Ex-âncora Don Lemon foi detido por agentes federais na noite de quinta-feira (29/jan), enquanto cobria os Grammy Awards em Los Angeles; jornalista que estava na Cities Church, em St. Paul, em 18 de janeiro – EMISSORA EMITE NOTA DE APOIO
Washington, D.C. (US) · 30 de janeiro de 2026
O ex-âncora da CNN, Don Lemon, foi detido por agentes federais na noite de quinta-feira (29/jan), enquanto cobria os Grammy Awards em Los Angeles.
A prisão, confirmada por seu advogado Abbe Lowell, está ligada à cobertura de um protesto anti-ICE (agência de imigração) ocorrido em 18 de janeiro na Cities Church, em St. Paul, Minnesota.
Fontes estadunidenses indicam que as acusações envolvem violações federais, incluindo possível conspiração para privar direitos e interferência em serviços religiosos, sob a lei FACE Act – uma norma originalmente destinada a proteger clínicas de aborto, mas agora aplicada a igrejas.
De acordo com uma declaração divulgada pelo The New York Times, a detenção revive um caso rejeitado duas vezes por um juiz magistrado federal na semana anterior, que concluiu não haver evidências suficientes de conduta criminosa.
O Departamento de Justiça (DOJ), sob a administração Trump e liderado pela procuradora-geral Pam Bondi, anunciou as prisões em uma postagem no X, afirmando que Lemon, a jornalista independente Georgia Fort e os ativistas Trahern Jeen Crews e Jamael Lydell Lundy foram capturados em conexão com o “ataque coordenado” à igreja.
Bondi descreveu o incidente como uma interrupção deliberada de um culto, elevando tensões entre residentes locais e políticas imigratórias rigorosas.
O advogado Lowell rebateu veementemente em um comunicado postado no Instagram de Lemon: “Esta prisão é um ataque sem precedentes à Primeira Emenda e uma tentativa transparente de distrair das muitas crises enfrentadas por esta administração. Don lutará vigorosamente contra essas acusações no tribunal.”
Ele enfatizou que Lemon, com 30 anos de carreira jornalística, estava apenas documentando o evento, sem afiliação aos manifestantes que interromperam o serviço religioso.
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O protesto, que ocorreu em meio a uma operação de imigração que resultou em mortes de manifestantes pacíficos, atraiu milhares para as ruas de Minneapolis, conforme relatado pelo Al Jazeera.
A CNN, ex-empregadora de Lemon – que o demitiu em 2023 após controvérsias –, emitiu uma nota contundente em defesa:
Essa posição ecoa condenações de grupos de defesa da imprensa, como a Freedom of the Press Foundation, cujo diretor Seth Stern chamou a ação de “um ataque nu à liberdade de imprensa“, conforme reportou o The Guardian.
Outras fontes, como o CBS News, revelam que um grande júri foi convocado na quinta-feira (29/jan), envolvendo o FBI e o Homeland Security Investigations (HSI).
O PBS News destaca que Lemon nega qualquer participação ativa, afirmando estar lá puramente como observador, enquanto o USA Today nota que a FPF rotulou as prisões como “ataques nus à liberdade de imprensa“.
Críticos, incluindo a Committee to Protect Journalists, alertam para um precedente perigoso, com Katherine Jacobsen declarando ao Newsweek: “A prisão de Don Lemon em conexão com sua reportagem sobre um protesto em Minnesota deve alarmar todos os americanos.”
O caso surge em um contexto de escalada nas políticas imigratórias da administração Trump, com o DOJ priorizando investigações sobre interrupções em locais religiosos.
Relatos do The Wrap indicam que Lemon pode enfrentar acusações de conspiração, baseadas em evidências de vigilância prévia ao evento.
No entanto, defensores argumentam que isso equivale a criminalizar o jornalismo investigativo, especialmente em um momento de tensões nacionais sobre soberania de fronteiras e direitos civis.
Nesta sexta-feira (30/jan), o DOJ divulgou que mais de 3 milhões de documentos relacionados ao caso Epstein serão liberados, mas sem conexão direta com Lemon.
Uma conferência de imprensa do vice-procurador-geral Todd Blanche evitou detalhes sobre a prisão, respondendo a uma pergunta de repórter com ironia: “Você quer que eu pule para cima e para baixo?“

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