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Dirceu também seria morto junto com Lula, Alckmin e Moraes, no plano golpista Punhal Verde Amarelo

    Dirceu também seria morto junto com Lula, Alckmin e Moraes, no plano golpista Punhal Verde Amarelo


    José Dirceu


    José Dirceu, mesmo afastado de cargos oficiais, era visto pelos golpistas como uma “eminência parda” do governo Lula, com potencial para liderar a esquerda em caso de ruptura institucional – SAIBA MAIS

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    Brasília, 12 de maio de 2025

    Em 2022, uma trama golpista articulada por militares aliados ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) planejou o assassinato de figuras-chave da política brasileira, sabidamente o presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) e o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes.

    Batizado de “Punhal Verde Amarelo”, o plano, liderado pelo general da reserva Mário Fernandes, utilizava codinomes para os alvos.

    Mas o plano também incluía o ex-ministro José Dirceu (PT), o “Juca”. Lula era o “Jeca” e Alckmin o “Joca”. Moraes, embora sem codinome específico, era considerado o principal alvo, segundo a Procuradoria-Geral da República (PGR).

    As revelações, confirmadas por fontes com acesso às investigações, expõem a gravidade das intenções de setores militares para sabotar a transição democrática após as eleições de 2022.

    O plano previa métodos violentos, como envenenamento e uso de explosivos.

    Para Lula, os conspiradores consideravam sua “vulnerabilidade de saúde e ida frequente a hospitais” para aplicar substâncias químicas que causassem um “colapso orgânico”, dificultando a identificação de um homicídio.

    Alckmin seria eliminado para “extinguir a chapa vencedora”, com os golpistas prevendo “pouca comoção nacional”.

    Moraes seria alvo de artefatos explosivos ou envenenamento em eventos públicos, com armamentos de guerra, como pistolas, fuzis, metralhadoras e lança-granadas, listados no documento.

    A operação “Copa 2022”, parte da trama, chegou a ser iniciada em 15 de dezembro de 2022, mas foi abortada devido ao término antecipado de uma sessão do STF.

    José Dirceu, mesmo afastado de cargos oficiais, era visto pelos golpistas como uma “eminência parda” do governo Lula, com potencial para liderar a esquerda em caso de ruptura institucional.

    Sua “neutralização” era considerada essencial para desarticular planos da “esquerda mais radical”, segundo o documento.

    Um oficial da reserva próximo a Fernandes revelou que Dirceu era percebido como um possível líder da futura gestão petista, justificando sua inclusão na lista de alvos.

    Envolvimento de Bolsonaro e Militares

    A PGR afirma que Bolsonaro teve ciência do plano e “anuiu” à sua execução, embora a Polícia Federal (PF) não registre manifestações explícitas de apoio ou rejeição do ex-presidente.

    Um indício crucial é que Fernandes imprimiu o documento no Palácio do Planalto 40 minutos antes de visitar o Palácio da Alvorada em 9 de novembro de 2022, sugerindo que o plano foi apresentado ao então presidente.

    Reuniões estratégicas na casa do general Walter Braga Netto, ex-ministro e candidato a vice de Bolsonaro, também foram citadas, com a participação de militares como Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Bolsonaro.

    Um “Gabinete de Crise” seria instituído pós-golpe, liderado pelos generais Augusto Heleno e Braga Netto, para gerenciar a “legalidade e estabilidade institucional”.

    A PF identificou 35 militares envolvidos, incluindo 10 generais e 16 coronéis, com Fernandes como figura central.

    Cinco pessoas, incluindo o general, foram presas na Operação Contragolpe, deflagrada em 19 de novembro de 2024.

    A Primeira Turma do STF transformou Fernandes e outros cinco acusados em réus por tentativa de golpe de Estado, abolição violenta do Estado Democrático de Direito e organização criminosa.

    O advogado de Fernandes, Marcus Vinicius Figueiredo, alega que o plano nunca foi compartilhado, mas a PGR contesta, apontando evidências de sua disseminação.

    Procurado, José Dirceu optou por não comentar as revelações.

    Sua influência no PT, mesmo após anos afastado do governo, reforça sua relevância como alvo dos golpistas.

    Pré-candidato à Câmara Federal em 2026, Dirceu segue como uma figura central na esquerda brasileira, o que, segundo analistas, explica a obsessão da extrema-direita em eliminá-lo.

    A trama expõe a radicalização de setores militares no final do governo Bolsonaro, culminando nos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023.

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