Brasília (DF)
09 de setembro de 2026
O ministro Flavio Dino determinou nesta quarta-feira (09/set) a volta imediata de Andrei Rodrigues à Diretoria-Geral da Polícia Federal e de Leandro Almada à Diretoria de Inteligência Policial. A ordem reverte o afastamento imposto na véspera por André Mendonça e recoloca no centro da crise o limite entre decisão judicial e interferência na investigação.
O jornalista Tiago Barbosa, articulista do Brasil 247 e do DCM, resumiu o recado em publicação no X: “A decisão de Flavio Dino de reintegrar os diretores da PF não é só uma medida de reparação judicial contra um afastamento bizarro e eleitoreiro imposto por um ministro político. É uma aula. De direito, a Mendonça. De coragem, a Fachin.”
O que Flavio Dino determinou?
Segundo a CNN Brasil, a Agência Brasil e o g1, Dino atendeu a pedido do próprio diretor-geral no processo em que relata suspeitas de irregularidades em emendas ligadas ao filme Dark Horse, sobre Jair Bolsonaro.
A decisão:
- determina ao presidente da República a reintegração imediata de Andrei Augusto Passos Rodrigues e de Leandro Almada da Costa;
- restabelece o funcionamento da Diretoria de Inteligência Policial;
- veda novas medidas cautelares pessoais contra os dois fundadas só em atos do exercício regular da função;
- envia o tema, com exclusividade, ao plenário do STF.
A Reuters registrou que a liminar tem efeito imediato e depende de referendo do colegiado.
Por que Mendonça afastou a cúpula da PF?
Na terça-feira (08/set), André Mendonça afastou preventivamente Rodrigues e Almada após requerimento do Partido Novo. O ministro alegou monitoramento irregular e o que chamou de “arapongagem institucional” contra ele e contra o advogado-geral da União, Jorge Messias, a partir de relatórios de inteligência usados por Alexandre de Moraes.
A Folha de S.Paulo e o g1 informaram que a Segunda Turma chegou a formar maioria para referendar o afastamento, com votos de Luiz Fux e Nunes Marques. O julgamento foi interrompido por pedido de vista de Gilmar Mendes.
O Urbs Magna já havia registrado, na terça-feira (08/set), o afastamento e o anúncio de que o governo recorreria.
Quais argumentos Dino usou para anular o afastamento?
O primeiro eixo é processual. Dino escreveu, conforme a Agência Brasil, que o Partido Novo “não possui legitimidade para requerer medidas cautelares em investigações criminais ou processos penais”, porque o Código de Processo Penal não inclui partido político entre os legitimados.
No g1, o ministro afirma que o vício “macula integralmente a ordem judicial determinada”.
O segundo eixo é de competência. Edson Fachin já havia aberto procedimento para o plenário examinar os relatórios de inteligência. Para Dino, a liminar de Mendonça atropelou esse rito.
O terceiro eixo é o risco às apurações. Dino disse que a interrupção da inteligência e a troca abrupta da direção produzem “caos administrativo” e podem travar diligências sob sua relatoria, inclusive as do caso Dark Horse, segundo o Estadão e o O Globo.
Há ainda a crítica direta à imparcialidade da medida. Na CNN Brasil, Dino afirma que direitos de quem se sente atingido “não podem converter-se em fundamento para a prolação de decisão em causa própria”. Em outra passagem, questionou: “Indaga-se: uma parte pode ser juiz de si mesma e antecipar juízos de valor sobre relatórios da Polícia Federal que expressamente a mencionam?”
O ministro lembrou revelações de encontro de Mendonça com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro no início de 2025. Ressalvou não fazer juízo de valor sobre o encontro, mas classificou a interferência na PF como ainda mais grave nesse quadro.
IMPORTANTE: A decisão de Dino não encerra a crise no STF e não julga o mérito das acusações cruzadas entre André Mendonça e Alexandre de Moraes. Ela devolve os dois delegados aos cargos, impede novo afastamento fundado só no exercício regular da função e reserva ao plenário a palavra final. Também não equivale, por si, a condenação ou absolvição de qualquer ministro.
O que o comentário de Tiago Barbosa acrescenta?
Antes do post principal, Barbosa já havia escrito: “Ministro Flavio Dino age com a coragem necessária do cargo, reverte a decisão estapafúrdia de Mendonça e reintegra Andrei Rodrigues ao comando da PF. Ainda há juízes em Brasília.”
A segunda mensagem, a que estrutura esta matéria, separa dois alvos. A “aula de direito” aponta para o que Dino descreveu como ilegitimidade do Novo, invasão de competência do plenário e decisão em causa própria. A “aula de coragem” a Fachin cobra do presidente da Corte uma resposta à altura da tensão institucional, depois de o próprio Fachin ter pedido explicações e dado 72 horas para Mendonça se manifestar sobre o recurso da AGU.
O comentário é uma síntese política de um conflito jurídico já documentado nas decisões: o jornalista não cria o fato; traduz o recado que a própria liminar de Dino endereçou à Corte e à campanha de 2026.
Como a crise chegou a este ponto?
O choque não começou na terça-feira (08/set). Relatórios extraídos do celular de Daniel Vorcaro cruzaram Moraes, Mendonça, a PGR e a PF. Moraes pediu apuração sobre a conduta de Mendonça no Banco Master e no INSS. Mendonça retirou sigilo de material que atinge Moraes. Fachin tentou concentrar a resposta no plenário, como o Urbs Magna registrou no início de setembro.
Nesse ambiente, o afastamento da cúpula da PF foi lido por críticos como movimento com efeito eleitoral. Presidenciáveis reagiram. Flavio Bolsonaro disse que o Brasil “virou várzea”. Romeu Zema, do Novo, falou em “Brasil dos intocáveis” e reiterou o pedido de prisão, segundo o g1.
O que acontece agora?
A palavra formal cabe a Edson Fachin e ao plenário. Enquanto isso, a ordem vigente é a de Dino, por ser posterior. O ministro alertou que resistência ao cumprimento pode configurar ilícito.
A cobertura da CNN Brasil e os registros em vídeo da decisão circulam enquanto a Corte decide se o conflito permanece no campo monocrático ou volta, de fato, ao colegiado.
FAQ rápido
Dino cassou a decisão de Mendonça em caráter definitivo?
Não. Determinou reintegração imediata e submeteu o caso ao plenário do STF.
Por que o Partido Novo entrou na decisão?
Porque o pedido de afastamento partiu da legenda. Dino afirmou que partido político não tem legitimidade para requerer cautelar penal nesse formato.
O que Tiago Barbosa quis dizer com “aula de coragem a Fachin”?
No post de quarta-feira (09/set), o jornalista contrastou a liminar de Dino com a prudência até agora adotada pela presidência da Corte diante do racha entre ministros.
SIGA NAS REDES SOCIAIS

![]()
Compartilhe via botões abaixo:

O tempo do Mendonça no STF minou, chegou o fim, é impossível trabalhar ao lado de um traidor, protetor de bandidos, sem compromisso com a verdade
Em 2019, um ministro do STJ livrou o racha do processo das rachadinhas na ALERJ; Agora um ministro terrivelmente evangélico quer livrar o filho do rato do caso do banco master!!