Vereador questiona vencimentos do parlamentar de “férias” na Câmara morando nos EUA e enquanto atua contra interesses brasileiros
Brasília, 26 de julho de 2025
Um vídeo que circula nas redes sociais mostra o deputado federal licenciado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) chamando o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de “chefe” durante uma suas lives atacando o Brasil.
O registro, divulgado pelo influenciador digital e cientista geopolítico Vinicios Betiol na plataforma de microblog X, nesta sexta-feira (25/jul), sugere que Eduardo cometeu um ato falho, corrigindo-se rapidamente ao perceber o deslize.
A declaração foi feita pelo parlamentar que se mudou para os Estados Unidos para iniciar ações coordenadas com apoiadores de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), réu no STF (Supremo Tribunal Federal), acusado de liderar tentativa de golpe de Estado e plano para matar autoridades, incluindo o Presidente Lula.
Eduardo admitiu ter articulado junto ao governo americano para pressionar por sanções contra o Brasil, incluindo tarifas de 50% sobre produtos brasileiros.
A fala de Eduardo Bolsonaro gerou forte reação nas redes sociais, com destaque para o comentário do vereador Leonel de Esquerda, que questionou: “Se o chefe dele é o Trump, por que a gente ainda paga o salário desse vagabundo?“
Se o chefe dele é o Trump porque a gente ainda paga o salário desse vagabundo? https://t.co/sB8hZHJc21
— Leonel de Esquerda (@leonelquerino) July 26, 2025
A crítica aponta para o fato de que o salário dos parlamentares, incluindo o de Eduardo, é pago com dinheiro público, proveniente dos impostos arrecadados de todos os brasileiros.
Esses recursos, geridos pelo governo federal por meio do orçamento público, sustentam os salários e benefícios dos deputados, que são eleitos pelo voto popular para representar os interesses da sociedade no Congresso Nacional.
A atuação de Eduardo contra o Brasil, enquanto recebe esses recursos, intensificou o debate sobre a responsabilidade dos parlamentares na gestão do dinheiro público.
A indignação nas redes sociais reflete a percepção de que Eduardo Bolsonaro, ao se alinhar com Trump e apoiar medidas que prejudicam a economia brasileira, como as tarifas anunciadas, não cumpre o papel esperado de um representante eleito.
Parlamentares são escolhidos para defender os interesses da população e devem ser responsáveis na gestão dos recursos públicos, que pertencem a todos os cidadãos.
A BBC News Brasil relatou que 78% dos comentários analisados nas redes sociais repudiaram as tarifas e a atuação da família Bolsonaro, especialmente de Eduardo, que se mudou para os EUA em fevereiro de 2025 para pressionar por sanções contra autoridades brasileiras, como o ministro Alexandre de Moraes.
Essa estratégia, segundo analistas, pode ter sido um “tiro no pé” para o bolsonarismo, já que contraria o discurso nacionalista que defendem.
A polêmica reforça a cobrança por transparência e eficiência na atuação dos parlamentares, que, embora eleitos pelo povo, dependem de recursos públicos para exercerem seus mandatos.
A postura de Eduardo Bolsonaro, que, conforme matéria no Estadão, admitiu ter discutido as tarifas com o governo Trump antes do anúncio oficial, gerou acusações de traição aos interesses nacionais
A voz de Leonel de Esquerda se junta à de outros críticos que questionam o uso de impostos para financiar um deputado que age contra o Brasil.
Ainda que silenciosamente, a sociedade exige que representantes priorizem o bem-estar coletivo, reforçando a importância de fiscalizar a gestão do dinheiro público e o compromisso com a soberania nacional.
Salário de Eduardo Bolsonaro
Eduardo Bolsonaro anunciou em março de 2025 que se licenciaria do mandato na Câmara dos Deputados por 122 dias, sem remuneração, para permanecer nos Estados Unidos, alegando dedicar-se a “buscar sanções aos violadores de direitos humanos“.
Sua licença terminou em 20 de julho e informações de fontes apontam registros de que ele recebeu salário integral de R$ 46.366,19 em março, antes da formalização da licença, e continuou a receber verbas como auxílio-moradia até pelo menos março, mesmo estando nos EUA desde 27 de fevereiro.
Após o término da licença, Eduardo Bolsonaro não retornou ao Brasil e declarou que não renunciará ao mandato, voltando a receber o salário a partir de 21 de julho de 2025, já que o retorno da licença é automático.
Durante o recesso, não são contabilizadas faltas, mas, a partir do retorno das sessões, ele poderá acumular faltas não justificadas, que, se excederem um terço das sessões anuais, podem levar à perda do mandato.
O líder do PT na Câmara, Lindbergh Farias, protocolou um pedido em 21 de julho de 2025 à Presidência da Câmara, solicitando a suspensão cautelar do mandato de Eduardo e o bloqueio de seu salário, argumentando que ele tem atuado nos EUA contra interesses nacionais, utilizando o prestígio do cargo para atacar o Supremo Tribunal Federal (STF) e o governo brasileiro.
O PT aponta que Eduardo estaria envolvido em articulações que levaram a sanções comerciais, como tarifas de 50% impostas pelos EUA sobre exportações brasileiras, o que é considerado hostil ao Brasil.
Há também duas representações no Conselho de Ética da Câmara pedindo a cassação de seu mandato por “violação ao decoro, traição à soberania nacional e abuso de prerrogativas constitucionais“.
A Procuradoria-Geral da República (PGR) abriu um inquérito para investigar suas ações nos EUA, mas o STF rejeitou pedidos de apreensão de seu passaporte. Não há confirmação de que a Presidência da Câmara tenha acatado o pedido de bloqueio de salário até o momento.
Caso Eduardo não retorne e continue acumulando faltas, ele pode manter o salário até que as ausências ultrapassem o limite permitido, a menos que medidas disciplinares sejam tomadas.
O suplente, Missionário José Olímpio (PL-SP), assumiu a vaga durante a licença e pode continuar caso Eduardo perca o mandato.








