Parlamentar intercontinental afirmou que vai “acabar com a brincadeirinha” do ministro do STF, onde seu pai, Jair Bolsonaro, é julgado por tentativa de golpe de Estado, tendo já recebido dois votos pela condenação
Brasília, 10 de setembro de 2025
No último domingo, 7 de setembro de 2025, o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) causou polêmica ao publicar um vídeo em sua conta no X, onde faz ameaças diretas ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, e sua família.
Durante uma videochamada com apoiadores de manifestações bolsonaristas em Curitiba e Porto Alegre, o parlamentar afirmou:
“Eu vou provar para o Alexandre de Moraes que ele encontrou um cara de saco roxo que vai acabar com essa brincadeirinha dele. Moraes, você, a sua mulher, e depois dela, que em breve será sancionado os seus filhos, eu vou atrás de cada um de vocês”.
A declaração, que ecoa a expressão usada por Fernando Collor de Mello em 1991, foi acompanhada de uma justificativa na legenda da publicação, onde Eduardo admite que pode ter se “excedido”, mas defendeu o tom agressivo:
“Só um homem agressivo pode ser pacífico, do contrário a única opção é ser cordeiro”.
Atualmente residindo nos Estados Unidos desde fevereiro, Eduardo Bolsonaro tem articulado sanções contra autoridades brasileiras, incluindo Moraes, a quem é atribuída a aplicação da Lei Magnitsky e a imposição de tarifas de 50% sobre produtos brasileiros pelo governo de Donald Trump.
Junto ao comunicador Paulo Figueiredo, o deputado planeja expandir essa ofensiva à Europa no segundo semestre de 2025, conforme reportado pelo Estadão.
A Lei Magnitsky, considerada uma “pena de morte” financeira, foi utilizada contra Moraes e outros ministros do STF, além de membros do Ministério da Saúde, como forma de pressão política.
A declaração ocorre em um contexto delicado, no decorrer do julgamento de Jair Bolsonaro, ex-presidente e pai de Eduardo, por tentativa de golpe de Estado após as eleições de 2022.
Moraes, relator do caso no STF, também foi alvo de críticas por sua condução de inquéritos relacionados à trama golpista. Na terça-feira (9/set), o ministro rejeitou pedidos de anulação da delação premiada do tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Bolsonaro, reforçando a voluntariedade do acordo.
A Polícia Federal indiciou Eduardo e Jair Bolsonaro em agosto por tentativa de obstrução de Justiça, com base em mensagens e áudios recuperados que sugerem articulações para intimidar autoridades.
A retórica de Eduardo gerou reações nas redes sociais e na imprensa, com alguns sites classificando o discurso como “linguajar miliciano”, e outros destacando a referência à expressão de Collor, lembrando que o ex-presidente sofreu impeachment em 1992.
A ameaça também foi condenada por sua gravidade, especialmente por envolver familiares do ministro, o que intensifica o tom de confronto político no Brasil.
O caso reflete a escalada de tensões entre bolsonaristas e o Judiciário, com Eduardo buscando apoio internacional para pressionar o STF.
A Casa Branca, sob Donald Trump, reforçou o discurso contra Moraes, na segunda-feira (8/set), citando o 203º aniversário da Independência do Brasil e sugerindo possíveis novas retaliações caso o ministro tome decisões contrárias aos interesses defendidos pelo governo americano.
Enquanto isso, o STF segue com o julgamento da trama golpista, e Moraes mantém sua posição firme contra tentativas de deslegitimar o Judiciário.
O QUE VAI ACONTECER COM EDUARDO BOLSONARO
As ameaças proferidas por Eduardo Bolsonaro contra a família de Moraes podem acarretar sérias consequências legais e políticas, considerando o contexto jurídico e político brasileiro.
As possíveis implicações têm base nas informações disponíveis e no ordenamento jurídico brasileiro:
1. Consequências Legais – As declarações de Eduardo Bolsonaro, nas quais ele afirma que irá “atrás” de Alexandre de Moraes, de sua esposa e de seus filhos, podem ser enquadradas em crimes previstos no Código Penal Brasileiro e em outras legislações. Entre as possíveis implicações legais, destacam-se:
Crime de Ameaça (Art. 147 do Código Penal): Ameaçar alguém, por palavra, escrito ou gesto, com o intuito de causar temor, é crime punível com detenção de 1 a 6 meses ou multa. As declarações de Eduardo, que explicitamente mencionam Moraes e sua família, podem ser interpretadas como uma ameaça direta, especialmente por terem sido feitas em público e com tom intimidatório.
Obstrução de Justiça (Art. 344 do Código Penal): A Polícia Federal (PF) já indiciou Eduardo Bolsonaro por tentativa de obstrução de justiça em razão de ações destinadas a interferir no andamento do processo que investiga a suposta trama golpista envolvendo seu pai, Jair Bolsonaro. As ameaças contra Moraes, que é o relator do caso no STF, podem ser interpretadas como uma tentativa de coagir o Judiciário, o que agravaria as acusações contra ele.
Outros Crimes Relacionados: Dependendo da interpretação jurídica, as declarações podem ser enquadradas em crimes contra a honra (como injúria ou difamação) ou até mesmo em incitação à violência, especialmente considerando o contexto de manifestações bolsonaristas e o tom agressivo utilizado.
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Reação Pública: Postagens no X indicam que as ameaças geraram forte reação, com críticos classificando-as como tentativa de obstrução de justiça e ataque à democracia, enquanto apoiadores veem Eduardo como um defensor da “liberdade”. A polarização no debate público pode pressionar o STF a agir rapidamente para evitar a percepção de impunidade.
Investigações e Medidas Judiciais: A PF e o STF podem abrir um inquérito específico ou incluir essas ameaças no inquérito já em curso contra Eduardo por coação no curso do processo, obstrução de investigação e tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito. Medidas cautelares, como proibição de contato com Moraes ou sua família, apreensão de dispositivos eletrônicos, ou até mesmo prisão preventiva, poderiam ser impostas caso o STF entenda que há risco à ordem pública ou ao andamento do processo. Como Eduardo está nos Estados Unidos, a Justiça brasileira poderia solicitar cooperação internacional para notificá-lo ou, em casos extremos, emitir um pedido de extradição, embora isso seja menos provável no momento.
Perda de Mandato: Como deputado federal, Eduardo Bolsonaro está sujeito à cassação de seu mandato por quebra de decoro parlamentar, caso o Conselho de Ética da Câmara dos Deputados considere que suas declarações ferem a conduta esperada de um parlamentar. No entanto, ele está licenciado do cargo desde março de 2025, o que pode complicar a aplicação dessa medida.
2. Consequências Políticas – Relações Internacionais: Eduardo está nos EUA articulando sanções contra Moraes e outras autoridades brasileiras, o que já resultou na aplicação da Lei Magnitsky e em tarifas comerciais impostas pelos EUA ao Brasil. Suas ameaças podem ser usadas como justificativa para novas sanções, mas também podem gerar reações negativas de autoridades brasileiras, como o presidente Lula, que classificou tais articulações como “chantagem inaceitável” e “traição à pátria”.
Repercussão Nacional: As ameaças intensificam a polarização política no Brasil, fortalecendo a narrativa bolsonarista de confronto com o STF, mas também gerando críticas de opositores, que as classificam como ataques à democracia. Isso pode isolar ainda mais Eduardo e seus aliados no cenário político.
Impacto na Base Bolsonarista: As declarações podem mobilizar ainda mais a base de apoiadores de Jair Bolsonaro, que participaram de atos no 7 de setembro pedindo a saída de Moraes e anistia para os envolvidos no 8 de janeiro. No entanto, pesquisas indicam que a pauta da anistia não tem apoio majoritário da população, o que pode limitar o impacto político positivo para Eduardo.
3. Consequências Internacionais – Reações nos EUA: As ameaças de Eduardo podem ser usadas pelo governo de Donald Trump para justificar novas medidas contra o Brasil, como sanções adicionais ou pressões diplomáticas. No entanto, a gravidade das ameaças à família de Moraes pode ser mal vista até mesmo por aliados de Trump, dificultando a narrativa de Eduardo de que está apenas lutando por “liberdades individuais”.
Ofensiva na Europa: Eduardo planeja levar sua campanha contra Moraes para a Europa no segundo semestre de 2025, junto com o comunicador Paulo Figueiredo. As ameaças podem comprometer a credibilidade dessa empreitada, já que autoridades europeias tendem a ser mais cautelosas com discursos que incitam violência ou intimidação.
4. Possíveis Desdobramentos no STF – Ação Imediata de Moraes: Como relator do caso, Alexandre de Moraes pode determinar medidas urgentes, como a inclusão das ameaças no inquérito em curso, a imposição de novas restrições a Eduardo ou até mesmo a solicitação de sua prisão preventiva, caso entenda que há risco iminente.
Julgamento de Jair Bolsonaro: As ameaças ocorrem em um momento crítico, às vésperas da retomada do julgamento de Jair Bolsonaro no STF, marcado para 9 de setembro de 2025. Elas podem ser interpretadas como uma tentativa de influenciar o Judiciário, o que poderia agravar a situação de Jair Bolsonaro, que já enfrenta acusações de tentativa de golpe de Estado e outros crimes.
5. Defesa de Eduardo Bolsonaro – Eduardo admitiu na legenda do vídeo que pode ter se “excedido”, mas justificou suas palavras afirmando que “só um homem agressivo pode ser pacífico, do contrário a única opção é ser cordeiro”. Ele também alega que suas ações nos EUA visam o “restabelecimento das liberdades individuais” no Brasil, negando intenções de interferir em processos judiciais. No entanto, essas justificativas têm sido questionadas por juristas e pela PF, que veem indícios de crimes em suas ações.
6. Contexto e Riscos – Histórico de Confrontos: Eduardo Bolsonaro já foi indiciado pela PF em agosto de 2025 por coação e obstrução de justiça, junto com seu pai, devido a articulações para pressionar autoridades brasileiras via sanções internacionais. As ameaças à família de Moraes reforçam essa linha de ação, aumentando o risco de escalada na crise entre o Judiciário brasileiro e os apoiadores de Bolsonaro.
Assim, as ameaças de Eduardo Bolsonaro contra a família de Alexandre de Moraes podem resultar em consequências graves, incluindo investigações criminais por ameaça e obstrução de justiça, medidas cautelares pelo STF, e até a possibilidade de perda de mandato ou prisão, dependendo da resposta judicial.
No âmbito político, as declarações intensificam a crise entre o bolsonarismo e o Judiciário, além de complicar as relações Brasil-EUA. No entanto, qualquer desdobramento dependerá das decisões do STF, da Procuradoria-Geral da República e da interpretação jurídica das declarações.
Como Eduardo está nos EUA, a execução de medidas judiciais pode enfrentar obstáculos logísticos, mas sua situação jurídica no Brasil tende a se agravar.








O que tinha aquilo roxo hoje está condenado. Esses idiotas são os próximos a terem o mesmo destino
Como pode um parlamentar lutar contra o Brasil (trair), ameaçar autoridades instituídas e não ser cassado e continuar recebendo salários do nosso dinheiro. Só no Brasil mesmo.
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