Apesar do palco dado ao deputado por algumas mídias nacionais, influencers veem-no como o mesmo “coitado” e “golpista” de sempre vivendo em dimensão paralela à realidade institucional do Brasil
Brasília, 03 de outubro de 2025
O deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) afirmou, nesta quinta-feira (3/out), que “sem anistia, não haverá eleição em 2026”, condicionando o pleito presidencial à aprovação irrestrita de um projeto de lei que beneficiaria condenados por atos golpistas, incluindo seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Ele não disse, contudo, o que acontecerá, ou o que fará, ou por qual motivo o pleito presidencial do ano que vem haveria de ser suspenso, ou seja lá o que for.
A fala, postada no X, é parte das investidas do deputado intercontinental desde a condenação de seu pai a 27 anos de prisão pela Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF), por planejamento de golpe de Estado pós-eleições de 2022.
Eduardo, radicado nos Estados Unidos desde fevereiro e alvo de investigações da Procuradoria-Geral da República (PGR), afirmou que “a anistia é o mínimo, é a defesa tolerável da democracia“.
Em crítica às propostas de redução de penas, Eduardo Bolsonaro disse que “querer flexibilizar a anistia soa como suavizar a vida de ditadores, que só respeitam o que temem“.
O relator do projeto na Câmara dos Deputados, o deputado Paulinho da Força (Solidariedade-SP) reuniu-se com líderes do PL, como Sóstenes Cavalcante (RJ) e Valdemar Costa Neto, mas defendeu apenas a diminuição de penas, argumentando que uma anistia ampla seria barrada pelo STF, o que não está nada bom para Eduardo Bolsonaro.
Após a mensagem do filho do condenado no X, mídias, como Estadão, sensacionalizaram o tema e usaram o termo “ameaça” para atrair acessos de leitores, mas outras publicações, como a do Correio Braziliense, apenas viram na narrativa de Eduardo o mesmo tom antidemocrático.
Nas redes sociais, perfis também identificaram no texto de Eduardo Bolsonaro o mesmo golpismo de sempre, desde que o deputado sugeriu em 2018, “um cabo e um soldado para fechar o STF“, que nunca foi fechado e, para além disso, na atualidade condenou seu progenitor por tentativa de golpe de Estado.
O comentarista político e sociólogo Rodrigo Luis Veloso enquadrou o parlamentar e o reposicionou, de sua dimensão paralela para a dimensão brasileira mais atual, dizendo que Eduardo Bolsonaro não passa de um “coitado” fora da “real”, além de um baita “imbecil“.
Coitado. Cai na real, imbecil
— Rodrigo Luis Veloso (@rodrigoluisvelo) October 2, 2025
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Outro dono de conta na mesma plataforma, Larry Franklin, usou a mensagem do deputado para fazer uma paródia e situar Eduardo Bolsonaro na dimensão democrática e constitucional do ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes.
O perfil trocou suas palavras
de: “A anistia é o mínimo, é a defesa tolerável da democracia. Querer flexibilizar a anistia soa como suavizar a vida de ditadores, que só respeitam o que temem. Sem anistia não haverá eleição em 2026“.
para: “Anistia é o máximo, é a defesa tolerável do golpismo. Querer flexibilizar a impunidade soa como suavizar a vida dos golpistas, que só respeitam o que temem. Com anistia haverá nova tentativa de golpe em 2026“.
Anistia é o maximo, é a defesa tolerável do golpismo. Querer flexibilizar a impunidade soa como suavizar a vida dos golpistas, que só respeitam o que temem.
— Larry Franklin (@LarryLfs) October 2, 2025
Com anistia haverá nova tentativa de golpe em 2026.
Em setembro, a Câmara dos Deputados, sob Hugo Motta (Republicanos-PB), aprovou urgência da votação do PL 2162/2023, de autoria de Marcelo Crivella (Republicanos-RJ), que propõe anistia ampla a manifestantes de motivação política desde outubro de 2022, excluindo apenas crimes hediondos ou doações acima de R$ 40 mil.
O relator, Paulinho da Força (Solidariedade-SP), prometeu um texto sem “anistia total”, focando em reduções de penas para evitar inconstitucionalidade, mas aliados de Jair Bolsonaro insistem em incluir o ex-presidente, condenado a 27 anos pelo STF por trama golpista.
Protestos massivos em todas as capitais no dia 21 de setembro, convocados por movimentos de esquerda, rejeitaram a proposta ao lado da PEC da Blindagem, reunindo artistas e políticos contra o que chamam de “impunidade antidemocrática”.
O embate de Eduardo Bolsonaro sinaliza uma escalada: com mais de 600 condenados pelo STF e alertas de ministros como Alexandre de Moraes de que crimes contra a democracia são impassíveis de perdão, a anistia pode colidir com cláusulas pétreas da Constituição.







