Análise revela remoção de dados incômodos em meio a tensões políticas, com impactos na compreensão de ameaças internas no país
Brasília, 16 de setembro de 2025
O Departamento de Justiça dos Estados Unidos (DOJ) removeu recentemente de seu site oficial um estudo produzido pelo National Institute of Justice (NIJ), que apontava o extremismo de extrema-direita como a principal fonte de terrorismo doméstico no país.
O documento, intitulado “What NIJ Research Tells Us About Domestic Terrorism”, estava disponível na plataforma do DOJ pelo menos até 12 de setembro, conforme registrado pelo Wayback Machine, mas foi substituído por uma mensagem vaga sobre uma revisão de conteúdos em conformidade com ordens executivas recentes.
Segundo o site estadunidense 404Media.co, o estudo, publicado em 2024, destacava que “o número de ataques de extrema-direita continua a superar todos os outros tipos de terrorismo e extremismo violento doméstico” nos Estados Unidos.
De acordo com os dados analisados, desde 1990, extremistas de extrema-direita cometeram 227 homicídios motivados ideologicamente, resultando em mais de 520 mortes, enquanto extremistas de extrema-esquerda foram responsáveis por 42 ataques semelhantes, com 78 vítimas fatais.
Esses números reforçam uma tendência de longa data, alinhada a pesquisas acadêmicas independentes, mas agora inacessíveis diretamente no site governamental.
A remoção ocorre em um contexto político carregado, logo após o assassinato do comentarista conservador Charlie Kirk, ocorrido na semana anterior.
Em resposta ao crime, o presidente Donald Trump prometeu uma repressão dura contra o que chamou de “retórica radical da esquerda”, culpando-a por incitar violência política e jurando identificar financiadores de organizações supostamente envolvidas.
Em um discurso emocionado, Trump declarou que “a retórica da esquerda radical, comparando conservadores a nazistas e assassinos em massa, é responsável pelo terrorismo”.
O vice-presidente JD Vance, que havia apresentado o podcast de Kirk, ecoou o tom, prometendo combater uma “minoria crescente e poderosa na extrema-esquerda”.
A Procuradora-Geral Pam Bondi, à frente do DOJ sob a administração Trump, não comentou imediatamente sobre a decisão de remoção.
No entanto, fontes próximas indicam que a ação pode estar ligada a uma ordem executiva anterior do presidente, que determinou a eliminação de termos como “diversidade”, “gênero” e “DEI” de materiais governamentais, afetando agências como a NASA e agora o DOJ.
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Outras coberturas aprofundam o impacto. The Intellectualist, em análise também postada hoje, conecta a remoção ao discurso de Bondi fora da Casa Branca, onde ela atribuiu o assassinato de Kirk a “radicais de esquerda”, ignorando estatísticas que mostram extremistas de direita responsáveis por mais da metade das mortes por terrorismo desde 2020.
Críticos veem nisso uma tentativa de suprimir evidências que contradizem a narrativa oficial de priorizar ameaças da esquerda.
Pesquisas recentes em fontes jornalísticas atualizadas revelam um debate fervente sobre o tema. O portal 404 Media, que primeiro noticiou a remoção, nesta terça-feira (16/set), questiona se o DOJ agiu para alinhar dados à agenda política, especialmente após o tweet de Elon Musk, dono do X (antigo Twitter), que prometeu “consertar” seu assistente de IA Grok por citar estudos semelhantes sobre violência de direita, chamando-os de “idiotice cringe”.
Já o Yahoo News, em reportagem do mesmo dia, sugere que a exclusão ignora “incontáveis exemplos” de violência de direita, como ataques supremacistas, e reforça uma distorção narrativa pelo Partido Republicano.
No NewsBreak, a matéria alerta para um “avanço autoritário” ao explorar o luto por Kirk para mirar opositores não violentos, citando o estudo como prova de que “extremistas de direita cometeram mais homicídios ideológicos do que de esquerda ou islâmicos radicais”.
O Nieman Journalism Lab destaca o risco à transparência jornalística, com o jornalista Sarah Scire argumentando que remoções como essa minam a confiança pública em dados oficiais.
No The New Republic, via Politomix, o colunista Malcolm Ferguson observa que, desde janeiro de 2020, terroristas de direita respondem por mais de 50% das mortes por ataques em solo americano, um dado que o DOJ parece agora ocultar.
Um dos coautores do estudo, o acadêmico Steven Chermak, recusou-se a comentar, mas o episódio reacende discussões em fóruns como Reddit e X, onde usuários debatem se isso reflete uma “censura seletiva” para moldar a percepção de segurança nacional.
Especialistas em extremismo alertam que, ao priorizar narrativas políticas sobre fatos, o governo compromete a prevenção real de ameaças, especialmente em um ano eleitoral tenso nos Estados Unidos.
Essa controvérsia sublinha a fragilidade da informação pública em tempos de polarização, onde estudos como o do NIJ poderiam guiar políticas eficazes contra o terrorismo doméstico – mas parecem destinados ao esquecimento digital.







