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    Intercept solta outra bomba: Eduardo Bolsonaro era um dos gestores dos recursos captados para suposto filme

    O ex-deputado disse ontem que somente “cedeu direitos de imagem” e não tinha controle financeiro. Em mensagens vazadas, o filho do condenado por tentativa de golpe de Estado menciona o “envio de um grande orçamento”

    Eduardo Bolsonaro citando recursos em mensagens divulgadas pelo Intercept Brasil

    Eduardo Bolsonaro citando recursos em mensagens divulgadas pelo Intercept Brasil / Foto: Jessica Koscielniak / Reuters | Imagem reprodução Intercept Brasil

    RESUMO
    URBS MAGNA

    | Brasília (DF)
    15 de maio de 2026

    O deputado federal cassado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) assinou contrato que lhe conferia poder direto sobre a gestão financeira do filme Dark Horse, a cinebiografia de Jair Bolsonaro.

    A revelação, feita nesta sexta-feira (15/mai) pelo The Intercept Brasil , contradiz declaração pública do político e coloca o clã no centro de apurações sobre recursos privados.

    Um documento de produção datado de novembro de 2023 e assinado digitalmente por Eduardo Bolsonaro em 30 de janeiro de 2024 nomeia a GoUp Entertainment, sediada na Flórida, como produtora principal, com Eduardo Bolsonaro e o deputado Mario Frias (PL-SP) como produtores-executivos.

    A função inclui “envolvimento nas considerações estratégicas relacionadas ao financiamento do filme e preparação de informações e documentação para investidores”.

    O contrato também registra que Jair Bolsonaro cedeu “os direitos de história de vida” para o projeto, inicialmente chamado O Capitão do Povo.

    Mensagens obtidas com exclusividade pelo The Intercept Brasil mostram Eduardo Bolsonaro orientando o empresário Thiago Miranda sobre o envio de recursos dos Estados Unidos, em diálogo repassado ao banqueiro Daniel Vorcaro em março de 2025.

    O episódio expõe a tensão entre poder privado e transparência em produções culturais com viés político.

    Enquanto Eduardo Bolsonaro afirmou no Instagram na quinta-feira (14/mai) que apenas cedeu direitos de imagem, o contrato o posiciona com autoridade sobre orçamento e captação — inclusive em minuta de aditivo que o qualifica como financiador.

    A reportagem anterior do mesmo veículo, divulgada em 13 de maio, já havia revelado que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) negociou diretamente com Daniel Vorcaro o repasse de até 24 milhões de dólares (cerca de R$ 134 milhões na cotação da época), dos quais pelo menos 10,6 milhões de dólares foram pagos entre fevereiro e maio de 2025 para o fundo Havengate Development Fund LP, no Texas, controlado por aliados de Eduardo Bolsonaro.

    A Polícia Federal investiga se parte desses recursos custeou despesas do deputado cassado nos Estados Unidos, onde ele reside desde 2025.

    A defesa de Mario Frias negou que Eduardo Bolsonaro tenha exercido a função de produtor-executivo ou recebido valores.

    A GoUp Entertainment afirmou que “não consta um único centavo” de Daniel Vorcaro na produção.

    Flávio Bolsonaro admitiu a negociação, mas negou irregularidades e qualquer destino dos recursos para o irmão.

    Nesta sexta-feira (15/mai), o ministro do Supremo Tribunal Federal Flávio Dino determinou apuração preliminar sobre possível direcionamento de emendas parlamentares a projetos culturais, incluindo Dark Horse.

    A TV Globo noticiou que o STF busca informações sobre R$ 2 milhões destinados por Mario Frias ao Instituto Conhecer Brasil, ligado à sócia da GoUp Entertainment.

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    FAQ Rápido

    1. O que o contrato revela sobre o papel de Eduardo Bolsonaro?
    Ele foi nomeado produtor-executivo com poder sobre financiamento e orçamento do Dark Horse, contrariando sua versão de mera cessão de imagem.

    2. Qual o valor negociado com Daniel Vorcaro?
    Até 24 milhões de dólares, com 10,6 milhões de dólares já pagos em 2025 para fundo ligado a aliados de Eduardo Bolsonaro, conforme documentos do The Intercept Brasil.

    3. Quais investigações estão em curso?
    A Polícia Federal apura destino dos recursos; o ministro Flávio Dino abriu apuração no STF sobre emendas a projetos culturais.

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