Deputado ainda mantém vínculo, mas“cessação do afastamento” ocorre com a exclusão da vida pública na casa legislativa e filho do condenado recebe ultimato para voltar à rotina policial
Brasília (DF) · 02 de janeiro de 2026
A Polícia Federal (PF) emitiu uma determinação oficial para que Eduardo Bolsonaro (PL-RJ), filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, reassuma imediatamente seu cargo de escrivão na corporação, sediado no Rio de Janeiro.
Publicada no Diário Oficial da União (DOU) nesta sexta-feira (02/jan), a ordem reconhece a perda do mandato parlamentar do ex-deputado, cassado por excesso de faltas, e alerta para possíveis punições administrativas caso haja descumprimento.

Essa medida surge em meio à estada de Eduardo nos Estados Unidos desde fevereiro de 2025, onde ele busca alternativas como um passaporte apátrida após a invalidação de seu documento diplomático pela Câmara dos Deputados.
Eduardo Bolsonaro ingressou na PF como escrivão em 2010, após aprovação em concurso público. Nesse papel, ele é responsável por tarefas essenciais na burocracia investigativa, como redigir autos de prisão, mandados e termos de fiança, além de controlar bens apreendidos, acompanhar delegados em diligências e gerenciar prazos processuais.
Diferente do agente, que prioriza ações ostensivas e de campo, o escrivão atua como elo entre operações policiais e formalidades jurídicas, garantindo a validade documental dos inquéritos. Pode, eventualmente, dirigir viaturas ou participar de missões de inteligência, mas foca na organização administrativa e na custódia de provas.
O afastamento do cargo na PF ocorreu para o exercício de mandatos parlamentares, iniciando-se efetivamente em 2015, quando Eduardo assumiu seu primeiro mandato como deputado federal – eleito em 2014 e reeleito em 2018 e 2022.
Esse período soma cerca de 11 anos até o momento atual, embora fontes iniciais estimem em torno de 10 anos, considerando possíveis licenças prévias. Durante esse tempo, ele não recebeu remuneração da PF, conforme licença sem vencimentos típica para servidores em cargos eletivos, priorizando o salário de deputado.
De acordo com dados da CNN Brasil, desde que assumiu o mandato como deputado federal, Eduardo não recebia salário como escrivão.
No entanto, após a cassação em 18 de dezembro, pela Mesa Diretora da Câmara, sob presidência de Hugo Motta (Republicanos-PB), ele ficou sem renda parlamentar a partir de julho de 2025, acumulando inclusive uma dívida de R$ 13.941,40 com a Câmara por faltas em março de 2025, como revelado pelo UOL.
Quanto ao salário mensal ao retornar, Eduardo deve receber conforme a estrutura remuneratória da PF para escrivães, que varia por classe de progressão na carreira.
Para novos ingressantes na terceira classe, o valor inicial é de R$ 14.164,81 em 2025, com reajuste previsto para R$ 14.710,10 em maio de 2026, segundo o portal Profissão Policial.
Veteranos como ele, com 16 anos de serviço desde 2010, podem alcançar classes superiores: segunda classe em torno de R$ 15.377,21, primeira classe R$ 17.997,59 e classe especial até R$ 21.987,38 a partir de maio de 2025, conforme tabela divulgada pela Rota Estratégica.
Em casos de progressão máxima, valores podem chegar a R$ 25.250,00 para escrivães na classe especial, incluindo benefícios como auxílio-alimentação de R$ 658, de acordo com o Aprova Concursos.
A progressão considera tempo de serviço e avaliações, mesmo durante afastamentos, mas depende de confirmações individuais pela PF.
Essa remuneração reflete a valorização das carreiras policiais, com reajustes recentes aprovados em lei federal para 2025 e 2026.
A cassação de Eduardo ocorreu paralelamente à de Alexandre Ramagem (PL-RJ), esta última por ordem do Supremo Tribunal Federal (STF). No caso de Eduardo, o motivo foram faltas excessivas, sem relação direta com investigações judiciais.
A determinação da PF, assinada pelo diretor de gestão de pessoas, enfatiza a necessidade de retorno imediato à unidade de origem, sob risco de sanções disciplinares.
Essa transição destaca os desafios de servidores públicos que alternam entre funções executivas e políticas, expondo vulnerabilidades financeiras pós-mandato.
As informações salariais baseiam-se em editais oficiais de concursos da PF de 2025, disponíveis no site do Governo Federal, garantindo transparência e atualização.

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