Parlamentar tentou esconder provas durante Operação Igapó; buscas em duas capitais ocorrem por suspeita de esquema milionário de fraudes em licitações e lavagem de dinheiro envolvendo emendas parlamentares
Brasília, 16 de dezembro 2025
A Polícia Federal deflagrou nesta terça-feira (16/dez) a Operação Igapó, que cumpriu 31 mandados de busca e apreensão nos estados do Pará e no Distrito Federal.
O principal alvo é o deputado federal Antônio Doido (MDB-PA), investigado por suposta participação em organização criminosa responsável por desvios de recursos públicos, segundo a CNN Brasil.
Segundo a investigação, o grupo atuava por meio de fraudes em processos licitatórios, direcionando contratos para empresas ligadas aos envolvidos.
Parte dos valores desviados teria sido usada para pagamento de propinas e ocultação de patrimônio, configurando os crimes de corrupção ativa e passiva, corrupção eleitoral, crimes contra a administração pública, lavagem de dinheiro e associação criminosa.
A operação foi autorizada pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF).
Durante o cumprimento de mandado na residência do parlamentar, Antônio Doido teria tentado descartar celulares pela janela para evitar a apreensão de provas, conforme relataram fontes próximas à operação ao portal TNH1.
O gesto, captado pelos agentes, reforça a gravidade das suspeitas e indica possível tentativa de obstrução à justiça.
O caso atual guarda relação com investigações anteriores que já colocavam o deputado no centro de suspeitas sobre o uso indevido de recursos públicos.
Em junho, a Procuradoria-Geral da República (PGR) abriu inquérito após a apreensão de R$ 6 milhões em espécie com aliados próximos, em valores que teriam ligação com desvios de emendas parlamentares, conforme mostrou o jornal O Estado de S. Paulo. Mensagens interceptadas na época indicavam o parlamentar como possível ordenador de pagamentos.
Mais recentemente, em novembro, empreiteiras supostamente ligadas a Antônio Doido venceram licitações de quase R$ 300 milhões no Pará, incluindo obras relacionadas à preparação para a COP30, o que motivou novas apurações da PGR sobre indícios de fraude, segundo levantamento do Ranking dos Políticos.
No início de dezembro, a Justiça Eleitoral declarou o deputado inelegível por oito anos, até 2032, por abuso de poder econômico ao utilizar emendas e eventos públicos para autopromoção durante a campanha, decisão ainda passível de recurso, conforme reportagem do g1.
Antônio Leocádio dos Santos, conhecido politicamente como Antônio Doido, é empresário, ex-prefeito de São Miguel do Guamá (PA) e foi eleito deputado federal em 2022 com mais de 126 mil votos.
Filiado ao MDB, integra comissões ligadas à agricultura e desenvolvimento rural na Câmara dos Deputados.
A defesa do parlamentar ainda não se manifestou publicamente sobre a operação desta terça-feira e a investigação segue em andamento, com novos desdobramentos podendo surgir nos próximos dias.

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