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Diretora do FMI se rende a Lula III: “Brasil tem sido uma boa notícia para a economia mundial”

    O Presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva em Nova Delhi, na Índia, para a reunião do G20, em setembro de 2023 – Foto de Ricardo Stuckert / PR | A diretora do FMI, Kristalina Georgieva, em foto de Mark Wilson /Getty Images | Sobreposição de imagens

    Aqui no Brasil, vocês estão à frente. Vocês estavam à frente no combate à inflação por meio do aumento dos juros e estão à frente na capacidade de ver a inflação baixar a ponto de poder reduzir as taxas“, disse Kristalina Georgieva

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    Em entrevista ao ‘Valor‘, a diretora-gerente do FMI (Fundo Motetário Internacional) – criado para ajudar na reconstrução do sistema monetário internacional, Kristalina Georgieva, elogiou o Brasil governado pela terceira gestão do Presidente da República Federativa do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

    A economista búlgara destacou o bom desempenho econômico do país e as reformas fiscais em andamento, além da mudança do sistema tributário e a iniciativa para ampliar a proteção cambial de projetos sustentáveis, bem como elogiou o novo arcabouço fiscal, fruto do trabalho do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, e sua equipe econômica.

    O Brasiltem uma enorme vantagem comparativa na nova economia do clima e está posicionado para uma transformação ecológica que pode criar novas oportunidades industriais”, disse Georgieva, que, antes, sempre fazia previsões tímidas sobre o crescimento de nosso país, segundo Lula, mas agora ela viu o potencial do governo brasileiro.

    A diretora do FMI está em São Paulo para participar da reunião do G20, com os ministros das Finanças, que começou nesta quarta-feira (28/2), em São Paulo.

    Georgieva disse ainda que o Brasil tem potencial para crescer ainda mais e sugeriu melhoras na qualidade do gasto público e na arrecadação, além de destacar a importância de atrair investimentos e aproveitar as fontes de competitividade, como a energia renovável.

    Em 2023, o país cresceu cerca de 3%, mas espera-se um avanço de 2% ou menos neste ano.

    Aqui no Brasil, vocês estão à frente. Vocês estavam à frente no combate à inflação por meio do aumento dos juros e estão à frente na capacidade de ver a inflação baixar a ponto de poder reduzir as taxas“, disse Kristalina Georgieva, segundo transcrição no ‘Globo‘.

    A diretora sugeriu que os países precisam de “investimentos de médio e longo prazo no contexto de como o mundo está mudando, ou seja, investindo, como o Brasil está fazendo, em transformação ecológica, investindo em capital humano, para que as pessoas sejam mais ágeis nesse novo mundo“.

    No aspecto fiscal, vocês estão muito bem posicionados com um pacote de reformas do governo hoje. E, ao longo dos anos, muito tem sido feito. Mas é claro que o país pode fazer mais, especialmente para atrair capital para investimento e aproveitar as fontes de competitividade, entre as quais a energia verde abundante“, afirmou a diretora do FMI.

    O Brasil tem sido uma boa notícia para a economia mundial, porque superou as projeções, inclusive as nossas, nos últimos anos. Fico muito satisfeita com isso“, disse Georgieva, acrescentando depois que “3% para o Brasil, agora provavelmente abaixo de 2%, em 2024, não é suficiente para a ambição e o potencial do Brasil. Então, o que pode ser feito? Primeiro, o Brasil está realmente fazendo muito para melhorar sua perspectiva de crescimento“.

    “No aspecto fiscal, há um pacote muito determinado de reformas. A reforma do imposto sobre o valor agregado [a reforma tributária, aprovada no fim de 2023], que vai melhorar a perspectiva de crescimento potencial ao longo do tempo”, disse sobre o trabalho do ministro Haddad. “A reforma de como o dinheiro público é usado para estimular mais investimentos privados, especialmente por meio de garantias sobre o risco cambial, além de uma revisão muito importante dos gastos. Desse modo, a qualidade do gasto público pode melhorar”.

    “O Brasil tem uma enorme vantagem comparativa na nova economia climática e está posicionado para uma transformação ecológica que pode criar novas oportunidades industriais. O país é uma potência em energia renovável, o que significa que, em um mundo que está se esforçando para tornar as indústrias verdes, ele pode ser um polo muito atraente”, disse ainda a economista.

    As sugestões da diretora do FMI

    Georgieva fez mais sugestões: “O conceito de usar créditos de carbono para estimular a transformação já está bastante desenvolvido. No aspecto financeiro, a inclusão baseada na inovação digital é impressionante aqui no Brasil – 85% da população usam o PIX. Tudo isso mostra o potencial digital. Seria importante usar ainda mais o fato de que vocês têm acesso à internet muito acima da média para desenvolver a economia digital, além de combinar energia renovável com investimento em habilidades e talentos humanos”.

    “Com isso, é possível tirar proveito da inteligência artificial, porque ela será impulsionada por energia e dados baratos e, é claro, por pessoas qualificadas. Acho também que um aspecto da política que pode ser um grande fator de sucesso no Brasil é o foco na desigualdade. O que nossa pesquisa mostra é que as sociedades mais inclusivas, que promovem a igualdade, têm mais confiança entre as pessoas, nas comunidades e em relação a quem toma as decisões“, sugeriu.

    Os passos tomados [na Economia de Lula 3] são de fato muito promissores, porque reduziram o teto artificial imposto sobre como os gastos públicos podem ser feitos, passando para um intervalo e definindo uma meta para o déficit fiscal. Para este ano, a meta é zero e, até 2026, o objetivo é chegar a um superávit de 1% do PIB. Tudo isso fornece uma estrutura para os tomadores de decisão que é de fato melhor.

    Mas eu gostaria de enfatizar que, no front fiscal, as tarefas mais importantes que temos pela frente são, em primeiro lugar, garantir que a arrecadação de receitas seja justa, que as brechas sejam fechadas e que a tributação distribua o peso das receitas de forma justa por toda a sociedade. Em segundo lugar, a maneira como o dinheiro público é usado, e isso é realmente fundamental. Ele precisa ser usado mais do que no passado para abrir oportunidades de investimento privado, porque, em última análise, é isso que impulsiona as economias.

    Em terceiro lugar, como fazer com que o talento das pessoas seja mais utilizado“.

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