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“Cai na real, imbecil”, dizem perfis a Eduardo Bolsonaro após “ameaça” de que “sem anistia não haverá eleição”

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    Eduardo Bolsonaro
    Eduardo Bolsonaro em vídeo postado nas redes sociais |11.7.2025| Imagem reprodução


    Apesar do palco dado ao deputado por algumas mídias nacionais, influencers veem-no como o mesmo “coitado” e “golpista” de sempre vivendo em dimensão paralela à realidade institucional do Brasil



    Brasília, 03 de outubro de 2025

    O deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) afirmou, nesta quinta-feira (3/out), que “sem anistia, não haverá eleição em 2026”, condicionando o pleito presidencial à aprovação irrestrita de um projeto de lei que beneficiaria condenados por atos golpistas, incluindo seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

    Ele não disse, contudo, o que acontecerá, ou o que fará, ou por qual motivo o pleito presidencial do ano que vem haveria de ser suspenso, ou seja lá o que for.

    A fala, postada no X, é parte das investidas do deputado intercontinental desde a condenação de seu pai a 27 anos de prisão pela Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF), por planejamento de golpe de Estado pós-eleições de 2022.

    Eduardo, radicado nos Estados Unidos desde fevereiro e alvo de investigações da Procuradoria-Geral da República (PGR), afirmou que “a anistia é o mínimo, é a defesa tolerável da democracia“.

    Em crítica às propostas de redução de penas, Eduardo Bolsonaro disse que “querer flexibilizar a anistia soa como suavizar a vida de ditadores, que só respeitam o que temem“.

    O relator do projeto na Câmara dos Deputados, o deputado Paulinho da Força (Solidariedade-SP) reuniu-se com líderes do PL, como Sóstenes Cavalcante (RJ) e Valdemar Costa Neto, mas defendeu apenas a diminuição de penas, argumentando que uma anistia ampla seria barrada pelo STF, o que não está nada bom para Eduardo Bolsonaro.

    Após a mensagem do filho do condenado no X, mídias, como Estadão, sensacionalizaram o tema e usaram o termo “ameaça” para atrair acessos de leitores, mas outras publicações, como a do Correio Braziliense, apenas viram na narrativa de Eduardo o mesmo tom antidemocrático.

    Nas redes sociais, perfis também identificaram no texto de Eduardo Bolsonaro o mesmo golpismo de sempre, desde que o deputado sugeriu em 2018, “um cabo e um soldado para fechar o STF“, que nunca foi fechado e, para além disso, na atualidade condenou seu progenitor por tentativa de golpe de Estado.

    O comentarista político e sociólogo Rodrigo Luis Veloso enquadrou o parlamentar e o reposicionou, de sua dimensão paralela para a dimensão brasileira mais atual, dizendo que Eduardo Bolsonaro não passa de um “coitado” fora da “real”, além de um baita “imbecil“.

    Outro dono de conta na mesma plataforma, Larry Franklin, usou a mensagem do deputado para fazer uma paródia e situar Eduardo Bolsonaro na dimensão democrática e constitucional do ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes.

    O perfil trocou suas palavras

    de: “A anistia é o mínimo, é a defesa tolerável da democracia. Querer flexibilizar a anistia soa como suavizar a vida de ditadores, que só respeitam o que temem. Sem anistia não haverá eleição em 2026“.

    para: “Anistia é o máximo, é a defesa tolerável do golpismo. Querer flexibilizar a impunidade soa como suavizar a vida dos golpistas, que só respeitam o que temem. Com anistia haverá nova tentativa de golpe em 2026“.

    Em setembro, a Câmara dos Deputados, sob Hugo Motta (Republicanos-PB), aprovou urgência da votação do PL 2162/2023, de autoria de Marcelo Crivella (Republicanos-RJ), que propõe anistia ampla a manifestantes de motivação política desde outubro de 2022, excluindo apenas crimes hediondos ou doações acima de R$ 40 mil.

    O relator, Paulinho da Força (Solidariedade-SP), prometeu um texto sem “anistia total”, focando em reduções de penas para evitar inconstitucionalidade, mas aliados de Jair Bolsonaro insistem em incluir o ex-presidente, condenado a 27 anos pelo STF por trama golpista.

    Protestos massivos em todas as capitais no dia 21 de setembro, convocados por movimentos de esquerda, rejeitaram a proposta ao lado da PEC da Blindagem, reunindo artistas e políticos contra o que chamam de “impunidade antidemocrática”.

    O embate de Eduardo Bolsonaro sinaliza uma escalada: com mais de 600 condenados pelo STF e alertas de ministros como Alexandre de Moraes de que crimes contra a democracia são impassíveis de perdão, a anistia pode colidir com cláusulas pétreas da Constituição.



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