Foto: O encontro de Eduardo Bolsonaro com Donald Trump, no Salão Oval da Casa Branca | Joyce N. Boghosian / White House
Deputado esteve em Washington dias antes do ataque; comitê especial quer apurar ligações internacionais da extrema direita americana
O deputado americano do Partido Democrata de Maryland e membro da Câmara dos Representantes dos Estados Unidos, Jamie Raskin, afirmou, nesta sexta-feira (29/7), a uma comitiva brasileira que está em Washington, que citará o Brasil nas investigações da invasão do Capitólio, em 6 de janeiro de 2021, devido à presença do deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) dias antes, quando se reuniu com pessoas próximas ao então presidente Donald Trump.
Segundo Raskin, o Congresso americano investigará, a partir de agora, as conexões internacionais de sua extrema direita: “… as forças pró-democracia e pró-direitos humanos no Brasil estão com medo de que algo parecido (…) possa acontecer em seu país“, disse, após o encontro, conforme transcrição feita pelo jornal Folha de S. Paulo.
O democrata mencionou, a jornalistas, o nome de um dos fundadores de seu país, “Thomas Paine”, que em 1791 afirmava que o dilema da Humanidade estava entre escolher os Direitos do Homem ou a barbárie. Segundo Raskin, o político e intelectual britânico dizia também “que os EUA seriam um refúgio para pessoas fugindo da opressão política e econômica”. O congressista deseja “que o país cumpra esse papel neste século, derrotando o fascismo e cumprindo um papel de apoiar as democracias, as instituições democráticas e as eleições no mundo todo“.
“Em fevereiro do ano passado, os sites americanos Media Matters e Proof apontaram que Eduardo, filho do presidente Jair Bolsonaro (PL), teria se encontrado com o empresário Michael Lindell e outros aliados de Trump envolvidos no planejamento do ataque ao Congresso“, diz o texto na notícia.
“Na ocasião, o deputado brasileiro negou ter participado de reuniões secretas sobre a invasão. Ele esteve em Washington naquela semana e se encontrou com Ivanka Trump, filha do republicano, e Jared Kushner, marido de Ivanka e assessor do então presidente, no dia 4 de janeiro“, prossegue a matéria.
“A extrema direita ao redor do mundo vem mostrando maciço desrespeito pela democracia e pelas instituições. Fiquei sabendo que o presidente Bolsonaro tem feito críticas públicas ao processo eleitoral e vem promovendo grandes mentiras a respeito disso, o que pode ser um grande prelúdio de uma tentativa de atacar o processo eleitoral ou de colocar-se à margem desse processo, caso perca“, afirmou, ainda, Raskin.
“Essa é uma marca típica de partidos fascistas. Eles acabam incentivando a violência, o que piora a situação. Eu quero ter certeza de que os EUA vão se colocar de forma muito forte ao lado das instituições democráticas no Brasil“, acrescentou.
“A comitiva de 19 entidades brasileiras que se encontrou com Raskin foi a Washington nesta semana para falar sobre o risco de golpe no Brasil e as ameaças de Bolsonaro ao sistema eleitoral“, informou o jornal.
“O grupo – que inclui Artigo 19, Conectas, Comissão Arns, Greenpeace Brasil, Apib (Articulação dos Povos Indígenas do Brasil) e Instituto Vladimir Herzog— teve reuniões no Departamento de Estado e com o senador Bernie Sanders, entre outros parlamentares“.
