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Suspeitos de lucro milionário com tarifas Trump, Eduardo e Figueiredo podem se dar mal por suposto insider trading

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    Alexandr Wang
    Eduardo Bolsonaro e Paulo Figueiredo, em Washington – Foto postada em 2 de abril de 2025 no X


    Pena para o crime varia de 1 a 5 anos de prisão; deputado e influenciador podem ter vazado informações privilegiadas gerando ganhos bilionários no mercado financeiro



    Brasília, 23 de julho de 2025

    Uma investigação conduzida pelo Supremo Tribunal Federal (STF), sob o comando do ministro Alexandre de Moraes, coloca o deputado licenciado Eduardo Bolsonaro e o influenciador Paulo Figueiredo no centro de um possível esquema de insider trading – uso de informações privilegiadas para lucrar no mercado financeiro.

    A suspeita é que ambos tenham tido acesso antecipado ao anúncio de tarifas de 50% impostas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, contra produtos brasileiros, permitindo operações que renderam milhões de dólares ao apostar contra o real.

    A Advocacia-Geral da União (AGU) acionou a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e a Polícia Federal para apurar o caso, que pode ser um dos maiores escândalos financeiros do Brasil.

    O que aconteceu no mercado?

    No dia 9 de julho, às 13h30 (horário de Nova Iorque), uma operação bilionária movimentou entre US$ 3 bilhões e US$ 4 bilhões em compras de dólares a um câmbio de R$ 5,46. Três horas depois, às 16h17, Trump anunciou em suas redes sociais a imposição de uma tarifa de 50% sobre importações brasileiras, alegando retaliação à perseguição ao ex-presidente Jair Bolsonaro e práticas comerciais desleais.

    Imediatamente após o anúncio, a mesma posição em dólares foi vendida a R$ 5,60, gerando lucros estimados entre 40% e 50%, segundo Spencer Hakimian, gestor do fundo Tolou Capital Management, conforme noticiou a agência de notícias Reuters.

    Hakimian destacou que o timing da operação sugere acesso a informações confidenciais, uma vez que o movimento foi “muito preciso” para ser coincidência.

    “Esse tipo de operação só é possível com vazamento direto de autoridades com acesso à decisão”

    Spencer Hakimian (gestor do fundo Tolou Capital Management)

    As declarações suspeitas de Paulo Figueiredo

    O influenciador Paulo Figueiredo, próximo à família Bolsonaro, alimentou as suspeitas ao comentar o caso em uma live no dia 17 de julho.

    “Se eu atuasse no mercado financeiro, eu estaria simplesmente apavorado com a possibilidade de sanções econômicas dos Estados Unidos”, disse, repetindo duas vezes: “Eu tô avisando”.

    Ele também mencionou que “inúmeros empresários grandes” vinham conversando com ele e Eduardo Bolsonaro, sugerindo que informações sobre as tarifas poderiam estar circulando antes do anúncio oficial.

    Essas declarações foram interpretadas pelo STF como um possível indício de articulação para manipular o mercado financeiro e pressionar o Judiciário brasileiro.

    Figueiredo, que vive na Flórida, e Eduardo Bolsonaro, radicado nos EUA desde março de 2025, têm mantido contatos frequentes com figuras próximas a Trump, como Jason Miller, estrategista da campanha de 2024, e Steve Bannon, aliado de longa data do ex-presidente americano.

    A conexão com a política e o STF

    A investigação vai além do mercado financeiro. O procurador-geral da República, Paulo Gonet, aponta que as ações de Eduardo Bolsonaro nos EUA têm o objetivo de desestabilizar as instituições brasileiras, especialmente o STF, para beneficiar seu pai, Jair Bolsonaro.

    O ex-presidente enfrenta um processo por suposta tentativa de golpe após as eleições de 2022 e foi obrigado a usar uma tornozeleira eletrônica, conforme ordem de Alexandre de Moraes.

    Moraes destacou em despacho que Jair Bolsonaro tenta “condicionar o fim da taxação à sua própria anistia”, sugerindo que as tarifas de Trump seriam uma ferramenta de pressão política.

    O advogado-geral da União substituto, Flávio José Roman, reforçou: “A implementação do aumento de tarifas tem como finalidade criar uma grave crise econômica no Brasil, para gerar pressão política e social no Poder Judiciário”.

    Eduardo Bolsonaro, por sua vez, admitiu em entrevistas nos EUA que busca impor sanções ao Brasil e ao STF, o que o colocou sob investigação por crimes como coação no curso de processo judicial, obstrução da justiça e atentado contra o Estado democrático de Direito.

    Um padrão global de especulação

    O caso brasileiro não é isolado. Spencer Hakimian observou operações semelhantes em outros países alvos de tarifas de Trump. Na África do Sul, por exemplo, uma grande compra de dólares ocorreu minutos antes do anúncio de sanções, seguida de venda após a valorização da moeda.

    Padrões idênticos foram registrados com o euro e o dólar canadense, sugerindo um esquema coordenado para lucrar com informações privilegiadas, informou a Reuters.

    Um episódio marcante ocorreu em 9 de abril, quando Trump publicou que era “um bom dia para comprar” ações. Horas depois, anunciou uma pausa nas tarifas, impulsionando uma alta generalizada no mercado.

    As ações da Trump Media, empresa do ex-presidente, subiram 22,67%, gerando um lucro de US$ 415 milhões (cerca de R$ 2,3 bilhões) em um único dia.

    Esses casos reforçam a suspeita de que aliados de Trump, incluindo Eduardo Bolsonaro e Paulo Figueiredo, podem estar envolvidos em um esquema global de manipulação financeira.

    A renúncia na CVM e os próximos passos

    No Brasil, a investigação enfrenta um obstáculo curioso: João Pedro Nascimento, presidente da CVM e indicado por Paulo Guedes, renunciou ao cargo em 18 de julho, dias antes de a autarquia ser acionada para apurar o caso.

    A saída levanta questionamentos sobre possíveis pressões políticas, dado que Nascimento é próximo ao bolsonarismo.

    O STF, a Polícia Federal e a CVM agora trabalham para determinar se Eduardo Bolsonaro e Paulo Figueiredo apenas transmitiram informações recebidas da Casa Branca ou se integraram uma operação maior, destinada a lucrar e desestabilizar a economia brasileira.

    O crime de insider trading pode levar a penas de 1 a 5 anos de prisão, além de responsabilidades civis e administrativas por prejuízos ao mercado e a investidores, segundo a AGU.

    Um jogo de poder e dinheiro

    O que está em jogo vai além de lucros financeiros. A investigação aponta para o uso da economia como arma política, com possíveis implicações para a soberania brasileira.

    As tarifas de Trump, anunciadas como retaliação à perseguição de Jair Bolsonaro, já causaram reações no Brasil, incluindo protestos em São Paulo, onde uma efígie do ex-presidente americano foi queimada.

    O STF avança nas apurações do caso que expõe as tensões entre política, mercado financeiro e interesses internacionais.

    Se confirmadas as suspeitas, Eduardo Bolsonaro e Paulo Figueiredo podem enfrentar graves consequências legais, e o Brasil terá de lidar com as ramificações de um esquema que mistura chantagem política com especulação financeira em escala global.



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