📷 Um cartaz com os candidatos à presidência é exibido em uma seção eleitoral antes do segundo turno das eleições, em Lima, Peru | 6.6.2026 | Keiko Fujimori chegou ao dia decisivo da eleição presidencial do Peru com vantagem mínima sobre Roberto Sánchez. A disputa expõe divisões históricas entre o legado de Alberto Fujimori, as demandas por mudanças sociais e uma crise política que levou o país a ter sucessivos presidentes, protestos e instabilidade institucional / Foto: Stifs Paucca / Reuters (recorte)
| Lima (PE)
07 de junho de 2026
O Peru decide neste domingo (07/jun) quem comandará o país pelos próximos cinco anos.
A disputa entre Keiko Fujimori, herdeira política do fujimorismo, e Roberto Sánchez, candidato identificado com setores da esquerda popular, chegou às urnas em situação de empate técnico.
Pesquisas divulgadas nos últimos dias apontaram leve vantagem para Fujimori, mas as primeiras sondagens de boca de urna indicaram uma diferença mínima, insuficiente para apontar um vencedor definitivo, conforme a Reuters.
A análise do Urbs Magna aponta que esta eleição ultrapassa a simples escolha entre direita e esquerda. O que está em disputa é a própria identidade política de um país que, nos últimos dez anos, teve presidentes derrubados, prisões de ex-governantes, protestos violentamente reprimidos e uma população cada vez mais desconfiada das instituições, conforme reporta o The Guardian.
Como está a eleição neste momento?
A boca de urna do instituto Ipsos divulgada após o encerramento da votação mostrou Keiko Fujimori com 50,7% dos votos válidos contra 49,3% de Roberto Sánchez. A margem de erro impede qualquer declaração de vitória, conforme a Reuters.
Antes da votação, diferentes levantamentos apontavam um cenário extremamente apertado. Algumas pesquisas davam pequena vantagem para Fujimori; outras mostravam empate técnico, segundo a Ipsos.
O que parece claro é que o país chegou dividido ao limite.
De um lado, uma parcela do eleitorado associa Keiko Fujimori à promessa de ordem diante da explosão da criminalidade, das extorsões e do crescimento do crime organizado. De outro, milhões de peruanos enxergam em Roberto Sánchez a possibilidade de romper com um modelo econômico que produziu crescimento, mas preservou profundas desigualdades regionais e sociais, informa o El País.
Quem é Keiko Fujimori e por que seu sobrenome ainda divide o Peru?
Falar de Keiko Fujimori é inevitavelmente falar de seu pai, Alberto Fujimori, presidente peruano entre 1990 e 2000.
Para seus apoiadores, Alberto Fujimori derrotou o grupo insurgente Sendero Luminoso, estabilizou a economia e evitou o colapso do Estado peruano durante uma das fases mais violentas da história nacional.
Para seus críticos, deixou como legado um regime autoritário marcado por violações de direitos humanos, perseguições políticas, corrupção sistêmica e concentração de poder, avalia o The Guardian.
O sobrenome Fujimori continua funcionando como uma fronteira emocional dentro da sociedade peruana.
Há famílias que associam o nome à segurança. Há famílias que o associam ao medo. Essa divisão atravessa gerações.
Keiko Fujimori tenta há anos construir uma identidade própria, mas jamais conseguiu se desvincular completamente da herança política paterna. Esta é sua quarta tentativa de chegar à presidência, lembra a Reuters.
Sua campanha de 2026 concentrou-se em segurança pública, fortalecimento do investimento privado, modernização tecnológica do Estado e combate ao crime organizado, recorda o El País.
Quem é Roberto Sánchez?
Roberto Sánchez surgiu como uma das maiores surpresas da eleição peruana.
Ex-ministro do governo de Pedro Castillo, ele representa setores progressistas, nacionalistas e movimentos populares que defendem maior presença do Estado na economia, fortalecimento das regiões historicamente marginalizadas e mudanças institucionais profundas, segundo o Le Monde.fr.
Sua campanha ganhou força especialmente fora da capital, em áreas rurais e regiões andinas que frequentemente se sentem excluídas das decisões tomadas em Lima, diz a agência de notícias Reuters.
Entre suas principais propostas estão:
♦ nova Constituição;
♦ fortalecimento dos investimentos sociais;
♦ reforma das forças de segurança;
♦ políticas de desenvolvimento regional;
♦ redução das desigualdades territoriais.
Para seus apoiadores, Sánchez representa a possibilidade de inclusão social.
Para seus adversários, suas propostas criariam insegurança econômica e institucional, diz Reuters.
O Peru vive uma crise política permanente?
A resposta curta é: sim.
O próximo presidente será o nono chefe de Estado peruano em apenas dez anos, de acordo com a AP News.
Poucos países democráticos do mundo experimentaram tamanho grau de instabilidade institucional em tão pouco tempo.
Desde a década passada, o Peru testemunhou:
♦ presidentes destituídos;
♦ renúncias forçadas;
♦ processos judiciais;
♦ prisões;
♦ protestos massivos;
♦ confrontos entre Executivo e Congresso;
♦ crises sucessivas de legitimidade.
A consequência foi devastadora para a confiança pública. Hoje, muitos peruanos não acreditam plenamente nem nos partidos, nem no Congresso, nem na Presidência.
Por que isso acontece?
Existem várias razões estruturais.
Fragmentação política
O sistema partidário peruano praticamente colapsou. Nas eleições de 2026, nada menos que 35 candidatos disputaram a Presidência. Isso produz governos fracos, coalizões instáveis e enorme dificuldade de governabilidade.
Congresso extremamente poderoso
O modelo institucional peruano permite ao Congresso confrontar diretamente o Executivo. Nas últimas décadas, esse mecanismo tornou-se uma arma política permanente. Presidentes e parlamentares passaram a travar disputas constantes, gerando sucessivas crises.
Corrupção generalizada
Praticamente todas as grandes forças políticas do país enfrentaram escândalos. A corrupção deixou de ser percebida como um problema isolado e passou a ser vista como uma característica estrutural do sistema político.
Desigualdade regional
O crescimento econômico peruano das últimas décadas produziu indicadores positivos, mas distribuiu seus benefícios de forma desigual. Enquanto Lima concentrou investimentos, diversas regiões andinas e amazônicas permaneceram com déficits históricos de infraestrutura, saúde e educação. Essa frustração ajuda a explicar a força recorrente de candidaturas antiestablishment.
O que o resultado pode significar?
Uma vitória de Keiko Fujimori seria interpretada como uma busca por estabilidade, segurança e continuidade econômica, embora também reative debates sobre o legado do fujimorismo, diz o El País. Uma vitória de Roberto Sánchez seria vista como um sinal de reação das regiões periféricas e dos setores que defendem mudanças estruturais no modelo político e econômico peruano, segundo a Reuters. Em ambos os casos, o futuro presidente herdará um país profundamente dividido.
A alma do Peru
Existe um traço recorrente na história peruana. O país parece oscilar continuamente entre esperança e desconfiança. Esperança de que o próximo governante finalmente resolva problemas históricos. Desconfiança porque quase todos os anteriores falharam.
O Peru moderno nasceu de uma geografia fragmentada. A costa olha para o Pacífico. Os Andes olham para a montanha. A Amazônia olha para o interior profundo do continente.
Cada uma dessas realidades produz demandas distintas. Muitas vezes, elas parecem pertencer a países diferentes. A política peruana tornou-se o reflexo dessa fragmentação.
Quando Lima escolhe estabilidade, o interior pede mudança. Quando o interior pede transformação, parte da elite teme ruptura. A eleição de 2026 materializa exatamente essa tensão.
Mais do que escolher entre Keiko Fujimori e Roberto Sánchez, milhões de peruanos parecem estar tentando responder a uma pergunta muito mais antiga:
Que tipo de país o Peru deseja ser depois de uma década de crises? A resposta começará a surgir com a apuração dos votos. Mas a reconstrução da confiança nacional provavelmente levará muito mais tempo.
::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::
FAQ Rápido
Quem está na frente na eleição do Peru?
A boca de urna da Ipsos indicou leve vantagem de Keiko Fujimori, mas dentro da margem de erro.
Quem é o candidato de esquerda?
Roberto Sánchez, ex-ministro ligado ao campo progressista e apoiado por setores populares e regiões rurais.
Por que o Peru é tão instável politicamente?
Por causa da fragmentação partidária, confrontos entre Congresso e Presidência, corrupção sistêmica e desigualdades regionais históricas.
::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::
SIGA NAS REDES SOCIAIS

![]()
Compartilhe via botões abaixo:
