“É improvável que tenhamos golpe, mas também é improvável Bolsonaro aceitando a derrota”, escreve Boulos

Guilherme Boulos | Imagem reprodução Twitter / @GuilhermeBoulos/Twitter


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“Nosso papel não será apenas no dia 2 de outubro. Essa eleição vai exigir engajamento e mobilização de todos nós”, adverte o pré-candidato a deputado federal pelo PSOL



Por Guilherme Boulos
No Twitter, 16/5/2022

Bolsonaro, depois de um “período sabático” em que deixou de falar das urnas eletrônicas, voltou a ameaçar a integridade do processo eleitoral. Nas últimas semanas, atacou de novo o TSE, voltou a falar da “sala secreta”, exigiu militares no processo de apuração de novo…

Conforme Outubro vai se aproximando e ele continua bem atrás de Lula nas pesquisas, Bolsonaro liga o modo desespero. Ataca, agride as instituições e ameaça com o golpe. Visivelmente, ele usa o discurso golpista como cortina de fumaça, uma manobra de distração pra evitar a discussão dos temas que realmente importam pra maioria do povo brasileiro: inflação, desemprego, queda da renda.

Mas não é apenas isso. Não dá pra ignorar que, se Bolsonaro pudesse, se estivesse apenas nas mãos dele, ele já teria dado um autogolpe. Basta ver o 7 de Setembro do ano passado. O bolsonarismo tem um DNA autoritário, herdeiro de Silvio Frota e dos militares da chamada linha dura. Mas o Brasil de hoje não é o mesmo de 1964. Nem o cenário internacional.

Hoje dificilmente um golpe teria apoio externo. O mais provável é que gerasse uma série de sanções e o isolamento do Brasil. Muito diferente de 64, onde os Estados Unidos apoiaram o golpe do início ao fim. Hoje é muito improvável imaginar uma situação em que o comando das Forças Armadas da ativa embarcasse numa aventura golpista do bolsonarismo. Não embarcou até agora, apesar das tentativas.

Agora de aparentemente não existir o risco de golpe tradicional, com tanques nas ruas, não quer dizer que Bolsonaro não vai atuar, como já está atuando, para tumultuar o processo eleitoral, e criar um ambiente golpista. Fará o possível para mobilizar suas milícias políticas e seus seguidores nas polícias militares.

Isso não é suficiente para dar um golpe e virar a mesa, mas é capaz de criar um tumulto no país, a exemplo do que fez Donald Trump com o episódio do Capitólio.

Resumo da ópera: é muito improvável que tenhamos um golpe militar tradicional. Mas também é muito improvável imaginarmos Bolsonaro perdendo as eleições e aceitando a derrota.

Será preciso derrotá-lo nas urnas e nas ruas! Não estamos num processo eleitoral normal. Nosso papel não será apenas no dia 2 de outubro. Essa eleição vai exigir engajamento e mobilização de todos nós. Temos 5 meses para disputar a consciência da sociedade, eleger Lula e derrotar a ameaça bolsonarista. Pra cima deles!

O pré-candidato a deputado federal pelo Partido Socialismo e Liberdade nas eleições de outubro, Guilherme Castro Boulos, é professor, bacharel em filosofia, psicanalista, ativista, político e escritor, além de membro da Coordenação Nacional do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto, sendo reconhecido como uma das principais lideranças da esquerda no Brasil

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