Diagnosticado com Parkinson, o deputado estadual toma 27 gotas diárias de CBD (canabidiol), de manhã, após o café da manhã, depois do almoço e após jantar – Ele relata vários pontos positivos. Um deles tem a ver com as dores musculares que sentia na perna: “Sumiram“
Neste domingo (16/6), em São Paulo, o deputado estadual Eduardo Suplicy (PT-SP), de 82 anos, participou ativamente da Marcha da Maconha, defendendo a legalização da cannabis para uso recreativo e medicinal, como mostrou o ‘Mídia Ninja‘.
O político revelou ser paciente de maconha medicinal para tratar Parkinson, destacando os benefícios pessoais do tratamento e ressaltou a importância da regulamentação do cultivo de cannabis para fins terapêuticos no Brasil, além de defender um projeto de lei nesse sentido.
A Marcha da Maconha reuniu ativistas, pacientes e profissionais da saúde, todos unidos pelo objetivo da legalização.
Suplicy enfatizou que a cannabis pode oferecer uma opção terapêutica com menos efeitos colaterais que medicamentos tradicionais e reiterou seu compromisso em continuar lutando pela legalização da cannabis medicinal no Brasil, reforçando sua posição como um dos principais defensores da causa.
Em um vídeo no perfil da APEPI (Associação de Apoio à Pesquisa e Pacientes de Cannabis Medicinal) , na plataforma social ‘X‘, Suplicy aparece fazendo uso de derivados da Cannabis sativa, a planta da maconha, que ele escolheu após ser diagnosticado com a doença.
Veja a baixo e prossiga na leitura, a seguir:
Aos 82 anos, o deputado estadual Eduardo Suplicy foi diagnosticado com a doença de Parkinson e chamou a atenção, assim como sua escolha de tratamento: derivados da Cannabis sativa, a planta da maconha. pic.twitter.com/P0CAD3nJAh
— APEPI (@familiaapepi) June 6, 2024
Ele também compareceu ao mesmo evento na edição de 2023.
Veja abaixo e leia mais a seguir:
Estive na noite à ontem, a ‘Marcha da Maconha’ em atenção à votação do @STF_oficial sobre descriminalização do porte de drogas para uso pessoal, que acabou adiada. Houve aula pública com informações sobre o tema essencial que envolve a saúde pública e o encarceramento em massa. pic.twitter.com/nVWDfXnwMU
— Eduardo Suplicy (@esuplicy) May 25, 2023
No último dia 4, Eduardo Suplicy foi destaque em uma matéria na coluna ‘Viva Bem‘, do ‘UOL‘, sob o título ‘Cannabis no café, almoço e jantar: o tratamento de Suplicy para Parkinson‘. “Em setembro de 2023, a notícia de que tinha sido diagnosticado com a doença de Parkinson chamou atenção —tanto quanto a opção de tratamento: com derivados da Cannabis sativa, a planta da maconha“, diz a publicação.
Em paralelo a um tratamento tradicional para esta doença, Suplicy passou a acompanhar mais de perto o trabalho da pesquisadora Cidinha Carvalho, mãe de Clárian, menina que tem síndrome de Dravet, e presidente da Cultive, associação sem fins lucrativos criada por e para pacientes e acompanhantes usuários da Cannabis terapêutica. Ela foi a primeira mãe de São Paulo a ter o direito judicial de cultivar a planta.
Em julho de 2023, Suplicy conversou com especialistas, em meio a uma plantação de Cannabis com área de cerca de três campos de futebol, vestindo uma camisa com os dizeres “Maconha medicinal, produto nacional, reparação social“, ao conhecer a Associação Flor da Vida, em Franca (SP), onde pacientes com doenças crônicas ou síndromes raras, especialmente crianças, são medicados com Cannabis medicinal.
Pouco tempo depois da visita, o deputado começou a tomar as primeiras gotas de CBD (canabidiol), medicamento feito a partir da Cannabis sativa, inicialmente importado. “O primeiro óleo tinha uma cor diferente, porque era em doses da Cannabis medicinal infantil. Fui tomando pouco a pouco: cinco gotas por dia“, lembra.
Com o passar das semanas, a dosagem aumentou gradativamente. Mais recentemente, passou a tomar a versão para adultos. Na primeira semana, foram cinco gotas, três vezes ao dia. Depois, seis gotas, sete, oito e, então, passou a tomar nove gotas após cada refeição.
Hoje tomando 27 gotas diárias, de manhã, após o café da manhã, depois do almoço e após jantar, Suplicy relata vários pontos positivos. Um deles tem a ver com as dores musculares que sentia na perna. “Sumiram“.
Com o avançar da doença, tarefas simples e cotidianas para ele, como usar o celular, ler um livro e segurar um pronunciamento se tornaram um problema. O tremor nas mãos o impedia de ser certeiro no que desejava fazer, mas isso também acabou com o passar dos dias tomando o óleo: “Também passei a andar com maior firmeza, e eu faço isso, sempre fui um bom esportista“.
Hoje, no país, o tratamento com Cannabis medicinal não é parte dos métodos tradicionais. Na linguagem médica, o que Suplicy está submetido é conhecido como “off-label” (algo como “fora da bula”) e parte de pesquisa clínica. Na prática, é receitar um remédio já comercializado para uma função diferente da estipulada na bula e autorizada para comercialização.
Após o diagnóstico, Suplicy diz que sua rotina não mudou, mas cuidados tiveram que ser adotados. Um exemplo foi em agosto do ano passado, quando foi convidado para participar de congresso internacional, na Coreia do Sul, mas para chegar ao destino final, passaria por Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, onde a Cannabis é proibida.
Com receios de ter problemas com isso, deixou de tomar a medicação. “Um advogado me disse que ele estava com um cliente que estava preso há algum tempo, uns dois anos, e condenado à prisão por 15 anos. Então fui para a Coreia do Sul sem tomar nada“, conta. Uma semana depois da viagem, em solo brasileiro, voltou a tomar o óleo normalmente.
Defensor dos direitos humanos e da Renda Básica da Cidadania, nos últimos meses, a causa da Cannabis medicinal, bem como o seu acesso às pessoas mais pobres, é mais uma bandeira do parlamentar: “Procuro colaborar cada vez mais para que a legislação brasileira seja mais adequada para permitir que as pessoas mais pobres, nas áreas periféricas de nossas cidades ou no campo, possam ter acesso ao tratamento“, diz.
Óleo terapêutico CBD deve estar disponível em todo estado de SP nos próximos dias, nas farmácias do SUS paulista
Há pouco mais de um ano, o governador Tarcísio de Freitas sancionou a Lei 17.618/2023, de autoria do deputado Caio França (PSB), que institui a política estadual de fornecimento gratuito da Cannabis medicinal através do SUS (Sistema Único de Saúde).
Assim, o óleo de CBD (canabidiol) deve estar disponível, segundo a Secretária de Saúde, tão logo as Farmácias de Medicamentos Especializados (FME) estejam abastecidas. E, essa distribuição já está em andamento, conforme publicou a ‘Folha de S. Paulo‘, há um mês.
O Estado vai pagar R$ 0,04 a miligrama do CBD. Até agora, o governo fornecia o produto quando obrigado por alguma ação movida por paciente. Só os pacientes com indicação médica e diagnóstico e esclerose tuberosa (doença genética que provoca o aparecimento de tumores não cancerosos) e das síndromes de Lennox-Gastaut (tipo de epilepsia infantil) e Dravet (doença incapacitante e progressiva) terão acesso ao óleo.
O protocolo oficial com diretrizes e orientações está pronto à espera apenas da publicação no Diário Oficial do Estado. Outras indicações comprovadas por estudos clínicos, como depressão e dor crônica, ficaram de fora.
Mesmo contemplando apenas três doenças, ter o medicamento no SUS é uma conquista para ser festejada, pois é o reconhecimento da eficiência terapêutica de um produto tão necessário para o bem-estar de muitos pacientes, mas tão estigmatizado.






