Bolivianos vão às urnas em meio a crise econômica e polarização política, com a direita liderando pesquisas e a esquerda fragmentada, em um momento decisivo para o futuro do país
Sucre, Bolívia, 16 de agosto de 2025
Neste domingo (17/ago), mais de 7,5 milhões de bolivianos irão às urnas para escolher o novo presidente, vice-presidente, 36 senadores e 130 deputados que governarão o Estado Plurinacional da Bolívia pelos próximos cinco anos, até 2030.
As eleições gerais, confirmadas pelo Órgão Eleitoral Plurinacional (OEP), ocorrem em um contexto de profunda crise socioeconômica, com inflação galopante e escassez de combustíveis, além de uma polarização política intensificada pela ausência do ex-presidente Evo Morales, inelegível após decisão judicial.
O pleito é visto como um divisor de águas, com a possibilidade de encerrar quase duas décadas de domínio do Movimento ao Socialismo (MAS).
Contexto Político: Uma Esquerda Dividida e a Direita em Ascensão
A Bolívia vive um momento de tensão política, com a esquerda fragmentada entre os apoiadores do atual presidente Luis Arce e os do ex-mandatário Evo Morales, que, apesar de barrado pelo Tribunal Constitucional Plurinacional, segue influenciando o cenário ao convocar protestos e incentivar o “voto nulo” como forma de resistência.
A decisão de Arce de não buscar a reeleição, pressionado pela baixa popularidade e crise econômica, abriu espaço para novos nomes, mas também expôs fissuras no MAS-IPSP, que corre o risco de perder sua personalidade jurídica caso seu candidato, Eduardo del Castillo, não alcance 3% dos votos, conforme a lei boliviana 1096/2018.
Enquanto isso, a oposição de direita, unida em alianças como a Alianza Unidad e a Alianza Libre, capitaliza a insatisfação popular.
Pesquisas recentes do El Deber apontam Samuel Doria Medina, empresário e líder da Alianza Unidad, e Jorge “Tuto” Quiroga, ex-presidente e candidato da Alianza Libre, como favoritos, com 26,5% e 25,4% das intenções de voto, respectivamente.
A ascensão da direita reflete o cansaço com o “modelo MAS”, segundo o analista José Rafael Vilar, que destaca a rejeição ao estatismo e a busca por uma economia mais aberta.
A liderança da direita nas pesquisas sugere uma mudança de paradigma, mas o alto índice de votos nulos, brancos e indecisos (cerca de 34%) indica que a insatisfação generalizada pode surpreender nos resultados finais.
Candidatos e Dinâmicas da Campanha
O OEP habilitou nove candidaturas presidenciais, com destaque para Andrónico Rodríguez, da Alianza Popular, que emerge como a principal esperança da esquerda.
Ex-aliado de Morales, Rodríguez, um jovem senador de origem cocalera, busca unificar o progressismo, mas enfrenta resistência interna e críticas por sua postura reservada em debates.
Outros candidatos de esquerda, como Eva Copa (Morena) e Eduardo del Castillo (MAS-IPSP), têm baixa projeção, com menos de 3% nas pesquisas.
Na direita, além de Doria Medina e Quiroga, destacam-se Manfred Reyes Villa (APB-Súmate) e Rodrigo Paz Pereira (Partido Demócrata Cristiano).
Doria Medina, um magnata do setor de cimento e hotelaria, promete “estabilidade econômica e mudanças profundas”, enquanto Quiroga, conhecido por sua postura neoliberal, foca na crítica aos “20 anos de governos de esquerda” e na defesa de “presos políticos” como Jeanine Áñez e Luis Fernando Camacho.
A ausência de Morales e a fragmentação da esquerda podem beneficiar a direita, mas a campanha pelo voto nulo, liderada pelos apoiadores do ex-presidente, pode fragmentar ainda mais o eleitorado progressista, dificultando uma vitória clara no primeiro turno.
Impactos Econômicos e Sociais em Jogo
A crise econômica é um dos principais temas da campanha, com a Bolívia enfrentando inflação, desvalorização do boliviano e escassez de combustíveis.
A industrialização do lítio, um dos maiores recursos do país, é outro ponto de divergência: a direita defende maior participação do capital privado, enquanto a esquerda insiste na “defesa do Estado Plurinacional” e na exploração sustentável.
Segundo o Pocket Option, o resultado das eleições pode impactar diretamente os preços globais de lítio, gás natural e cobre, atraindo atenção de investidores internacionais.
A crise econômica amplifica a insatisfação popular, mas a falta de propostas concretas de alguns candidatos pode levar eleitores a optarem por nomes conhecidos, mesmo que associados a gestões passadas controversas.
Processo Eleitoral e Expectativas
As eleições ocorrerão em 5.727 recintos eleitorais com 34.026 mesas de votação, segundo o La Razón. Bolivianos no exterior votarão apenas para presidente e vice-presidente.
Caso nenhum candidato alcance 50% + 1 dos votos ou 40% com 10% de diferença sobre o segundo colocado, uma segunda volta está marcada para 19 de outubro de 2025. O novo governo assumirá em 8 de novembro.
A alta taxa de candidaturas desabilitadas (64,2%) e denúncias de “judicialização do processo” por apoiadores de Morales levantam preocupações sobre a legitimidade do pleito, especialmente em um contexto de desconfiança nas instituições.
Um Futuro Incerto para a Bolívia
As eleições deste domingo representam um momento crucial para a Bolívia, com o risco de retrocessos no “proceso de cambio” que marcou a política do país desde 2006.
A fragmentação da esquerda, a ascensão da direita e a influência de Evo Morales, mesmo fora da disputa, tornam o cenário imprevisível.
O resultado definirá não apenas o próximo governo, mas também o rumo de um país que busca equilíbrio entre estabilidade econômica e conquistas sociais.









O exemplo mais contundente do que significa o protagonismo pessoal, nos dirigentes políticos bolivianos, IRRESPONSÁVEIS, é o mínimo que pode-se falar, sobre as atitudes de dividir a esquerda ,e deixar o povo a mercê do apetite da ultradireita, que não pretende deixar passar a oportunidade de recuperar as possibilidades de roubar às riquezas minerais do solo boliviano.
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