O romance conta a jornada de uma mulher negra traficada ainda criança do atual Benin para a Bahia e a escola reconta essa história, fala de racismo e de mães que perderam seus filhos
“Após a passagem da Portela pela Sapucaí, o estoque do livro “Um Defeito de Cor”, de Ana Maria Gonçalves, que inspirou o desfile da escola, esgotou no maior site de vendas online!“, informou em sua conta oficial no ‘X‘ a deputada Federal Jandira Feghali (PCdoB-RJ), com base em uma notícia dada pelo jornal ‘O Globo‘, nesta terça-feira (13/2).
Feghali acrescentou, sobre o livro que a ‘Portela‘ ajudou a esgotar: “Que o Brasil inteiro possa conhecer e ler este romance de 952 páginas, que conta a história da diáspora negra no Brasil de forma original e revolucionária, uma obra monumental da nossa literatura, que a ‘Portela’ transpôs para a avenida com sensibilidade arrepiante. Viva Ana Maria Gonçalves, viva o Carnaval, viva a Literatura Brasileira“.
Após a passagem da Portela pela Sapucaí, o estoque do livro “Um Defeito de Cor”, de Ana Maria Gonçalves, que inspirou o desfile da escola, esgotou no maior site de vendas online! Que o Brasil inteiro possa conhecer e ler este romance de 952 páginas, que conta a história da… pic.twitter.com/Jn35wms5qn
— Jandira Feghali 🇧🇷🚩 (@jandira_feghali) February 13, 2024
O ministro dos ‘Direitos Humanos e da Cidadania‘, Silvio Almeida, cujo avô foi o primeiro presidente da escola de samba paulistana ‘Vai-Vai‘, fundada na casa do bisavô, foi um dos destaques do abre-alas da ‘Portela‘, onde representou o advogado abolicionista Luiz Gama.
Segundo o jurista Marcelo Uchôa, em sua conta no ‘X’, “não poderia haver alguém mais legitimado para representar o lendário advogado abolicionista Luiz Gama que o Ministro Silvio Almeida, guardião dos direitos humanos no Brasil“.
Silvio Almeida (@silviolual) Ministro de Direitos Humanos e Cidadania desfilou na Portela como Luiz Gama, filho de Luiza Mahin. #NINJANaAvenida pic.twitter.com/GLCvUvPuv6
— Mídia NINJA (@MidiaNINJA) February 13, 2024
“Saravá, Kehinde! Teu mundo vive!”, canta o samba-enredo da agremiação de Madureira, no Rio de Janeiro. Os versos turbinaram as vendas do livro lançado em 2006, esgotando o estoque no próprio site do Grupo Editorial Record – onde é possível comprar a edição especial da obra, lançada em outubro de 2022, diz o jornal.
Na Amazon, a obra cantada pela azul e branco de Madureira está no topo dos livros mais vendidos, enquanto a edição especial figura em quinta colocação. O preço da obra também decolou. Buscar na internet trazem exemplares disponíveis por até mais de R$ 240.
A Record informou que, diante “da repercussão muito acima do esperado” está repondo o estoque. E que, caso necessário, haverá nova edição do livro para suprir a demanda.
O romance histórico conta toda a jornada de Kehinde, uma mulher negra traficada ainda criança do atual Benin para a Bahia. A escritora criou a personagem com base em pesquisas feitas sobre Luísa Mahin, mãe do poeta Luís Gama, figuras centrais da Revolta dos Malês. A escola reconta essa história, fala de racismo e de mães que perderam seus filhos.
A Portela é apontada como uma das favoritas ao título de melhor escola do Grupo Especial este ano. E já levou prêmios de melhores escola, enredo e personalidade (para histórica porta-bandeira Vilma Nascimento) pelo Estandarte de Ouro, do GLOBO e do Extra.
Ao todo, desde o lançamento, a obra já vendeu mais de cem mil exemplares. Até a publicação da matéria pelo jornal, o site da Livraria Cultura só mostrava disponibilidade da edição especial ou do e-Book. Na página da Leitura, a versão comum contava apenas duas unidades em estoque, enquanto a especial apontava uma.
“De 2017 para cá, o livro “Um defeito de cor” tem vindo numa crescente, acompanhando uma mobilização maior do Brasil em torno das questões raciais, em busca da história não oficial de nosso país colonizado“, diz Livia Vianna, editora executiva do Grupo Editorial Record.
Ela conta que, ao longo do ano passado, houve diversas conversas com a ‘Portela‘, com a autora se aproximando muito da escola, participando de oficinas e clubes de leitura: “Tivemos um evento de autógrafos na Quadra, onde o livro esgotou“, conta. “Bianca Monteiro, Rainha de Bateria, lançou um curso ‘Quem foi Kehinde’, com a participação de Ana Maria Gonçalves, que foi muito bonito“, disse.
Para a autora da obra literária, esse boom em buscas pelo livro se justifica pela potência do carnaval carioca como fonte de conhecimento: “Essa novidade de a gente trazer uma história que é tão nossa para a Avenida, e o samba nos ensina desde sempre. A música é nossa inscrição no mundo. E o samba é o que fala ao brasileiro”, destacou ela em entrevista, após participar do desfile.
Em uma entrevista à EBC, Ana Maria Gonçalves falou de sua obra. O ativista e professor Jota Marques compartilhou o trecho em sua conta no ‘X‘, após a repercussão do desfile da ‘Portela‘, e disse: “Quando assisti nos bastidores à entrevista de Ana Maria Gonçalves, eu tinha certeza de que algo grandioso estava por vir. Levaram 18 anos para que “Um Defeito de Cor” estivesse na boca de milhões de pessoas ao mesmo tempo. Mas hoje, eu queria reencontrá-la para dizer: Você conseguiu“.
Quando assisti nos bastidores à entrevista de Ana Maria Gonçalves, eu tinha certeza de que algo grandioso estava por vir. Levaram 18 anos para que "Um Defeito de Cor" estivesse na boca de milhões de pessoas ao mesmo tempo. Mas hoje, eu queria reencontrá-la para dizer: Você… pic.twitter.com/M7lJzY4W2c
— JOTA MARQUES (@jotamarquesrj) February 13, 2024
