“Eleições 2022 com Lula, Moro e Bolsonaro é possível”, todos inimigos entre si, diz Merval

06/08/2020 3 Por Redação Urbs Magna

Até o colunista do Globo admite a volta do ex-presidente ao pleito presidencial no que chama de quebra cabeça eleitoral

As eleições presidenciais de 2022 poderá ter Lula, Moro e Bolsonaro, curiosamente todos inimigos entre si, disse nesta quinta-feira (6) o colunista do Globo Merval Pereira admitindo que a volta do ex-presidente ao pleito é possível e que uma eventual disputa com estes três candidatos será um quebra cabeça eleitoral.

“Não é para amadores”, intitulou sua matéria dizendo que a situação “pode ser a mais interessante dos últimos tempos, pelo menos em termos de sociologia política“.

Merval diz que o destino desse “quebra-cabeças político-eleitoral” está nas mãos do STF (Supremo Tribunal Federal) que também tem a real possibilidade, “cada vez mais concreta”, de considerar o ex-juiz Sérgio Moro imparcial nos julgamentos em que o ex-presidente Lula foi condenado.

Moro divulgou o depoimento de Palocci dias antes do primeiro turno da eleição presidencial de 2018 com o fim de prejudicar Lula, favorecendo assim Bolsonaro, de quem viria a ser ministro da Justiça.

Caso seja considerado suspeito pela Segunda Turma, o processo do triplex do Guarujá, o único em que Moro foi responsável por condenar o petista, será anulado, o que provavelmente levará à anulação de outros dois processos, o do sitio de Atibaia, em que Lula foi condenado pela Juíza Gabriel Hardt, e o do Instituto Lula, que está em andamento com o Juiz Luiz Antonio Bonat.

Se, ao contrário, apenas o processo do triplex for anulado, Lula continuará inelegível, pois foi condenado também em segunda instância pelo caso do sítio de Atibaia.

Teoricamente o julgamento da suspeição de Moro está empatado, pois os ministros Carmem Lucia e Edson Fachin já votaram a favor dele, e entre os que faltam votar, apenas do ministro Celso de Mello não se tem uma ideia clara de como votará, embora existam informações de que ele teria ficado indignado com as revelações do site Intercept Brasil sobre o que muitos consideraram promiscuidade entre o juiz Moro e os procuradores da Lava-Jato.

Como o ministro Gilmar Mendes, que pediu vistas antes de votar, tem se declarado favorável a que o tema volte a julgamento em reunião presencial, há o risco de que o ministro Celso de Mello não possa votar, pois se aposenta em novembro e o Supremo estará em reuniões virtuais até janeiro do ano que vem.

Nesse caso, o novo ministro, apontado pelo presidente Bolsonaro, ocuparia o lugar do decano na Segunda Turma, aumentando a chance de Moro ser considerado parcial. Só que nem tanto, pois será preciso medir a repercussão que um voto decisivo para tornar Lula novamente elegível terá nos apoiadores de Bolsonaro. Ou se Lula voltar ao páreo interessa ao próprio presidente.

Há uma outra possibilidade nesse xadrez. Como já aconteceu em outras ocasiões, o presidente do Supremo, que a esta altura será o ministro Luis Fux, poderá permitir que outro ministro vá para a Segunda Turma, assumindo o lugar de Celso de Mello.

O ministro Fachin, por exemplo, pediu para ir para a Segunda Turma no lugar de Teori Zavascki, que era o relator da Lava-Jato.

Nessas situações, o ministro mais antigo, no caso Marco Aurelio Mello, tem a prioridade para escolher. Na substituição de Teori Zavascki, Marco Aurélio não quis mudar de turma, e Fachin tornou-se relator da Lava-Jato através de sorteio eletrônico. Desta vez, se for o caso, veremos como agirá.

Como o Brasil não é para amadores, como advertia Tom Jobim, há uma outra possibilidade. O ex-juiz Sérgio Moro pode ser considerado inelegível, se a idéia de criar uma quarentena para membros do Judiciário vingar, e prevalecer a interpretação de que normas eleitorais podem retroagir, tornando-se uma espécie de “ficha-suja”, e Lula ser reabilitado pela Segunda Turma do Supremo.

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