Estratégia de vitimização e de mobilização das bases prossegue independentemente da situação legal de Jair Bolsonaro e ante o esgotamento da narrativa política do deputado
Brasília, 14 de novembro 2025
O deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) voltou à cena das redes sociais com uma nova rodada de comentários sobre o futuro político do pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, e as eleições de 2026.
A nova argumentação, vista como mais outra “ladainha” do parlamentar, que busca manter a chama da militância acesa, não tardou a gerar reações. A mais notável veio do jornalista e analista político Jeferson Miola, que respondeu ao discurso com um meme viral mostrando uma fumaça branca da Papuda.

A postagem de Eduardo Bolsonaro ocorreu em meio a um contexto jurídico delicado para o ex-presidente Jair Bolsonaro, condenado a mais de 27 anos de prisão por sua participação na tentativa de golpe de estado que culminou nos atos de 8 de janeiro.
Em resposta, Jeferson Miola utilizou a imagem viral que o usuário anexou, a qual mostra a fachada do Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília, com uma chaminé emitindo uma densa fumaça branca, acompanhada das frases: “A fumaça branca já anuncia a chegada do Messias!!!” e “Cela 22 já reservada!!!”.
O meme é uma paródia direta do tradicional ritual do Vaticano, onde a fumaça branca (fumata bianca) é sinalizada para anunciar que os cardeais, reunidos em conclave, chegaram a um consenso e elegeram um novo Papa.
A alusão mordaz de Miola sugere que o destino final e “messiânico” do ex-presidente é justamente a penitenciária.
No vídeo que motivou a reação, Eduardo Bolsonaro tentou traçar a estratégia para o próximo pleito presidencial, enfatizando a polarização e a perseguição que alega ser sofrida pelo seu grupo político. A mensagem de compartilhamento, que acompanha o vídeo, dizia:

“Em 2026 o candidato é Jair Bolsonaro, se isto não ocorrer significa que o sistema venceu uma batalha e estará forte o suficiente para impedir candidaturas anti-establishment ou uma candidatura desta sofrerá muito. Assim, outra certeza é: Lula/PT/Crime organizado estará de um lado e eu estarei do outro. E o regime sabe disso, sabe que somos honestos a nos movimentamos com base em princípios – não negociatas políticas – por isso eles tentam nos derrubar, para que nós votemos em quem esteja se posicionando, ainda que circunstancialmente, do lado oposto a Lula. Essa estratégia é a tática de sucesso de décadas do PSDB em SP, por exemplo. Porém, é dever desmascarar este plano. Todos votaremos em alguém em 2026, não sou irresponsável e não prego o voto nulo, mas também não seremos enganados. Pode até ser, quem sabe, que compremos um gato, mas jamais ludibriados de que seja uma lebre.”
O deputado reitera a tese de que seu pai ainda é o nome para 2026, mesmo com a condenação, e insiste na narrativa de que o “sistema” o persegue para pavimentar o caminho para a eleição de um candidato “apaziguador” que, segundo sua análise, seria uma extensão disfarçada do “establishment” ou até mesmo uma manobra do PT para desviar os votos da direita.
O ataque direto ao PSDB, citando São Paulo, reforça a estratégia de desqualificar qualquer candidatura de centro-direita que possa surgir como alternativa à polarização entre o clã Bolsonaro e o presidente Lula (PT).
O grupo manterá a estratégia de vitimização e de mobilização das bases, independentemente da situação legal de Jair Bolsonaro. A resposta ácida de Jeferson Miola, por outro lado, reflete a percepção de uma parcela da opinião pública e da imprensa sobre o desfecho das ações do ex-presidente e o esgotamento da narrativa política do deputado.
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