Direita não quer discutir economia e esquerda comete engano ao comprar tema ‘violência’, diz diretor da FGV

‘Violência política’ lidera debates nas redes sociais e desbanca ‘corrupção’, mostra relatório FGV DAPP. O tema que perde força progressivamente movimentou a internet nas eleições de 2018

Marco Aurélio Ruediger, diretor da área de políticas públicas da FGV, avalia que a violência é usada como ferramenta para desgastar o oponente, sem que haja um teor propositivo.

Para ele, a estratégia da direita é inteligente porque tentar afastar debates prejudiciais ao atual governo, como a economia, e busca mobilizar o medo por meio de um discurso emocional relacionado à criminalidade.

Ele considera um erro da esquerda explorar o assunto em vez de focar a economia: “A direita não quer discutir a economia e eu acho que a esquerda comete um engano quando ela compra essa discussão [da violência] de forma muito direta“, afirmou Ruediger.

Menções a assuntos relacionados a violência e criminalidade dispararam no debate eleitoral do Twitter e do Facebook, desbancando o tema da corrupção, que moveu a eleição de 2018, mostra relatório da FGV DAPP (Diretoria de Análise de Políticas Públicas da Fundação Getulio Vargas), conforme divulgou a Folha de S. Paulo.

Somente neste ano, até o dia 18, ocorreram mais de 14 milhões de menções sobre violência e criminalidade contra 6 milhões sobre corrupção no Twitter, revelou o estudo sobre a plataforma que permite esse monitoramento.

De acordo com o texto do jornal sobre o levantamento, parte dessa alta vem de episódios recentes como os assassinatos do indigenista Bruno Pereira e do jornalista Dom Phillips e a morte do guarda municipal e militante petista Marcelo de Arruda, mas também vem de grupos bolsonaristas, ao substituir as críticas de corrupção a Lula por associação do PT ao crime organizado, como o PCC.

Na análise da FGV relativa ao Facebook, entre os principais links sobre violência e criminalidade associados a presidenciáveis destaca-se a presença do Jornal Cidade Online, veículo alternativo de direita que está no inquérito das fake news.

O site ocupa as primeiras posições em volume de engajamento no primeiro semestre, o que para os pesquisadores demonstra “capacidade do campo da direita em construir narrativas sobre o tema em momentos de menor discussão“.

No Facebook, foram identificadas as mesmas transições de narrativas.

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