O ator americano Jim Caviezel, que interpreta Jair Bolsonaro no filme “Dark Horse”, exibe as mãos com sangue da facada que o ex-presidente sofreu em Juiz de Fora (MG), em 2018 / Imagem reprodução | O ministro do STF, Flávio Dino / Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom / Agência Brasil
| Brasília (DF)
15 de maio de 2026
O ministro Flávio Dino, do STF, determinou a abertura de apuração preliminar sobre o envio de emendas parlamentares a entidades ligadas à produtora do filme Dark Horse, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro.
A decisão, tomada nesta sexta-feira (15/mai), ganha força após as revelações publicadas na quarta-feira (13/mai) pelo site The Intercept Brasil sobre áudios em que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) cobra recursos de Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master preso por fraudes financeiras.
A investigação tem origem em denúncia protocolada pela deputada federal Tabata Amaral (PSB-SP) ainda em março.
Em 21 de março, o ministro Flávio Dino concedeu cinco dias para que o deputado Mário Frias (PL-SP), produtor executivo do longa, prestasse esclarecimentos sobre repasses de ao menos R$ 2 milhões à Academia Nacional de Cultura, ONG presidida por Karina Ferreira da Gama, também à frente da Go Up Entertainment, responsável pela produção.
Oficiais de Justiça tentam intimar Mário Frias há mais de um mês sem sucesso.
Além de Mário Frias, os deputados Bia Kicis (PL-DF) e Marcos Pollon (PL-MT) também destinaram emendas que totalizaram R$ 2,6 milhões para as mesmas estruturas.
Os parlamentares negam irregularidades e afirmam que os recursos foram redirecionados ou não executados.
A deputada Tabata Amaral sustenta que as empresas e entidades formam um “ecossistema” que poderia dificultar o rastreio de verbas públicas.
As novas revelações do The Intercept Brasil, repercutidas pela CNN Brasil e pela Veja, mostram que Flávio Bolsonaro negociou diretamente com Daniel Vorcaro o aporte de US$ 24 milhões (cerca de R$ 134 milhões) para o filme.
Áudios de novembro de 2025, um dia antes da prisão de Vorcaro, revelam o senador cobrando parcelas atrasadas.
“Eu fico sem graça de ficar te cobrando, tá? Mas está em um momento muito decisivo aqui do filme”, diz o senador em trecho divulgado.
Ao menos R$ 61 milhões teriam sido repassados entre fevereiro e maio de 2025.
Flávio Bolsonaro admitiu o contato, mas classificou como “patrocínio privado para um filme privado” e negou qualquer vantagem indevida ou uso de dinheiro público.
O senador defendeu a instalação de uma CPI para investigar o Banco Master.
Já Mário Frias afirmou que a obra é “100% de capital privado” e que Flávio Bolsonaro não tem participação societária na produtora.
O caso expõe fragilidades no controle de emendas parlamentares e levanta debates sobre a fronteira entre financiamento privado e influência em produções que podem moldar narrativas eleitorais.
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FAQ Rápido
1. O que o ministro Flávio Dino determinou exatamente?
Abriu apuração preliminar para verificar se houve desvio de finalidade nas emendas parlamentares destinadas a entidades ligadas à produtora do filme Dark Horse.
2. Flávio Bolsonaro nega irregularidades?
Sim. O senador confirmou o pedido de recursos a Daniel Vorcaro, mas afirmou tratar-se de patrocínio privado sem qualquer contrapartida pública.
3. Qual o impacto esperado na eleição de 2026?
O caso pode influenciar o debate sobre transparência e financiamento de campanhas indiretas, tema central na disputa pela Presidência.
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