
JAIR BOLSONARO e MAURO CID – Imagens reprodução | EDUARDO CUNHA – Agência Brasil – Montagem
Mensagens revelam articulação para barrar recurso da AGU e manter Cunha elegível em 2022 – SAIBA MAIS
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Brasília, 25 de maio de 2025
Em julho de 2022, o ex-presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, acionou o tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Jair Bolsonaro, para interceder junto ao então presidente e garantir a manutenção de sua elegibilidade.
Segundo o UOL, que obteve acesso a mensagens extraídas do celular de Cid, apreendido pela Polícia Federal em maio de 2023, Cunha solicitou que Bolsonaro orientasse a Advocacia-Geral da União (AGU) a não recorrer da decisão do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1), que anulou os efeitos da cassação de seu mandato em 2016.
A cassação, motivada por denúncias de ocultação de patrimônio no exterior e recebimento de propina, tornava Cunha inelegível.
Nas mensagens, Cunha escreveu: “Muito obrigado, agradeça ao nosso presidente, diga a ele por favor que agora é a hora dele falar com a AGU, para não recorrer. Ele tinha pedido para eu avisar”.
A decisão do TRF-1 reverteu temporariamente a inelegibilidade de Cunha, permitindo que ele planejasse sua candidatura nas eleições de 2022.
O ex-deputado, filiado ao PTB, buscava concorrer a uma vaga na Câmara por São Paulo, mas a intervenção de Bolsonaro seria crucial para evitar que a AGU contestasse a decisão judicial.
O celular de Cid, com mais de 158 mil mensagens e 20 mil arquivos, revelou a articulação, que fazia parte de um conjunto de conversas sob análise da Polícia Federal no âmbito de investigações sobre possíveis crimes eleitorais e tentativa de golpe de Estado em 2022.
O caso ganhou contornos ainda mais graves com a denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR), que acusou Bolsonaro e 33 outras pessoas por tentativa de golpe.
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A defesa de Bolsonaro classificou as acusações como “fantasiosas” e sem provas concretas, destacando que as mensagens de Cid não embasariam diretamente as alegações da PGR.
Enquanto isso, a inelegibilidade de Cunha foi restabelecida pelo Supremo Tribunal Federal (STF) em agosto de 2022, atendendo a pedido do procurador-geral Augusto Aras, que argumentou que a decisão do TRF-1 colocava “em xeque a segurança jurídica, a instabilidade institucional, a confiabilidade nas instituições, a paz social e a própria democracia”.
A articulação de Cunha reflete um esforço para se manter politicamente ativo, mesmo após acusações graves na Operação Lava Jato, que o levaram à prisão em 2016 por ordem do então juiz Sérgio Moro.
Em 2015, Cunha foi elogiado por 28 deputados na CPI da Petrobras, apesar de denúncias de contas não declaradas na Suíça, configurando quebra de decoro parlamentar.
As revelações das mensagens de Cid reforçam a complexa rede de influências políticas e judiciais no entorno de Bolsonaro, expondo como figuras como Cunha buscavam apoio para driblar sanções e retornar ao cenário político.












