Deputado busca atuar à distância, citando crise institucional e pressões contra sua atuação parlamentar no Brasil
Brasília, 29 de agosto de 2025
O deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP), filho do ex-presidente réu no STF (Supremo Tribunal Federal), além de inelegível até 2030, Jair Bolsonaro, formalizou, na quinta-feira (28/ago), um ofício ao presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), solicitando autorização para exercer seu mandato parlamentar remotamente a partir dos Estados Unidos.
O parlamentar, que reside no exterior desde fevereiro deste ano, justifica o pedido alegando “perseguição política e jurídica” que, segundo ele, o impede de retornar ao Brasil e desempenhar suas funções presencialmente.
A solicitação, publicada em suas redes sociais, gerou debates sobre a legalidade e viabilidade de um mandato à distância, especialmente em um contexto de tensões políticas envolvendo o Supremo Tribunal Federal (STF).
No documento, Eduardo Bolsonaro argumenta que sua atuação nos EUA está centrada na “diplomacia parlamentar”, com o objetivo de buscar apoio do governo do presidente Donald Trump para pressionar por anistia aos investigados pelos atos de 8 de janeiro de 2023 e por sanções contra o ministro Alexandre de Moraes, relator das investigações sobre a tentativa de golpe de Estado.
O deputado cita o precedente da pandemia de Covid-19, quando a Câmara permitiu votações remotas, e defende que a atual “crise institucional” justificaria medida semelhante.
“Não se pode admitir que o que foi assegurado em tempos de crise sanitária deixe de sê-lo em um momento de crise institucional ainda mais profunda”, escreveu.
A licença de 120 dias de Eduardo, iniciada em março, expirou em 20 de julho, e sua ausência desde então tem gerado faltas não justificadas.
De acordo com o regimento interno da Câmara, um parlamentar pode perder o mandato se faltar a mais de um terço das sessões ordinárias em um ano, o que pode ocorrer até novembro caso ele não retorne.
Hugo Motta já afirmou que não há previsão regimental para mandatos remotos, e o pedido foi encaminhado à Comissão de Ética da Casa após representações do PT e PSOL solicitarem a cassação do mandato por suposta atuação contra interesses nacionais, segundo o Metrópoles.
Recentemente, a Polícia Federal (PF) indiciou Eduardo e Jair Bolsonaro por suposta coação a autoridades envolvidas no processo da tentativa de golpe, com base em mensagens extraídas de celulares do ex-presidente.
O indiciamento aponta que pai e filho teriam articulado sanções dos EUA contra o Brasil para influenciar o STF.
Eduardo nega as acusações, afirmando que sua atuação visa o “restabelecimento das liberdades individuais”.
A permanência de Eduardo nos EUA também tem impacto político no PL, seu partido, que enfrenta divisões internas.
A decisão de não indicá-lo à presidência da Comissão de Relações Exteriores da Câmara, tomada por Valdemar Costa Neto, presidente do partido, reflete tentativas de evitar atritos com o STF.
Além disso, a narrativa de perseguição política é questionada por opositores, que classificam a ausência do deputado como uma estratégia para manter influência internacional enquanto evita possíveis medidas judiciais no Brasil, conforme mostrou a Folha de S.Paulo.
O caso ganhou repercussão internacional devido à articulação de Eduardo junto a figuras como Paulo Figueiredo, ex-comentarista da Jovem Pan, e aliados de Trump, como Steve Bannon, para pressionar por medidas contra o Brasil.
A controvérsia também alimenta debates sobre a soberania nacional e a relação com os EUA, especialmente após sanções e tarifas impostas pelo governo Trump, que Eduardo defende como ferramentas para pressionar por mudanças no Judiciário brasileiro.








Não tem cabimento, nada de atuar remotamente, tem que esta presente, ou leva falta.
Os comentários estão fechados.