eleitorado comparecendo às urnas até o final da tarde, superando os 70% de 2002.

    Dados do Gabinete Nacional de Eleições (Nemzeti Választási Iroda) confirmam o recorde, que analistas atribuem ao desejo explícito de grande parte dos eleitores de promover uma alternância após 16 anos de domínio do Fidesz, partido liderado pelo primeiro-ministro Viktor Orbán.

    A mobilização extraordinária em Budapeste e no interior reflete frustração acumulada com questões como estagnação econômica, acusações de corrupção e o modelo de governança concentrado no Fidesz, conforme a Euronews.

    Eleitores consultados por veículos locais expressam o anseio por “mudança de sistema”, frase repetida pelo líder oposicionista Péter Magyar, ex-aliado que hoje comanda o Tisza (Respeito e Liberdade), partido de centro-direita pró-europeu.

    Pesquisas independentes, como as do instituto Medián, projetavam vantagem clara para o Tisza, com possibilidade de maioria de dois terços no Parlamento de 199 assentos, segundo a Reuters.

    Viktor Orbán votou cedo em Budapeste e declarou estar “aqui para vencer”, posicionando-se como a “opção mais segura”. Já Péter Magyar enfatizou que uma eleição “calma e legal” favoreceria a vitória do Tisza.

    A alta afluência, que chegou a superar 54% até o meio-dia, beneficia tradicionalmente a oposição em contextos de forte rejeição ao status quo.

    A eleição se torna digna de acompanhamento por motivos diversos, mas um dos principais deles é que Viktor Orbán transformou a Hungria em polo de organização da direita conservadora global, sediada por eventos como a CPAC Hungria, que reúne líderes de diversas regiões.

    Além disso, o governo Orbán é acusado de financiar, via bancos com laços estatais, partidos da extrema direita europeia, segundo o El País.

    O Vox da Espanha, por exemplo, recebeu empréstimo de cerca de 9,2 milhões de euros do MBH Bank (Magyar Bankholding), entidade ligada ao círculo do primeiro-ministro e cujo acionista majoritário inclui o empresário Lőrinc Mészáros, amigo de infância de Orbán.

    O Vox, por sua vez, apoia ativamente figuras da direita na América Latina via sua Fundação Disenso e o Foro de Madri, de acordo com o El País.

    Uma eventual derrota de Orbán enfraqueceria o polo eurocético dentro da União Europeia, facilitando maior unidade do bloco em temas estratégicos, especialmente diante de pressões externas distintas vindas de Washington e Moscou.

    O Tisza promete combater a corrupção, aproximar Budapeste de Bruxelas e destravar fundos europeus retidos.

    A apuração começou logo após o fechamento das urnas às 19h locais (14h de Brasília) , com resultados preliminares esperados nas horas seguintes.

    Acusações mútuas de irregularidades surgiram, mas observadores internacionais acompanham o processo.

    Fontes indicam que a participação final confirmada ultrapassou 77,8%, consolidando o recorde.

    Detalhes completos da apuração e eventuais reações de Viktor Orbán ou Péter Magyar serão atualizados assim que disponíveis.




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