
ALEXANDRE DE MORAES e FLÁVIO DINO – Imagens reprodução TV Justiça
Ministro usa ironia para denunciar violência política e alertar para riscos reais à democracia: “Eu vou perguntar para minha esposa o que ela acha. Ela vai dizer: ‘Você é meu rocambole, nunca do inferno‘” – ASSISTA E SAIBA MAIS
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Brasília, 22 de maio de 2025
Nesta quinta-feira (22/mai), o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), revelou durante sessão plenária ter recebido uma mensagem anônima repleta de ofensas e ameaças enviada pela ouvidoria da Corte.
O autor da mensagem chamou Dino de “canalha e rocambole do inferno” e ameaçou violência física, afirmando: “Um cara como você tem que apanhar de murro por cima da cara. Bastam cem homens aí em Brasília, invadem o STF e expulsam”.
O relato, feito durante julgamento sobre cargos nos tribunais de contas de São Paulo e Goiás, destacou a necessidade de reforçar a segurança institucional, especialmente após uma ameaça de bomba no Ministério do Desenvolvimento Social no mesmo dia.
Dino usou ironia, brincando que perguntaria à esposa se ele é “rocambole, mas não do inferno”, arrancando risos do ministro Alexandre de Moraes, o mais ameaçado do Supremo e já acostumado com o modus operandi bolsonarista.
O ministro associou o caso ao “espírito do tempo”, marcado por um cultivo de ódio que, segundo ele, transforma comentários de redes sociais em ações concretas.
Ele lembrou o atentado de novembro de 2024, quando um apoiador do ex-presidente Jair Bolsonaro tentou invadir o STF com explosivos, reforçando os riscos à segurança dos magistrados.
“As caixas de comentários ganham densidade quando penetram na mente humana e se transformam em força material”, alertou Dino.
A mensagem também acusava Dino de apoiar anistias a figuras como Gilberto Gil, Caetano Veloso e Dilma Rousseff em 1979, quando ele tinha apenas 11 anos, evidenciando a desinformação no ataque.
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“O ladrão, esse bandido, estava nas ruas pedindo anistia para ladrões de banco. Assassinos!“, lê Dino, acrescentando que o autor do texto cita, depois, “Gilberto Gil, Caetano Veloso, Dilma Rousseff e outros, e que eu estava em 1979 pedindo anistia para essa gente nas ruas. Eu tinha 11 anos e posso garantir que estava jogando bola, brincando de carrinho, mas o cidadão diz que eu sou um canalha“.
“Aí ele me chama, ministro Alexandre, para não lhe deixar sozinho com os apelidos que nós achamos jocosos, ‘rocambole do inferno’“, disse o ministro Flávio Dino. “É esse que vos fala. Eu achei muito criativo; achei até poético, né? ‘Rocambole do inferno’. Eu vou perguntar para minha esposa o que ela acha. Ela vai dizer: ‘Você é meu rocambole, nunca do inferno‘”.
Dino prossegui na leitura da ameaça, fazendo pausas para observações: “‘Um cara que nem você’ – eu estou tirando as palavras que ofendem o decoro da família brasileira, que estão aqui presentes, à semelhança de um outro caso que estamos apreciando – ‘tem que apanhar de murro por cima da cara, arrancar dente por dente da tua boca. É na porrada, meu!‘”
“‘Cem homens aí em Brasília, invade o Supremo e expulsa aí.’ – Nesse caso, ele botou no plural. Não sou só eu; é também uma palavra que ofende o decoro da família brasileira”.
“Por que eu leio isto que tem um sabor anedótico? Para ilustrar o espírito do tempo. O espírito do tempo é de cultivo de ódios e desvarios numa escala criminosa e delituosa, porque isso ganha materialidade. As caixas de comentários nas redes sociais ganham densidade quando elas penetram na mente humana. O ministro Fachin vai lembrar da citação e se transforma em força material“, argumentou Dino.
“Por isso mesmo, nós precisamos, quando julgamos, levar em conta as consequências práticas. Porque explico isso? Porque o regime de segurança com o qual convivemos como agentes públicos não é o mesmo de 10 ou 20 anos atrás, infelizmente. Infelizmente. É péssimo, é horroroso, é horrível”, disse.
“Os limites com os quais nós e nossas famílias temos que lidar por conta dessas pessoas que um dia podem achar isso aqui bonito… não sei se esse senhor … é o outro… e resolve invadir aqui, como já aconteceu. Então, presidente [Fachin], de modo muito nítido, essa é a razão pela qual eu vou prestigiar a necessidade de segurança dos conselheiros do Tribunal de Contas do Estado de São Paulo“.
A denúncia de Dino reforça o crescente clima de tensão política no Brasil. A mensagem reflete a escalada de violência verbal que pode incitar atos reais, como o ocorrido no 8 de janeiro de 2023. O ministro destacou que o “regime de segurança não é o mesmo de dez ou 20 anos atrás”.
O caso também ganhou destaque por sua ironia, com Dino transformando o insulto em um momento de reflexão sobre a polarização. O episódio sublinha a vulnerabilidade de figuras públicas diante do discurso de ódio amplificado por redes sociais.
“Não se trata de liberdade de expressão, mas de um projeto de violência simbólica e física”, afirmou Dino. O caso reforça a urgência de medidas contra a desinformação e a violência política, que ameaçam a democracia brasileira em 2025.












